Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Entre telas, lápis, pincéis e tintas, pessoas atendidas no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) Doutor Faivre, da Fundação de Ação Social (FAS), retratam as belezas de Curitiba. Desde o fim de janeiro, elas participam de uma oficina de pintura em tela onde mostram talentos em obras inspiradas em parques, praças e símbolos da cidade.
O projeto “Viva Curitiba: a arte que nos conecta” começou em 26 de janeiro e busca fortalecer o vínculo dos participantes e valorizar os espaços públicos. A iniciativa faz parte das atividades que celebram o aniversário de 333 anos da capital e já soma 15 quadros produzidos por pelo menos dez usuários do serviço.
“Através dessa atividade artística buscamos promover a reflexão sobre o significado desses espaços públicos, incentivar a criatividade e fortalecer os laços com a comunidade”, explica a coordenadora do Centro POP Doutor Faivre, Eridan Rocha.
O projeto também conta com o trabalho das educadoras sociais Elenir Lúcio de Araujo e Sônia Nogueira Rodrigues, que acompanham os participantes nas atividades e apresentam técnicas básicas de pintura em tela.
Bate-papo
Antes de começarem as pinturas, os participantes conversaram sobre o aniversário de Curitiba e sobre a importância dos parques e praças para a história e a vida da cidade. Também conheceram curiosidades históricas e culturais sobre alguns dos locais que poderiam ser retratados.
Para produzir as obras, os usuários usam telas que foram doadas à FAS, além de tintas acrílicas, pincéis e canetas nanquim.
Ao final do projeto, os quadros serão expostos na Rua da Cidadania Matriz, na Praça Rui Barbosa. “A mostra ainda não tem data definida, mas a proposta é que os próprios autores apresentem e falem as histórias por trás de suas obras, explica Eridan.
Arte e histórias
Entre os participantes está Moisés Souza Santos, de 35 anos. Natural de Salvador (BA), ele chegou a Curitiba em janeiro, depois de passar por Santa Catarina e Rio Grande do Sul em busca de trabalho. Durante a viagem, ele perdeu os documentos e acabou ficando duas semanas em situação de rua em Curitiba antes de procurar atendimento da FAS.
No Centro Pop Doutor Faivre ele recebeu encaminhamento para refazer a documentação e reconstruir a vida na cidade. “Aqui sou acolhido por todos. As meninas são como uma família, um povo acolhedor”, avalia.
Moisés tem talento para o desenho desde a infância. Ele conta que já fez cursos de arte, como histórias em quadrinhos e pintura em tela. Na oficina, decidiu retratar dois ícones culturais da capital, a Ópera de Arame e o Teatro Paiol.
Outro participante foi Júlio César Ferreira, que usa serviços da assistência social. Na oficina, ele escolheu retratar as araucárias, árvore símbolo do Paraná, e a escultura do Homem Nu, da Praça 19 de Dezembro.
“Minha arte é muito de figuras, geralmente retrato um elemento só. Não gosto de muita informação”, explica. “Um professor de artes me disse uma vez que meu trabalho é solitário.”
Artista talentoso, Júlio costuma vender suas obras quando consegue materiais para produzir. Depois de participar de uma das aulas do projeto, ele foi encaminhado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH) para uma comunidade terapêutica, para tratar a dependência química.
Dionísio José Skalski, de 64 anos, também faz parte da oficina. “Estou gostando dessa atividade porque gosto de artesanato, gosto de fazer entalhamento em madeira”, diz. Em sua pintura, escolheu retratar o arquiteto Oscar Niemeyer. Dionísio é curitibano e técnico eletrônico, mas após uma questão familiar.