Texto: Claudia Maria Teixeira de Almeida
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
A Escola de Turismo promoveu, nesta quarta-feira (18/3), uma capacitação voltada a quem atua ou pretende ingressar no segmento de atividades em ambientes naturais. Realizado no Complexo do Imap, no Parque Barigui, o encontro colocou em pauta um ponto frequentemente negligenciado no setor: a necessidade de alinhar prática profissional com legislação, segurança e gestão territorial.
Em janeiro de 2026, o caso de Roberto Farias, de 19 anos, ganhou repercussão ao expor os riscos de atividades em áreas naturais sem o devido preparo. O jovem passou quatro dias perdido no Pico Paraná, enfrentando chuva, frio e fome, até conseguir percorrer cerca de 20 km e chegar a uma fazenda.
“O caso do jovem no Pico Paraná acendeu um alerta importante. Não se trata apenas de um episódio isolado, mas de um reflexo da falta de preparo e de orientação adequada em atividades de risco. A Escola de Turismo decidiu oferecer essa qualificação justamente para reforçar a responsabilidade dos profissionais, a importância do planejamento e, sobretudo, a segurança de quem frequenta ambientes naturais”, afirmou Grécia Correa, coordenadora da Escola de Turismo.
A palestra Trilhas e Escaladas em Ambientes Naturais reuniu profissionais e estudantes interessados em qualificação técnica em um mercado que cresce, mas ainda enfrenta lacunas de regulamentação e padronização.
Regras, riscos e profissionalização
Conduzido pelos guias de ecoturismo Rafael Vinícius Trentin e Nelson da Silva Junior, o encontro abordou desde os marcos legais que regem atividades como trilhas e escaladas até a responsabilidade direta dos profissionais na condução segura dessas práticas. Também foram discutidos critérios de ordenamento do território e diretrizes para minimizar impactos ambientais.
Os palestrantes destacaram que o avanço do turismo de natureza exige mais do que demanda: requer preparo técnico, conhecimento normativo e compromisso com a preservação. Entre os pontos centrais, estiveram as boas práticas operacionais e a necessidade de gestão consciente das áreas naturais, evitando sobrecarga e degradação dos espaços.
“De 2021 para 2025, a procura por passeios em parques e reservas naturais praticamente dobrou. Nos parques estaduais de montanha do Paraná, o crescimento foi de 93,7%, saltando de 42 mil para mais de 88 mil visitantes. Esse aumento exige que os guias estejam preparados para atender essa demanda com responsabilidade, planejamento e, principalmente, segurança”, afirmou Rafael Vinícius Trentin.