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Balanço 2019

Cohab fecha terceiro ano de gestão com 5,7 mil títulos de propriedade entregues, prêmio nacional e projeto solar

Entrega das unidades do Moradias Creta, bairro Tatuquara. Na imagem, Enice e seu filho Matheus. Foto: Rafael Silva

O setor de habitação popular enfrenta uma forte crise em todo o Brasil nos últimos anos. E a escassez de investimentos do governo federal afetou a produção habitacional das grandes cidades. Curitiba, porém, usou a criatividade para driblar esta situação e mesmo em meio a um cenário complicado conseguiu entregar em três anos de gestão 1.750 moradias e garantiu títulos de propriedade para outras 5.755 famílias.

Além disso, a Cohab Curitiba recebeu em 2019 um prêmio nacional e avançou no programa Cohab Solar, com a construção de casas equipadas de placas fotovoltaicas.

“No primeiro ano de gestão colocamos a casa em ordem, e nos dois anos seguintes avançamos nos projetos de habitação. A falta de recursos federais prejudicou, pois habitação popular é um produto caro, não há município que consiga dar conta somente com investimentos próprios", explicou o presidente da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), José Lupion Neto. 

"Focamos nas parcerias com a iniciativa privada e conseguimos atender um grande número de famílias”, completou Lupion Neto. 

Em 2019, por exemplo, 348 famílias receberam as chaves de suas novas casas. Os números da gestão representam uma média de quase 50 moradias e 160 títulos entregues por mês. Do total de moradias entregues desde 2017, 1.212 foram destinadas a cidadãos inscritos na fila da casa própria – pessoas que procuram voluntariamente a Cohab e se inscrevem para adquirir um imóvel popular.

Beneficiado

A dona de casa Marli de Oliveira e seu marido, o eletricista Sidvaldo Cavalcanti, estavam inscritos na Cohab havia quatro anos. Em 2019 deixaram para trás o aluguel de R$ 1 mil que pagavam para morar em um apartamento no Fazendinha. Eles foram contemplados com as chaves de um apartamento de dois quartos no Residencial Bergamo, no Santa Cândida.

“Valeu toda a espera. A prestação é metade do valor do antigo aluguel e o apartamento é ótimo”, afirma Marli de Oliveira, mãe de Maria Júlia, de 1 ano e 8 meses.

“É uma região muito boa, com bastante área verde. Isto é um privilégio para quem vive em cidades. E tem de tudo por perto, terminal de ônibus, creche, escola, comércio”, ressaltou Cavalcanti.

 

Fora da área de risco


Além do atendimento à fila de inscritos, outros 538 imóveis tornaram-se o lar de moradores que foram transferidos de áreas de risco, como parte de projetos de urbanização de áreas irregulares.

A trabalhadora autônoma Enice da Silva Spina, 34 anos, foi reassentada em novembro para um sobrado do Moradias Creta, no Tatuquara. Ela vivia em uma sub-habitação de duas peças, junto com o filho Mateus, de nove anos, na Vila Pompeia, também no Tatuquara.

“Era um quarto e cozinha, não tinha nem banheiro, eu usava o da casa do meu pai”, lembra ela.

“Ainda nem caiu a ficha de que vamos morar em um sobrado, que meu filho vai ter um quarto só para ele. É uma sensação que não tem como explicar, é como começar uma nova vida”, diz Enice, emocionada.

Prêmio

Um dos projetos da Cohab foi premiado em nível nacional em 2019. A urbanização da Vila Nori recebeu o troféu Selo de Mérito, promovido pela Associação Brasileira de Cohabs e Agentes Públicos de Habitação. Com benefícios diretos para mais de mil pessoas, o projeto transformou o cenário da Vila Nori, no Pilarzinho. O que era uma precária ocupação irregular na encosta de um morro está dando lugar a um novo parque da cidade. Para possibilitar a intervenção no local foram realocadas pela Cohab 156 famílias.

O prêmio foi entregue durante o 66º Fórum Nacional de Habitação de Interesse Social, realizado em Foz do Iguaçu no mês de agosto. A intervenção curitibana foi premiada na categoria Grandes Intervenções Urbanas com Impactos Regionais.

“Um projeto muito bem executado que possibilitou melhores condições para as famílias e vida nova para um fundo de vale que estava degradado. Curitiba respeita as pessoas e o meio ambiente”, ressaltou o prefeito Rafael Greca.

