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Empatia e consciência

Curitiba dá início a programa de inclusão no trânsito

Agentes orientam sobre inclusão de pessoas com deficiência visual no trânsito. Curitiba, 13/09/2019. Foto: Levy Ferreira/SMCS

Enfatizar ações e atitudes de inclusão no trânsito é o foco do mais novo programa lançado pela Prefeitura. Coordenado pela Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito, o programa prevê atividades voltadas a públicos específicos: pessoas com deficiência física, pessoas com deficiência intelectual, cegos, surdos e pessoas sem deficiência.

“É uma iniciativa inédita no Brasil. Apesar de leis correlatas e da necessidade implícita de ações educativas de trânsito às pessoas com deficiência, poucos e tímidos são os trabalhos realizados desta forma, até agora”, analisa o secretário de Defesa Social e Trânsito, Guilherme Rangel. 

“Entendemos ter chegado a hora de intensificarmos os esforços para dar maior esclarecimentos a toda sociedade sobre o assunto, fortalecendo a empatia”, enfatiza ele.

O programa é lançado neste mês de setembro no qual está inserida a Semana Nacional do Trânsito (SNT), entre os dias 18 e 25. Em Curitiba, as ações voltadas à área foram ampliadas e estão acontecendo ao longo de todo o mês. Veja aqui a programação

O início das atividades envolveu 30 alunos da Escola Municipal da Lapa, no Boqueirão, na última semana. Além de palestras, eles participaram de uma vivência do projeto Na Minha Pele, que integra o Trânsito Para Todos. Com vendas, cadeira de rodas e bengalas, eles se locomoveram em um ambiente que simulava a rua.

Ana Leticia Sarcedo, de 10 anos, conta que a atividade foi desafiadora. “Fiquei imaginando as dificuldades na vida dessas pessoas. É uma lição de vida. Aprendi na prática que eu não devo fazer brincadeiras com deficientes, mas sim ajudar o próximo”.

A diretora da escola, Paulimery Taveira Scalco, avaliou que os alunos ficaram empolgados com a palestra e com a prática.

Ações na faixa

Em outra ação, pedestres, motoristas e ciclistas foram orientados por agentes de trânsito e deficientes visuais do Instituto Paranaense de Cegos, na última sexta-feira (13/9), no Batel.

“A participação dos deficientes visuais nas ações educativas é fundamental para impor respeito e mostrar o dia a dia, uma vez que o trânsito faz parte da vida de todos”, afirma a professora de orientação e mobilidade do instituto, Lilian Merege Biglia.

Foram dados esclarecimentos sobre como agir diante de uma pessoa com deficiência que precisa de ajuda. Os pedestres auxiliaram na travessia segura e os ciclistas foram informados sobre a importância de parar na hora que uma pessoa atravessa, já que a bicicleta, diferente dos carros, emite menos barulho.

A movimentação chamou a atenção da dona de casa Alice Grottker. Ela opinou que é uma mobilização fundamental para as pessoas que passam pela região, parabenizou os agentes e levou panfletos para distribuir aos jovens do prédio em que mora. 

Preparação

Antes do desenvolvimento das atividades, agentes de trânsito se reuniram, tiraram dúvidas e aprenderam com quem entende do assunto: junto às instituições voltadas para esses públicos específicos, como Associação dos Deficientes Físicos do Paraná, Instituto Paranaense de Cegos e Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).
 

“Sempre podemos fazer algo diferente para ajudar o próximo. Este programa é uma lição de empatia, trazendo uma melhoria no trânsito e na mobilidade com a inclusão social”, comenta o diretor da Escola Pública de Trânsito (EPTran), Claudionor Agibert.

Ainda como forma de preparação para o programa, a agente de trânsito Claudia Moreira - que já possuía conhecimento na Língua Brasileira de Sinais (Libras) - utilizou o método durante uma atividade de orientação na volta às aulas do segundo semestre. No início de agosto, conversou com um motorista surdo que passou pela abordagem educativa e que elogiou a iniciativa.
 

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