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Curitiba sem dengue

Confirmação de casos de dengue em Curitiba provoca ações de bloqueio e alerta de prevenção

Agentes de endemias da Prefeitura estão visitando as casas do bairro Campo do Santana, no Distrito Sanitário Tatuquara, onde foram registrados três casos autóctones de dengue

Confirmação de casos de dengue em Curitiba provoca ações de bloqueio e alerta de prevenção. Curitiba, 18/01/2024. Foto: Cido Marques/SMCS

O monitoramento epidemiológico da dengue em Curitiba, realizado pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), registrou 28 casos da doença nos primeiros 15 dias do ano, três deles autóctones, em que a contaminação aconteceu na cidade, no bairro Campo do Santana, no Distrito Sanitário Tatuquara.

“O monitoramento da dengue em Curitiba é constante. Nossas equipes estão em campo para fazer o bloqueio da doença e evitar novas contaminações na cidade. Precisamos da colaboração de todos para evitar novos casos”, diz a secretária municipal da Saúde, Beatriz Battistella.

Casos

Os três casos autóctones de dengue confirmados neste início do ano em Curitiba chamam a atenção pelo histórico de saúde dos pacientes e a evolução da doença. 

Um senhor de 78 anos apresentou febre alta e dor de cabeça na virada do ano, sintomas que persistiram por cinco dias, quando só então procurou atendimento já em crise convulsiva, e precisou ser internado para completa recuperação, com alta no dia 9 de janeiro.

A filha dele, de 39 anos, começou a ter sintomas da doença no dia 7 de janeiro, quando procurou atendimento, mas se recusou a ser internada. Com um quadro de anemia grave, a paciente retornou à UPA no dia 10 com o quadro de saúde agravado, quando foi internada para recuperação completa e também já está em casa.

O terceiro caso positivo autóctone é de uma mulher de 42 anos, imunossuprimida, que mora na mesma região. Ela procurou a UPA no dia 9 de janeiro com febre, dor de cabeça, náuseas e vômitos. Foi internada e permanece no hospital em monitoramento.

Sintomas

O diretor do Centro de Epidemiologia da SMS, Alcides Oliveira, alerta que a dengue pode evoluir para a forma grave em pessoas mais vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

“Aos primeiros sintomas de dengue é preciso procurar atendimento de saúde. Se os sintomas forem leves, a pessoa pode ligar para a Central Saúde Já, no 3350-9000, para ter a orientação adequada para seu caso”, diz Alcides.

Segundo ele, a hidratação intensa é o principal tratamento para a dengue, mas é preciso atenção para o agravamento do quadro. “No quinto dia de sintomas, se houver algum sinal de alarme, como náuseas ou vômito, além da febre persistente e dor intensa de cabeça, é preciso buscar um serviço de saúde”, orienta.

Prevenção

A vistoria semanal das casas, quintais e locais de trabalho são medidas efetivas para eliminar possíveis criadouros do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya, o Aedes aegypti. Isso é necessário porque o ciclo de reprodução do Aedes, entre ovo, larva e mosquito adulto, é de apenas uma semana. Eliminando a água parada, esse ciclo é interrompido.

“O verão é a época do ano com maior risco da proliferação do mosquito transmissor da dengue, mas os cuidados em eliminar possíveis criadouros, devem ser mantidos o ano inteiro”, alerta a coordenadora do Programa Municipal de Controle do Aedes, Tatiana Faraco.

Segundo Tatiana, semanalmente é preciso vistoriar a residência e o quintal em busca de recipientes que acumulam água, desde uma pequena tampinha esquecida no jardim, aos tonéis de captação de água de chuva.

“A orientação é que esses reservatórios de água sejam mantidos tampados, inclusive com o uso de telas para impedir a entrada da fêmea do Aedes, que procura o local ideal para depositar seus ovos”, diz a coordenadora.

A partir da confirmação de um caso positivo de dengue, a equipe da vigilância ambiental da SMS percorre o bairro onde foi confirmada a doença em busca de criadouros do mosquito Aedes aegypti. Os agentes de endemias também buscam identificar outros possíveis casos suspeitos da doença.

Nesta quinta-feira (18/1), um grupo de oito agentes de endemias visitava as casas do Campo do Santana para identificação e eliminação de criadouros.

Há 47 anos trabalhando na área de vigilância ambiental, José Veras Ribeiro, 67 anos, liderava um grupo de agentes. Ao encontrar larvas do Aedes, recolhia amostras e tratava a água, como no caso de uma caixa d’água usada para regar uma horta na região. O recado dele é claro para toda população: “É uma questão de consciência de cada cidadão remover os depósitos de água. Se todo mundo colaborasse, talvez a gente não teria epidemia de dengue”, analisou Veras.

“Curitiba nunca enfrentou uma epidemia de dengue e para nos mantermos assim é preciso a colaboração de todos”, finaliza a secretária Beatriz Battistella.