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Balanço 2022

Assessoria de Políticas para as Mulheres trabalha no enfrentamento à violência e mudança de comportamentos

Em 2022, Casa da Mulher Brasileira de Curitiba fez quase 13 mil atendimentos. Um dos principais grandes projetos da capital tem ação específica para público feminino. Cartilhas, curso, encontros e palestras procuram reforçar os direitos e serviços disponíveis

Ação da políticas para as mulheres no escritório da Caximba. Curitiba, 22/08/2022. Foto: Hully Paiva/SMCS

A Assessoria de Direitos Humanos - Políticas para as Mulheres desenvolveu ao longo de 2022 uma série de ações voltadas ao enfrentamento às violências, defesa de direitos, fortalecimento ao protagonismo e a autonomia e a sensibilização da sociedade quanto à equidade de gênero.

Uma das principais ações de grande porte em desenvolvimento na capital, o Projeto Gestão de Risco Climático do Bairro Novo do Caximba teve ações voltadas especificamente ao público feminino

Maior intervenção socioambiental da história recente da capital, as obras vão transformar a vida de muitas famílias que vivem em uma área de ocupação. A ADH - Políticas para as Mulheres promoveu reuniões com as moradoras da região, a fim de tratar de temas como o enfrentamento à violência doméstica.

“Essa roda de conversa é maravilhosa, nota 10", declarou Ilda Aparecida Mateus, moradora do bairro desde 2012. "A ideia é repassar as informações para as vizinhas e pessoas da família que não puderam vir. Saber que temos alternativas é muito importante e hoje aprendi que alguns comportamentos são considerados crimes e eu não sabia.”

Participação

O Plano Municipal de Políticas para Mulheres, por sua vez, foi alvo de consulta pública, com o objetivo de ampliar a participação feminina na elaboração do documento que estabelece uma série de diretrizes para o setor. Foram feitas duas consultas sendo que a segunda foi direcionada a mulheres negras, lésbicas, bissexuais, transsexuais, travestis, idosas, profissionais do sexo, carrinheiras, migrantes e em situação de rua.

Cartilhas

A cartilha Masculinidade Consciente foi apresentada em encontros para promover reflexões sobre como o machismo afeta a vida dos homens, as consequências que traz à sociedade e quais são as mudanças necessárias.

“Na minha família eu presenciei comportamentos machistas do meu avô com a minha avó. Estamos no século 21 e isso já deveria ter sido mudado faz tempo”, comentou o estudante Richard Pereira, 17 anos, em encontro na Regional Tatuquara.

A ADH também compilou a cartilha sobre Direitos das Mulheres. E durante a campanha Agosto Lilás foi lançada a cartilha O que Você Precisa Saber Sobre Violência Contra a Mulher.

Formações e encontros

Em março, a escritora e historiadora Mary del Priore fez uma palestra no Salão de Atos do Parque Barigui a convite da Prefeitura, Assessoria de Direitos Humanos e Políticas para as Mulheres e Fundação Cultural de Curitiba. A historiadora salientou diversas conquistas e também os desafios.

“Eu sugiro que, para a gente continuar com esse espírito de empoderamento, precisamos ver o copo meio cheio, nós somos herdeiras de várias conquistas: delegacia da mulher, secretaria de saúde, setor jurídico”, disse a historiadora.

“Mas ainda está faltando o básico. As mães precisam criar filhos homens sem preconceito, sem dizer que eles não podem chorar, que precisam ser machos, porque a violência masculina é construída. E, em muitos casos, vem de casa”, salientou.

Na prática

Em parceria com o Imap, foi lançado o Curso Direitos Humanos na Prática, que tem um módulo específico sobre Igualdade de Gênero, destinado ao quadro funcional da Prefeitura e comunidade em geral. O curso compõe ainda a grade de formação dos guardas municipais em estágio probatório.

Atendimento de qualidade

Durante o Fórum Regional de Enfrentamento à Violência, em Curitiba e Região Metropolitana, que fez parte da campanha nacional de conscientização de violência contra mulher, foi formalizado o protocolo de atendimento, que busca dar mais efetividade ao mapeamento das situações ocorridas com mulheres.

"É necessário termos um mapeamento da situação e produzirmos um protocolo de atuação, levando um atendimento de qualidade a todas as mulheres, ainda que não seja em uma delegacia especializada”, salientou Elenice Malzoni, assessora de Direitos Humanos e Políticas para as Mulheres.

Assédio

O assédio sexual no ambiente de trabalho foi assunto de 11 encontros voltados aos servidores das regionais, secretarias e demais órgãos da PMC. Os encontros foram uma iniciativa da Procuradoria-Geral do Município em parceria com a ADH.

Em 2022 também foi realizado um estudo de 124 casos com a Rede de Proteção a Mulheres em Situação de Violência e Patrulha Maria da Penha.

Ônibus Lilás

A unidade móvel foi levada às dez regionais em ações como o Dia Internacional da Mulher, Dia do Combate ao Feminicídio, 16º Aniversário da Lei Maria da Penha, Outubro Rosa na Regional Matriz, 21 dias de Ativismo e Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher.

Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres

O conselho fez dez reuniões, nas quais foram criadas comissões e grupos de trabalho temporários.

No final de novembro foi realizada a V Conferência Municipal de Políticas para Mulheres para o processo eleitoral da sociedade civil que irá compor o conselho na gestão 2023-2026.

Saúde da Mulher

Durante evento na Assembleia Legislativa do Paraná, a saúde da mulher entrou nas discussões. O intuito do encontro foi conscientizar as mulheres sobre temas como violência doméstica e familiar, importunação sexual e a campanha Outubro Rosa.

Casa da Mulher Brasileira em números

Referência no atendimento às vítimas de violência doméstica e familiar, a Casa da Mulher Brasileira de Curitiba (CMBC) realizou, de janeiro a 10 de novembro de 2022, 12.297 atendimentos — 1.004 mulheres eram da Região Metropolitana. Foram acolhidas no alojamento de passagem 140 mulheres e crianças.

Neste período foram entregues 154 dispositivos de Segurança Preventiva.

Serviço e exposição

Outra melhoria na area foi a instalação do Instituto Médico Legal para exames de corpo de delito às vítimas encaminhadas pela Delegacia da Mulher.

Além disso, a fim de conscientizar sobre a importância da prevenção do câncer de mama, foi realizada a exposição de fotos do Projeto Social Anjos sem Asas.

“Queremos que as pessoas se importem o ano todo, não apenas em outubro, porque mulheres enfrentam e tratam esta doença o ano todo e precisam de apoio o ano todo. Esse projeto é sobre a valorização da vida”, afirma a fotógrafa Silvia Roman.