Texto: Claudia Regina de Oliveira Gabardo
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Como a música e as artes visuais podem ajudar cuidadores familiares e profissionais a levar qualidade de vida ao público 60+ foi o assunto do curso oferecido pela 43ª Oficina de Música de Curitiba. A atividade foi encerrada nesta sexta-feira (9/1) e fez parte do bloco de Música Inclusiva do evento. Curitiba faz parte da rede mundial de Cidades e Comunidades Amigas Da Pessoa Idosa.
O curso foi conduzido pela professora aposentada do curso de Música da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Cleusa Erilene dos Santos Cacione. Com a participação de Maria Irene Pellegrino de Oliveria Souza, docente também aposentada do curso de Artes Visuais da mesma instituição de ensino, a atividade provocou as quatro participantes, vindas de diferentes áreas profissionais, a usarem arte na abordagem dos idosos.
Ferramentas
Em grupo, as alunas se valeram de técnicas como canto, uso de instrumentos musicais e desenho para instigar a participação do idoso a partir da sensibilidade e das memórias afetivas de cada um. Esses são alguns dos recursos úteis para ajudar na descoberta do ponto de conexão com o idoso, que faz parte do segmento populacional em franco crescimento no mundo.
Foi o que determinou a “virada de chave” para uma das frequentadoras do Instituto Não Me Esqueças, de Londrina, onde Cleusa e Maria Irene atuam. Com diagnóstico de Alzheimer, ela chegava de andador e não interagia com o grupo. A partir do momento em que foi desafiada a reproduzir sons, manifestou o gosto pela música e ganhou de uma cuidadora uma playlist feita especialmente para ela. “Em pouco tempo, essa mulher dispensou a andador, entrava sorrindo e passou a conversar com as pessoas do grupo. Para ela, o ponto de conexão foi a música”, exemplifica Cleusa.
Impressões
Para o geriatra do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) Gabriel Pizzatto Rudey Crovador, a iniciativa é “extremamente interessante”. O motivo, explica, é que a arte está entre as ferramentas capazes de estimular todos os domínios cerebrais e promover o envelhecimento autônomo e saudável. “As atividades relacionadas a essa área também têm a capacidade de reduzir a depressão, a ansiedade e promover a sociabilidade. O único cuidado a ser observado são os limites do idoso”, destaca.
Animada pelas possibilidades abertas por meio do curso, a arte educadora aposentada Regina Benke acredita que os novos conhecimentos também podem ser compartilhados com os mais jovens, além do universo dos que lidam com idosos em casa ou na atividade profissional. “No futuro, eles se defrontarão com a questão do envelhecimento. Convivo com eles e percebo que há interesse. Essa troca é importante e necessária para os dois lados”, diz.
A servidora pública Margareth Caldas Fuchs trabalha na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), que tem sob suas atribuições a articulação de políticas para a pessoa idosa, e acredita que a atividade pode ser proposta para as instituições de longa permanência para pessoas idosas (Ilpis) e centros de convivência. “São estratégias simples e eficazes para promover a qualidade de vida e o envelhecimento pleno”, avalia.
Cantando
Os idosos, porém, não são apenas público-alvo do novo curso ofertado pela 37ª Oficina de Música de Curitiba. Eles também assumem o papel de sujeitos do evento e participam como alunos. No curso de Coro, os alunos 60+ somam 108 dos 150 inscritos.