Texto: Eduardo Martins Amatuzzi
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Texto: Eduardo Amatuzzi
Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab)
As 240 famílias contempladas com apartamentos no Residencial Theo Aterino, no Tatuquara, começaram nesta semana a ocupar os imóveis entregues durante as comemorações pelos 333 anos da cidade. Em média, 30 caminhões de mudança chegam por dia ao local, com apoio de profissionais da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab).
Entre caixas, colchões, sofás e eletrodomésticos, o que chega aos apartamentos vai além dos bens materiais. Cada mudança representa o fim de um longo período de espera e o começo de uma rotina com mais segurança, conforto e dignidade. Longe dos perigos de enchente e sem o peso do aluguel mensal.
“A entrega do Theo Aterino estava entre os compromissos de nossa gestão. Ver as famílias conquistarem a casa própria após tanta dificuldade é um dos momentos mais gratificantes para um gestor público”, destaca o prefeito Eduardo Pimentel.
O residencial ficou mais de uma década sem ser concluído, após problemas envolvendo as construtoras da obra.
Lembrança da mãe
Os 240 apartamentos do empreendimento foram destinados a famílias da faixa 1 da fila da Cohab (com renda mensal de R$ 2.850, na época) e também a moradores transferidos de áreas de risco em diferentes regiões da cidade.
Criada na Vila Santos Andrade, uma ocupação irregular no bairro Campo Comprido, a vendedora Giovana Inácio, 28 anos, foi às lágrimas enquanto o caminhão descarregava a mudança para o novo lar, na quarta-feira (8/4). Durante a longa espera causada por impasses na conclusão da obra, a mãe dela faleceu e não pôde ver de perto a conquista da filha.
“Além de ser uma conquista, é uma lembrança muito grande da minha mãe. Eu que vou morar aqui, mas é graças a ela, é como se eu estivesse realizando o sonho dela. Onde quer que ela esteja, com certeza está muito feliz com a filha na casa própria”, disse Giovana.
No apartamento novo, Giovana viverá com o marido, Benjamyn Rodrigues, após passarem mais de dez anos pagando aluguel em uma casa no Sítio Cercado. “Pagar aluguel é sofrido, é pagar por algo que não é nosso. Receber esse apartamento é um alívio em nossas vidas”, disse ele.
Uma semana vivendo no carro
Outra história emocionante é da família do Anderson Prestes, que trabalha com construção civil, tem 43 anos e é casado com a Bruna Jéssica, de 37 anos. Após uma trajetória de muita luta e dificuldade, eles poderão dar um futuro mais confortável para os filhos Anna Bianca, 14, e Benjamin, 6.
Nos últimos anos eles estavam pagando aluguel e anteriormente enfrentavam a vulnerabilidade na Vila Pantanal, uma ocupação no Alto Boqueirão. Entre uma situação e a outra, Bruna conta que chegaram a morar por uma semana dentro do carro, por não encontrar casa para alugar.
“Está sendo um sonho, porque passamos muita coisa para chegar aqui. Não tem palavras para descrever. Já tivemos casa destelhada pelo vento, passamos uma semana vivendo no carro. Ter um apartamento para chamar de nosso é até difícil acreditar”, disse Bruna.
Prestes destaca que o dinheiro que iria para o aluguel será usado para adquirir nova mobília e também para proporcionar mais qualidade de vida aos filhos.
“Pagando aluguel eu não conseguia dar uma boa alimentação para os filhos, ou um lazer para eles. Agora isso será possível. E também vamos comprar móveis novos para deixar nosso apartamento com a nossa cara”, comemorou.
Retomada
O Residencial Theo Aterino ficou mais de uma década sem ser concluído após problemas envolvendo duas construtoras anteriormente responsáveis pela obra. A retomada ocorreu por meio de uma força-tarefa da atual diretoria da Cohab junto à Caixa Econômica, com adequações técnicas e a finalização da infraestrutura necessária para a entrega.
“Esse era o último passivo antigo que tínhamos na Cohab. Prometemos entregar e cumprimos o compromisso. Seguiremos trabalhando forte para gerar mais milhares de moradias para reduzir o déficit habitacional em Curitiba”, destaca o presidente da Cohab, André Baú.
Com a ocupação dos apartamentos, o condomínio passa a ganhar vida. Nas janelas, cortinas começam a ser instaladas. Crianças brincam no parquinho, vizinhos se apresentam e famílias organizam as mudanças. E assim, os imóveis se transformam em verdadeiros lares.