Texto: Claudia Regina de Oliveira Gabardo
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Texto: Cláudia Gabardo
Prefeitura de Curitiba
O ex-estudante de Engenharia da Computação V. G. F., de 24 anos, está entre as 411 pessoas em uso de substâncias químicas que passaram pelo Centro Intersetorial de Atendimento à População em Situação de Rua, entre janeiro e meados de maio, e aceitariam ir voluntariamente para Comunidades Terapêuticas Acolhedoras (CTAs). Ao todo, 129 homens e mulheres de 18 a 59 anos optaram pela oportunidade e agora fazem planos para retomar a rotina interrompida pelas drogas. A informação é do Departamento de Políticas sobre Drogas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH).
O Centro Intersetorial é uma das portas de entrada para quem quer recomeçar a vida longe das drogas. O serviço funciona às terças-feiras, das 8h às 12h, e às quintas-feiras, das 13h às 17h. Além dele, há outros caminhos para quem quer obter ajuda dos serviços públicos – para si ou para terceiros - e começar a jornada rumo à recuperação e reinserção social. “Faltava 1 ano para me formar e eu estava trabalhando na faculdade. Joguei tudo fora. Agora estou 4 meses limpo e, nesse lugar, me reencontrando, sonhando novamente”, contou o jovem.
Situado próximo à Rodoferroviária, o Centro Intersetorial é um complexo com postos de atendimento da Fundação de Ação Social (FAS), Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e SMDH. É lá, com a ajuda da equipe técnica da SMDH, que as pessoas interessadas em romper com o consumo de substâncias químicas acessam vagas de tratamento disponíveis na rede de apoio da Prefeitura. As CTAs são um dos caminhos possíveis.
Começa a jornada
Tomada a decisão pelo acolhimento em CTA, a pessoa é encaminhada para a realização de exames e aplicação das vacinas necessárias. Casos de doença são encaminhados para tratamento na rede pública. A transferência para uma das comunidades credenciadas é agendada somente depois de atestada a aptidão clínica.
A maioria das comunidades acolhem exclusivamente homens ou mulheres, mas existem as que atendam aos dois públicos em alas separadas.
Nesses locais, cada acolhido tem um Plano Individual de Atendimento (PIA) com duração de 6 a 9 meses. Durante esse período, elas terão acomodações compartilhadas, roupas de cama, banho e itens de higiene individuais, acompanhamento psicossocial e atividades físicas, lúdicas e culturais coletivas.
As portas das comunidades estão sempre abertas para quem desejar ir embora e interromper o tratamento. A escolha em permanecer é sempre do acolhido. Ninguém é obrigado a participar de qualquer programação religiosa ou de fazer serviços dentro da unidade.
Portas de entrada para todos
Dependendo do grau da dependência e da alternativa terapêutica cabível em cada caso, o encaminhamento é diferente. “Assim como há quem precise de uma temporada de imersão nas comunidades terapêuticas, há os que necessitam de estabilização psicológica ou acompanhamento clínico. Mas também há os que conseguem começar a jornada se hospedando na unidade de acolhimento temporário e assistido da SMDH”, explica o secretário do órgão, Carlos Eduardo Pijak Júnior .
Endereço provisório - Essa unidade da SMDH é uma espécie de hotel social em que os hóspedes não pagam para ter cama, roupas limpas e refeições durante no máximo 6 meses. É o tempo para quem está empenhado em reconquistar sua autonomia se reorganizar. O pré-requisito é estar em situação de dependência química e não ter para onde ir. A pessoa recebe apoio para se apresentar bem em entrevistas de empregos e começa a fazer cursos para se tornar mais competitiva.
Ajuda sobre quatro rodas - Para quem vive nas ruas, o serviço de abordagem dos educadores sociais da FAS e as unidades móveis do Consultório na Rua fazem a diferença. Por serem serviços que literalmente vão ao encontro desse público por toda a cidade, eles são o caminho mais curto da calçada para o Centro Pop e os demais serviços do complexo social.
Base, a novidade - Em abril, também no Centro, essas possibilidades foram ampliadas com a abertura do Base - sigla para Bem-estar, Apoio, Solidariedade e Emprego. O local pode ser acessado por busca espontânea e oferece postos de atendimento avançado da FAS, Saúde, Sistema Nacional de Emprego (Sine) e até restaurante.
Creas e “postinhos” - Também por busca espontânea, familiares ou as próprias pessoas em situação de dependência que mantêm vínculos familiares têm outras alternativas. Elas podem recorrer aos Creas, que são os centros regionais de atendimento especializado da FAS, ou à rede de unidades municipais de saúde espalhadas pela cidade. Lá, são prestadas orientações e feito o encaminhamento mais adequado.
O último dos recursos - Dependendo do estado mental gerado pela dependência severa das substâncias químicas, o recurso pode ser excepcional: encaminhamento para unidades médicas especializadas em estabilização ou até mesmo a internação involuntária (por emergência médica) ou compulsória (por determinação judicial).
A internação involuntária ocorre quando a pessoa se torna uma ameaça para si ou para terceiros. Ela depende de ordem médica emergencial fundamentada e é feita por equipes multisetoriais da Prefeitura. A internação pode durar até 90 dias em unidade médica, com o conhecimento do Ministério Público e Defensoria Pública.
Já a internação compulsória resulta de determinação judicial, em resposta a ações comumente movidas por familiares, responsáveis legais, advogados, Ministério Público, Defensoria Pública ou profissionais de saúde. A motivação é praticamente a mesma da internação involuntária.