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Balanço

Ações da Prefeitura surtem efeito e acidentes com transporte coletivo caem 22% em 2025

Acidentes com transporte coletivo em Curitiba caem 22% em 2025 com novas ações da Prefeitura. Curitiba: Isabella Mayer/SECOM (arquivo)

Texto: Cristina Rios
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)

O número de acidentes envolvendo o transporte coletivo de Curitiba teve queda de 22% em 2025 na comparação com 2024. Foram 1.135 registros no ano passado, bem menos que os 1.463 no período anterior.

O levantamento, realizado pela Urbanização de Curitiba (Urbs), considera os boletins de ocorrência registrados pelas operadoras de ônibus envolvendo o transporte coletivo e ciclistas, pedestres, automóveis, motocicletas, objetos fixos e animais.

A diminuição reflete as ações da Prefeitura para evitar acidentes de ônibus no ano passado, como a criação da Patrulha do Transporte Coletivo, a sinalização dos pontos cegos e a implantação do botão anti-rabeira nos veículos.

Em 2025, houve queda de 13% nos atropelamentos de pedestres e ciclistas – de 122 para 106 na comparação anual. Os acidentes envolvendo carros e motos reduziram 26%, de 1.209 para 896, entre 2024 e 2025. As colisões envolvendo objetos fixos (postes, plataformas, etc) caíram de 129 para 101, uma diminuição de 21,7%

“Os números mostram que as iniciativas da Prefeitura estão surtindo efeito. Foi criada a Patrulha do Transporte Coletivo, foram sinalizados os pontos cegos nos veículos e sancionada a lei que coíbe a rabeira, praticada por ciclistas ao se apoiarem na traseira dos veículos para ganhar impulso. O desafio agora é reduzir ainda mais os números, um compromisso do poder público ao fazer sua parte e da população ao respeitar as leis de trânsito e evitar condutas perigosas”, diz o presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), Ogeny Pedro Maia Neto.

Na prática

Em maio do ano passado, o prefeito Eduardo Pimentel lançou várias medidas para evitar acidentes e aumentar a segurança no transporte coletivo. Foi criada a Patrulha do Transporte Coletivo; sancionada a Lei 16.520/25 - que está em fase de regulamentação e estabelece punição e multa para quem for flagrado pegando rabeira -; e ainda apresentada uma nova funcionalidade no painel de controle dos ônibus, acionada pelos motoristas quando detectada a prática da rabeira na traseira do veículo.

Além disso, os ônibus da categoria Expresso, que circulam nas canaletas, onde a rabeira é mais comum, receberam adesivos no para-choque alertando para o perigo da prática. Com a mensagem “Próxima parada: pronto-socorro. Não pegue rabeira. Pegar rabeira dá multa de R$ 600 e pode levar à morte”, a proposta é promover a conscientização e diminuir o número de casos. Todos os 200 ônibus expressos articulados e biarticulados da capital circulam com essa mensagem.

Ponto Cego

A Escola Pública de Trânsito ABC, da Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito (SMDT), tem realizado ações contínuas de educação e prevenção para reduzir o número de acidentes em vias exclusivas do transporte coletivo.

Uma das iniciativas mais importantes foi a Campanha Ponto Cego, lançada em maio do ano passado. Os ônibus do transporte coletivo foram adesivados com alertas, indicando as áreas ao redor do veículo (principalmente nas laterais e na traseira) onde o motorista tem baixa visibilidade. A quantidade de pontos cegos varia de seis a dez, dependendo do modelo do ônibus. No caso dos biarticulados, são dez.

De acordo com a diretora da Escola Pública de Trânsito ABC, Melissa Puertas Sampaio, através das campanhas, já foi possível obter resultados significativos. “Estamos reduzindo o número de sinistros em canaletas porque realizamos a sinalização dos pontos cegos. Hoje, as pessoas sabem onde não devem estar para serem vistas no trânsito”, explicou.

Além disso, foi realizada uma blitz educativa vivencial, a primeira do tipo no Brasil. Os cidadãos foram convidados a sentar na cadeira de um motorista de um ônibus biarticulado, para observar na prática os pontos cegos do veículo.


Canaletas

Do total de acidentes no transporte coletivo em 2025, 21% foram registrados nas canaletas, segundo o levantamento da Urbs. Nos corredores exclusivos, a queda no número de acidentes foi de 21,6%, de 305, em 2024, para 239 no ano passado.

“Existe uma falsa ideia de que a canaleta é mais segura, o que faz com que as pessoas prefiram pedalar ou correr nesses espaços, mas isso não é verdade. O impacto de um ônibus expresso ou um biarticulado é brutal, mesmo em velocidade baixa. Nós controlamos a velocidade dos expressos a 30 km por hora nas saídas de terminais e em frente às escolas, porém, ao longo da canaleta eles podem chegar até 50 km por hora. Então, as pessoas precisam evitar andar, caminhar ou se exercitar nas canaletas", diz o presidente da Urbs.

Os principais motivos de acidentes envolvendo pedestres e ciclistas e os ônibus na capital são a desatenção, causada principalmente pelo uso do celular ou fones de ouvido; atravessar a rua fora do local apropriado; e ações proibidas: caminhar, correr ou pedalar na canaleta e pegar “rabeira” nos veículos.

As canaletas exclusivas desempenham um papel fundamental na melhoria da mobilidade urbana, garantindo maior fluidez ao transporte público e contribuindo para a redução do congestionamento nas vias da cidade. No entanto, conforme estabelece o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), elas são exclusivas para os ônibus. Somente veículos que realizam atendimentos de emergência em saúde e segurança pública estão autorizados a circular por essas vias. Ou seja, caminhar, pedalar ou praticar esportes nas canaletas é proibido e bastante perigoso.

Tecnologia

Para tentar minimizar os riscos de acidentes, a Urbs também reforçou o treinamento de direção defensiva para os motoristas. Além das ações permanentes de reciclagem, eles recebem capacitação especial, que envolve todas as operadoras de ônibus da cidade e os seus 2,8 mil motoristas em atividade. Alguns ônibus também são equipados com novas tecnologias de segurança, como a que garante redução automática da velocidade dos biarticulados quando próximos de locais de grande fluxo de pessoas, como shoppings, praças, escolas e hospitais. Os ônibus novos também possuem sistemas de frenagem mais eficientes.

Além disso, a Escola Pública de Trânsito ABC desenvolve ações e campanhas educativas periodicamente, com a distribuição de panfletos informativos para alertar ciclistas e pedestres sobre condutas perigosas no trânsito