Texto: Franco Iacomini Junior
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
A Camerata Antiqua de Curitiba concluiu no fim de semana sua participação no 56º Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Foram dois concertos: na sexta-feira (31/7), no auditório Cláudio Santoro, em Campos do Jordão, e no sábado (1º/8), na Sala São Paulo, uma das salas de concerto mais prestigiadas da América Latina.
“Foi um lindo concerto. Eu sou um fã da Camarada Antiqua de Curitiba, que considero um corpo admirável pela consistência com que tem trabalhado em mais de cinco décadas”, disse o crítico Nelson Rubens Kunze, fundador e editor da revista Concerto, importante veículo da música erudita brasileira. “É sempre um prazer ver a Camerata interpretando um repertório que domina tão bem, e que foi escolhido de forma tão feliz", completou Kunze, que acompanhou a apresentação da Sala São Paulo.
Nos dois eventos, o programa foi todo dedicado ao compositor austríaco Franz Joseph Haydn (1732-1809), um dos mais importantes compositores do Classicismo. O mesmo concerto foi apresentado na Capela Santa Maria, em Curitiba, no fim de junho.
A orquestra de câmara abriu o concerto com a Sinfonia 44, conhecida como “Trauer” (“Luto”, em alemão). Depois, com a participação do coro, de solistas e músicos convidados, o grupo executou a Missa in Tempore Belli (Missa em Tempos de Guerra, em latim). A peça também é conhecida como Paukenmesse (Missa dos Tímpanos) por causa das marcações dos tímpanos no último movimento, que lembram os passos dos soldados e o medo da população austríaca diante da proximidade da guerra com a França de Napoleão – a obra foi composta em 1796, quando o império austríaco estava em guerra com os franceses.
Mantida pela Prefeitura de Curitiba por meio da Fundação Cultural de Curitiba e do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (Icac), a Camerata Antiqua de Curitiba foi criada em 1974, pelo maestro Roberto de Regina (1927-2025) e pela cravista Ingrid Seraphim. A proposta inicial de execução exclusiva de música barroca e renascentista foi enriquecida com o acréscimo de um repertório de compositores contemporâneos nacionais e estrangeiros, abrindo novas vertentes musicais. O grupo realiza várias apresentações no Brasil e no exterior, nas quais mostra a sua versatilidade em um repertório com obras de grandes nomes da música erudita mundial.
Um ano especial
“Está sendo um ano muito especial para a Camerata. Nós começamos no auge, com a turnê pela Itália na celebração dos 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e Santa Sé”, relembra a diretora executiva do Instituto Curitiba Arte e Cultura, Juliana Midori. Na ocasião, a formação apresentou-se para o papa Leão XIV e fez concertos na embaixada brasileira em Roma, na Universidade Salienta e na Basílica de Santa Maria Maggiore. “Mas nada mais especial do que estar em casa, no Brasil, mostrando o talento curitibano e o talento desse grupo tão especial no Festival de Inverno de Campos do Jordão. Com isso o grupo consolida a sua posição como um dos conjuntos mais importantes de música de câmara no país”, completou ela.
Para o presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marino Galvão Júnior, o Festival é uma parte importante da agenda anual da Camerata e uma parte essencial da presença de Curitiba no calendário da música brasileira. “Este é um momento de encontro dos grandes grupos musicais do país. E a Camerata Antiqua de Curitiba mantém a tradição de estar presente neste grande evento. Aqui o público e a crítica podem ver o grande trabalho deste grupo, que é singular no cenário brasileiro”, diz. “São dois momentos importantes no ano, em que os amantes da música podem encontrar arte de qualidade. Em julho, com a Camerata Antiqua de Curitiba aqui em São Paulo, no Festival de Campos do Jordão, e em janeiro, com os grandes profissionais que participam da Oficina de Música de Curitiba”, ressalta Galvão Júnior.
Acesso de riso
Para os músicos, o festival é sempre marcante. “Tocar na sala São Paulo já é um privilégio”, diz o violinista Winston Ramalho, diretor musical da Orquestra de Câmara de Curitiba, que faz parte da Camerata, lembrando que se trata de um público exigente e bem informado.
“Um dos concertos mais importantes da minha vida foi aqui”, recorda Ramalho. Em 2019, ele foi convidado a ser professor no Festival. Em uma das noites, ele tocaria em um concerto especial com o pianista carioca Arnaldo Cohen e o violoncelista sérvio Viktor Uzur. Juntos, eles apresentaram o Trio nº 2 op.87 de Johannes Brahms. “Quando eu vi que a Sala estava repleta de gente, eu tive um acesso de riso. Era pura felicidade, tocar em um palco privilegiado para um auditório lotado, uma obra de um compositor que eu amo.”
Cinema e musicais
Para o público de Curitiba, a Cantata Antiqua tem muita boa música para este segundo semestre do ano. “Nos próximos meses, a gente tem vários concertos que vão levar um gostinho de música clássica para quem está tomando gosto pela música erudita”, conta Juliana Midori.
Já nesta semana, músicas bem conhecidas dos frequentadores dos cinemas chegam ao palco da Capela Santa Maria, no concerto Trilhas Sonoras de Compositores Europeus. O programa inclui peças de filmes como O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, 007 e Cinema Paradiso, sob regência de Mateus Brandão. Serão três apresentações, na sexta (7/8), às 20h, e no sábado (8/8), às 18h30 e 20h.
Ainda em agosto, nos dias 21 e 22, a Camerata mergulha no teatro musical americano com Camerata na Broadway – Gershwin & Bernstein, regida por José Soares. O concerto ser[a dedicado à obra de Leonard Bernstein e George Gershwin, conhecidos por peças como Porgy & Bess e West Side Story.