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Cidadania

Acolhido da FAS conclui curso de cuidador e vai concorrer ao concurso da Prefeitura

O mineiro Rodrigo Beneton Neves, 43 anos, que vive em Curitiba há cinco anos, será um dos candidatos do concurso público lançado pela Prefeitura de Curitiba. Curitiba, 05/08/2022. Foto: Sandra Lima/FAS

 

O mineiro Rodrigo Beneton Neves, 43 anos, mudou-se para Curitiba há cinco anos e será um dos candidatos do concurso público lançado pela Prefeitura no fim de julho. Ele vai concorrer a uma das 65 vagas para educadores sociais que irão trabalhar na Fundação de Ação Social (FAS).

Rodrigo, que viveu em situação de rua depois que chegou à cidade, conheceu a profissão e suas funções nas unidades de atendimento social por onde passou. Entre elas, o acolhimento do Boqueirão, onde mora atualmente, e o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), na mesma regional.

“Seria muito bom me tornar um servidor público e continuar a conviver com quem tão bem me acolheu”, diz Rodrigo.

Ele já trabalha em uma das unidades da FAS que atendem pessoas em situação de rua, a UAI Cajuru, no Guabirotuba, que acolhe homens de 30 a 59 anos. No local, ajuda na distribuição do café da manhã e acompanha os usuários quando precisam deixar a unidade para ir ao médico, à farmácia, fisioterapia e fazer exames médicos.

Rodrigo foi contratado por uma empresa terceirizada que presta serviço na UAI Cajuru depois que concluiu, no mês de junho, o curso de cuidador de idoso promovido pelo programa Liceu de Ofícios, da FAS Trabalho, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).

Com 95% de aproveitamento nas aulas e nenhuma falta, ele se destacou e teve o apoio da FAS para a volta ao mercado de trabalho. “O curso valeu a pena, me abriu uma porta grande para a mudança da minha vida”, avalia.

Nascido em Varginha e pai de duas filhas, de 23 e 7 anos, e um adolescente de 13, Rodrigo sonha poder voltar a ter um lugar próprio para morar. “Logo, logo vou ter minha vida e tocar em frente”, diz.

 

Balas no sinaleiro

Desde setembro do ano passado, Rodrigo está acolhido na UAI Boqueirão, que funciona como uma moradia para homens que estão em processo de superação da condição de rua. Ele precisou de acolhimento depois que perdeu o emprego na área de logística de uma grande empresa de materiais de construção, em Curitiba, e não teve mais dinheiro para pagar o aluguel da casa onde morava.

“Eu trabalhei por um tempo vendendo bala nos sinaleiros, mas o que eu ganhava era menos do que precisava para pagar as contas”, conta.

Rodrigo já tinha sido acolhido na UAI Boqueirão em 2019 e foi uma servidora da unidade, que o reconheceu na rua vendendo balas, que o encaminhou para um novo atendimento. Na época, ele arrumou emprego, alugou uma quitinete e pode deixar o acolhimento.

“Estudar transforma a gente”

Mesmo com trabalho garantido, Rodrigo continua fazendo cursos ofertados pelo programa Liceu de Ofícios para melhorar ainda mais o currículo. Ele escolhe os de desenvolvimento pessoal, que têm carga horária de quatro horas e que podem ser feitos nos dias de folga no trabalho, sempre às sextas-feiras. O último foi de autoconhecimento, promovido pela FAS em parceria com o Centro Integrado Empresa-Escola (CIEE). 

Rodrigo conta que pegou gosto pelos estudos e que pretende fazer mais cursos na área da Saúde para se tornar um cuidador de idoso mais preparado para o mercado de trabalho que, segundo ele, tem uma grande demanda para atendimento a homens. “Estudar transforma a gente”, diz.

O coordenador da UAI Cajuru, Alexsandro Oliveira de Lima, diz que Rodrigo é um ótimo colaborador. “Ele é atencioso, educado, respeitoso e muito comprometido”, explica.

Maria Alice Erthal, presidente da FAS, diz que a superação da condição de rua é o principal objetivo do trabalho desenvolvido pela fundação no atendimento a esse público. “Oferecemos vários serviços, que começam com a abordagem social e seguem com encaminhamentos de acordo com a necessidade de cada pessoa, mas o que buscamos é que essas pessoas possam fazer novos projetos de vida.”