Retalhos coloridos, fitas, botões, linhas e muita criatividade se transformaram em cerca de 20 “bonequinhas mensageiras” pelas mãos das participantes do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Bom Menino, da Fundação de Ação Social (FAS), na Regional Santa Felicidade. Pequenas e delicadas, as bonecas de pano ganharam ainda mensagem escrita à mão.
A produção artesanal foi entregue ao presidente da FAS, Renan de Oliveira Rodrigues, durante uma visita do grupo Recomeçar, do SCFV, à sede da fundação, no Campo Comprido. Além de conhecer o presidente, as idosas visitaram os diferentes setores da instituição e puderam compartilhar um pouco da experiência que transformou duas tardes de julho em momentos de criação, conversa e afeto.
A ideia nasceu durante uma das atividades do grupo. Segundo a educadora social do Cras Bom Menino, Carla Fraxino, as tardes de convivência são marcadas por conversas, risadas e lembranças, e foi nesse ambiente que surgiu a proposta de confeccionar as bonequinhas.
“Essas mulheres idosas chegam devagar, cada uma trazendo consigo histórias, memórias e a vontade de transformar o dia em algo bonito. Foi numa dessas tardes que nasceu a ideia das bonequinhas mensageiras”, conta Carla.
Mensagens de carinho
A proposta ganhou um novo significado quando o grupo decidiu que cada boneca deveria carregar uma mensagem com palavras de gratidão, pedidos de cuidado, lembranças de superação e sonhos para o futuro. “Não é só costura, é afeto costurado”, resume a educadora.
Durante duas quartas-feiras de julho, as mesas do Cras Bom Menino ficaram cobertas por tecidos floridos, linhas, agulhas e botões. Com muitas mãos, umas mais experientes do que outras, deram forma às pequenas bonecas.
Enquanto costuravam, as participantes também conversavam sobre a vida e compartilhavam experiências. Para elas, o SCFV representa muito mais que um espaço para atividades, é um lugar de encontro, convivência e acolhimento.
“A cada ponto dado, crescia também a ideia de que aquelas bonequinhas carregariam não apenas mensagens, mas a força de uma comunidade inteira”, conta Carla.
Um presente com sentimento
As bonequinhas foram preparadas com carinho para a visita à sede da FAS. No gabinete, Renan recebeu o grupo, ouviu as histórias das participantes e recebeu o trabalho feito por elas.
“Essas bonecas são a representação do cuidado que temos com as pessoas idosas de Curitiba que participam de nossos grupos de convivência”, disse o presidente.
Entre as participantes estava Márcia Valéria Martiniano dos Santos, 63 anos, que há três anos frequenta o grupo Recomeçar. Para ela, confeccionar a bonequinha foi uma experiência especial. “Eu me senti muito bem fazendo a bonequinha. Ela tem um rostinho meio oriental que transmite paz e tranquilidade. Parece até que está orando. Só de olhar para ela, sentia uma coisa muito boa”, conta.
Márcia também relaciona a experiência ao acolhimento que encontra na rede socioassistencial. “Quando uma pessoa vai ao Cras, muitas vezes está procurando uma solução para algum problema. Então, encontrar um lugar de acolhimento, de receber e ajudar as pessoas, traz paz. Para mim, a bonequinha representa esse sentimento”, diz.
Depois da entrega das bonequinhas, as participantes conheceram os diferentes setores da sede da FAS. A visita foi acompanhada pela supervisora do Núcleo FAS Santa Felicidade, Luiza Spaki, pela coordenadora do Cras Bom Menino, Deborah Regina Gioppo Takahashi, e pela educadora social Carla Fraxino.