Ir para o conteúdo
banner

Carnaval de Curitiba 2023

Chuva, samba e homenagens marcaram o encerramento dos desfiles em Curitiba

No segundo dia do Carnaval de Curitiba, quatro escolas entram na "avenida" para disputar uma vaga ao grupo especial. Resultado das campeãs será anunciado nesta segunda (20/2)

Segundo dia de desfile do Carnaval de Curitiba na Rua Marechal Deodoro. Curitiba, 19/02/2023. Foto: luiz pacheco

A chuva não deu trégua no segundo dia do Carnaval de Curitiba e mesmo assim o público lotou as arquibancadas da Rua Marechal Deodoro para assistir aos desfiles das quatro escolas de samba, na noite deste domingo (19/2). Entre elas, uma estreante e até a mais antiga escola do carnaval curitibano, as agremiações disputam uma vaga no grupo especial.

A apuração do Carnaval de Curitiba 330 anos acontece nesta segunda-feira (20/2), às 15h, no Memorial de Curitiba. O resultado das campeãs deve ser anunciado pela Fundação Cultural de Curitiba entre o final do dia e o começo da noite.  

“O Carnaval de Curitiba ganhou dois dias de desfiles na Rua Marechal Deodoro desde a edição de 2019. Com isso, a festa se ampliou para sábado e domingo e as escolas de samba ganharam mais tempo para mostrar suas criações”, destacou a presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Ana Cristina de Castro.

Blocos e homenagens

Antes do desfile das escolas  passaram pela Marechal vários blocos. Alguns deles prestaram em seus temas homenagens à personalidades importantes da cena cultural e religiosa de Curitiba.

O tema do bloco Ecoorquestra, por exemplo, foi a artista plástica, poeta e contadora de história Efigênia Rolim. A mineira radicada em Curitiba construiu sua trajetória artística usando sucata e lixo como matéria-prima. Em seu trabalho, ela dá vida a papel de bala, latas, caixas e outras sucatas que tira do lixo. 

Tambores afro do Pretinhosidade

Em seguida, os tambores do Pretinhosidade esquentaram  a rua e o bloco afro curitibano formado na Vila Torres emocionou o público da Marechal Deodoro.  

Com muita energia, o Pretinhosidade prestou homenagem à mãe de santo Iyagunã Dalzira que conquistou no final do ano passado, aos 81 anos, o título de doutora na Universidade Federal do Paraná (UFPR), defendendo a tese Professoras negras: gênero, raça, religiões de matriz africana e neopentecostais na educação pública.

A homenageada acompanhou o bloco junto com a ala das mães-de-santo. A letra da música entoava palavras de existência e resistência da cultura afro na capital paranaense e também de paz e de amor.

Desfile do Grupo de Acesso 

Logo em seguida, a escola Deixa Falar fez sua estreia na Marechal com o enredo Eu sou o samba. A escola abriu o desfile do grupo de acesso. A Deixa Falar foi fundada há apenas dois anos e já cumpriu os requisitos para ingressar na passarela do samba e disputar títulos com as demais agremiações. A contar pela animação dos ensaios, a escola deve surpreender. 

Depois veio a Unidos de Pinhais, escola da Região Metropolitana que há muitos anos participa do Carnaval de Curitiba, sempre trazendo diversão e alegria para a capital. O enredo desta vez foi Uma viagem fantástica no mundo da fantasia. 

A Escola de Samba Leões da Mocidade também trilhou o seu caminho e percorreu a passarela com garra. Nascida de uma dissidência da Mocidade Azul, ela mantém a sua identidade construindo espetáculos que durante muito tempo a mantiveram no grupo especial. Este ano, a Leões apresenta o tema “Penso, logo resisto, cultura e cidadania nos chãos da periferia”. 

75 anos de tradição

A última escola a desfilar e a encerrar os desfiles de 2023 foi a Embaixadores da Alegria, um símbolo do carnaval curitibano, a mais antiga agremiação carnavalesca em atividade e que está completando 75 anos. 

A escola foi fundada em 1948 e acompanhou todas as fases do carnaval curitibano. Inicialmente era um bloco pertencente ao Clube Thalia, mas em 1950 se desvinculou do clube e ganhou vida própria. 

Para celebrar esse importante marco na história, a Embaixadores apresentou o enredo Folia de Reis. Não se trata de uma alusão à festa folclórica da tradição popular brasileira, mas sim uma homenagem a todos os reis do mundo, a começar pelo Rei Momo. E não só ele - homenagens também ao rei do futebol (Pelé), ao rei do rock (Elvis Presley), ao rei do pop (Michael Jackson) e até a D. João VI como “rei da fartura”.