Texto: Viridiana de Macedo Saldanha
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
"A música, antes de tudo" (De la musique avant toute chose), frase do poeta Paul Verlaine, constantemente declamada por Margarita Sansone, resumiu a noite desta quarta-feira (23) na Capela Santa Maria. O lançamento do Prêmio Margarita Sansone da Oficina de Música foi repleto de significados e de novos capítulos para a cultura curitibana, embalado pelo som da Camerata Antiqua e da Regional de Choro da Orquestra À Base de Corda.
O legado da jornalista e ex-primeira-dama de Curitiba Margarita Sansone ganhou um símbolo físico e sonoro no local. O piano de sua mãe foi doado à Capela Santa Maria e agora está restaurado pelo luthier Donizete Bonifácio. O instrumento foi inaugurado no saguão do espaço com a interpretação do pianista Jesse Souza, que recebeu o público com obras que prepararam o ambiente para a cerimônia.
Diante de familiares, autoridades e músicos, o ex-prefeito e secretário de Desenvolvimento Sustentável do Paraná, Rafael Greca, viúvo de Margarita, falou ao público.
“Minha amada Margarita sempre acreditou na música como força de vida e quis que sua paixão pela arte continuasse inspirando outros. É com o coração transbordando que, em sua memória, ofereço este prêmio. Que ele perpetue sua luz, sua dedicação à música e seu amor pela cidade que tanto encantou”, disse Greca.
Em sua fala, ele destacou que “nenhum valor material se compara à grandeza do bem que a música faz ao espírito e à cidade”, reforçando a ideia de que o prêmio nasce como um gesto de gratidão e estímulo à arte.
Camerata em Roma
A cerimônia também trouxe anúncios de grande impacto. O prefeito Eduardo Pimentel revelou que a Camerata Antiqua de Curitiba fará uma turnê em Roma logo após a 43ª Oficina de Música, com uma apresentação histórica na Basílica Papal de Santa Maria Maior, uma das quatro maiores do Vaticano, local onde o papa Francisco está sepultado.
"Levar o nome de Curitiba e esse timaço para o Vaticano é um feito extraordinário", comemorou Pimentel. “E o Prêmio Margarita Sansone nasce com esse mesmo espírito, o de transformar emoção em legado. São gestos que unem gerações de artistas e fazem a música continuar sendo a alma viva da nossa cidade.”
Um prêmio com dois eixos
O Prêmio Margarita Sansone de Música nasce com dois eixos: valorizar quem já faz e estimular quem está começando.
O Prêmio Estímulo aos Novos Talentos, voltado a alunos de todo o Brasil inscritos na Oficina de Música, reconhecerá os melhores nas áreas de Cordas Clássicas, Sopros, Canto, Piano, Música Antiga e MPB. Os vencedores receberão bolsa-auxílio, certificado e medalha, com avaliação feita pelo corpo docente da Oficina.
Prêmio Trajetória homenageará anualmente músicos, regentes, compositores, educadores ou personalidades com contribuição relevante para a música brasileira. O escolhido será indicado por uma comissão julgadora formada por professores e representantes da família Sansone, recebendo placa comemorativa e medalha.
O presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marino Galvão Jr., também ressaltou o alcance da iniciativa. “Esta ação consolida ainda mais a Oficina como um dos festivais de música mais relevantes do país e cria um legado permanente de incentivo à arte. É uma forma brilhante de manter viva a memória de dona Margarita.”
Para o maestro e curador da Oficina, Abel Rocha, o prêmio é mais uma demonstração do quanto Curitiba valoriza a atividade musical. “É um gesto que reafirma a importância da música na vida da cidade e o reconhecimento aos artistas que fazem da Oficina um espaço de formação, excelência e inspiração”, destacou.
Um concerto à altura da homenagem
Sob regência de Mara Campos e direção musical de Winston Ramalho e João Egashira, o concerto da noite uniu o erudito e o popular. A Marcha para Curitiba abriu o programa, que passeou por obras como Belarmino e Gabriela das Mocinhas da Cidade, Libertango de Astor Piazzolla e Carinhoso de Pixinguinha.
O ponto alto veio com a interpretação de Melodia Sentimental e Ária e Cantilena (das Bachianas Brasileiras nº 5), de Villa-Lobos, nas vozes da soprano Ornella DeLucca e da Camerata, um momento encerrado sob aplausos prolongados.
Na plateia estavam a secretária estadual da Cultura, Luciana Casagrande, a diretora executiva do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (Icac), Juliana Midori, o presidente da Câmara Municipal, Tico Kuzma, o líder da bancada governista, vereador Serginho do Posto, e o procurador-geral do Estado, Gilberto Giacoia, além de familiares e amigos de Margarita Sansone.
Turnê em Roma
A turnê da Camerata irá comemorar os 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, com concerto marcado para o dia 23 de janeiro de 2026, logo após as comemorações de Santa Inês. A viagem acontece à convite da Embaixada do Brasil junto à Santa Sé e será realizada por meio da Lei Rouanet com apoio também da Secretaria de Estado da Cultura.
O maestro Ricardo Bernardes, que conduzirá a apresentação na basílica, esteve no concerto e destacou a relevância artística da ocasião. “A Camerata Antiqua de Curitiba é o único grupo brasileiro com a expertise necessária para apresentar um repertório barroco em Roma. É uma orquestra que carrega uma história de excelência e merece esse reconhecimento”, afirmou.
Inscrições prorrogadas para a 43ª Oficina
A organização da Oficina de Música de Curitiba prorrogou o período de inscrições para a 43ª edição, que será realizada de 7 a 18 de janeiro de 2026. Serão 89 cursos ministrados por professores brasileiros e estrangeiros, abrangendo música erudita, popular e antiga.
As inscrições seguem abertas pelo portal do aluno, disponível no site oficial da Oficina de Música.