 

Titulação

Tão importante quanto construir novas moradias é regularizar as já existentes, pois é a etapa que finaliza o atendimento habitacional ao cidadão. Em 2019 foram garantidos 1.072 títulos de propriedade a pessoas que ainda viviam em terrenos irregulares. Foram 755 lotes da Vila Acrópole, no Cajuru, e outros 317 da Vila Bela Vista da Ordem, no Tatuquara. Em três anos de gestão, a Prefeitura alcançou a marca de 5.755 escrituras disponibilizadas.

O casal de comerciantes João Lopes, 37 anos e Elenice Pereira, 31, chegaram na Vila Bela Vista da Ordem em 2007, vindos de Guarapuava. As lembranças dessa época remetem a momentos difíceis. “Não tínhamos água nem luz, as ruas de terra viravam puro barro quando chovia. Alagava tudo”, conta Elenice.

Com a vila urbanizada e regularizada a vida deles mudou. “Agora está tudo mais organizado, com ruas asfaltadas, opção de lazer, luz, água. Estamos muito felizes e agradecidos ao trabalho da prefeitura”, completa a comerciante.

Cohab Solar

Foi no Moradias Faxinal que a Prefeitura lançou em 2018 o projeto Cohab Solar. Dentre as casas do conjunto, 26 foram equipadas com placas fotovoltaicas que captam a radiação solar e transformam em energia elétrica para uso doméstico.

O objetivo da iniciativa pioneira na cidade é reduzir as contas de luz dos moradores e também colaborar com o meio ambiente ao utilizar uma energia limpa e gratuita. A dona de casa Joice Jarenko tem uma placa em sua casa e conta que a conta de luz tem vindo zerada.

“Antes de ter as placas eu pagava R$ 98,00 de luz e agora a conta vem sem custo nenhum. Foi uma ótima iniciativa”, ressalta Joice.

Em 2019, a Cohab assegurou a ampliação do programa: em novembro aconteceu a licitação para contratação de 23 casas do empreendimento Moradias Vila Nina, com a inclusão nas unidades do equipamento que transforma radiação solar em energia elétrica para uso doméstico.

Estão em processo de contratação mais 173 placas fotovoltaicas – 120 para o Moradias Cambará e 53 para o Moradias Bela Vista da Ordem, ambos empreendimentos no Tatuquara.

Contratos

Além da entrega das chaves de 1.750 imóveis, a Cohab garantiu em 2019 moradia própria para outras 158 famílias que assinaram contratos de aquisição e aguardam a execução das obras dos Residenciais Carducci, no Pinheirinho; Vile Provence, no Santa Cândida; e Viviendas do Bosque, na região metropolitana. 

Caso da assistente social Amanda Mendonça, 24 anos. Inscrita na fila desde 2015, ela aproveitou a oportunidade de adquirir um apartamento do conjunto Viviendas do Bosque, que está sendo construído pela iniciativa privada em São José dos Pinhais. Para inscritos na Cohab foram oferecidos descontos e condições especiais.

“Participei da reunião e fiquei empolgada com a chance de conquistar minha casa própria já aos 24 anos. Achei as condições interessantes e o valor acessível”, afirma ela, que atualmente mora com os pais.

Amanda teve a documentação aprovada pela Caixa Econômica Federal e assinou em outubro o contrato de compra do apartamento, onde pretende morar sozinha.

“O conjunto tem uma ótima localização. Representa a minha independência, por isto estou muito feliz. Agora é só aguardar a conclusão das obras e já ir pensando na mobília e decoração”, destaca.

Outros 144 inscritos na fila foram atendidos com imóveis retomados pela Companhia em virtude de inadimplência ou uso indevido.

Atendimentos


Durante 2019, a Cohab atendeu 92.173 cidadãos curitibanos, em atendimentos presenciais nas nove agências espalhadas pelas Regionais, por meio do serviço telefônico gratuito (Alô Cohab) e também pelo Falecom, um canal disponibilizado no site da Companhia. O número representa uma média de 7,6 mil atendimentos por mês e mais de 380 atendimentos por dia útil. São atendimentos diversos, pedido de informações, emissão de boletos, renegociação de dívidas e outros assuntos.

A pensionista Meiris Valverde de Castro, moradora do Conjunto Diadema 2, na Cidade Industrial, procurou a Agência da Cohab no CIC para renegociar a sua dívida. Ela enfrentou dificuldades com uma doença do marido, que acabou o levando ao óbito, em 2015.

“Foram anos de tratamento com custo elevado, por isso não conseguimos honrar as prestações da casa. Agora que as contas estabilizaram procurei a Cohab para regularizar minha situação”, conta.