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Curitiba 333 anos

Vilinha do Bairro Alto recebeu os primeiros colonizadores de Curitiba

É lá que funcionam o atual Parque e Centro Cultural da Vilinha, situados às margens do mesmo Rio Atuba onde os primeiros colonizadores se fixaram em busca de ouro

Vilinha do Bairro Alto recebeu os primeiros colonizadores de Curitiba Curitiba, 27/03/2026 Foto: Levy Ferreira/SECOM

Texto: Cláudia Gabardo
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)

Engana-se quem ainda pensa que a história de Curitiba começou no entorno do espaço hoje conhecido por Praça Tiradentes, no Centro. Diferente do que a maioria dos escolares de antigamente aprendeu, ela teve início cerca de 40 anos antes da fundação, por volta de 1650, e quase 10 quilômetros longe dali, no Bairro Alto.

É lá que funcionam o atual Parque e Centro Cultural da Vilinha, situados às margens do mesmo Rio Atuba onde os primeiros colonizadores se fixaram em busca de ouro. Vilinha é o nome que remete à época em que o local era isolado e contava poucos moradores. “É um marco de Curitiba, o lugar que pode ser considerado o embrião da nossa cidade e oferece muita coisa boa para quem mora e empreende no local”, resume o prefeito Eduardo Pimentel.

A chegada ao Centro é um segundo momento da história da cidade, quando os colonizadores continuaram avançando sobre a Vila de Nossa Senhora da Luz. Consta que eles seguiam orientações da santa, cuja imagem amanhecia virada em direção ao hoje chamado Marco Zero, e também do representante dos tinguis que habitavam a região, o Cacique Tindiquera.

Administrado pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC), no coração do Parque Histórico da Vilinha, o centro cultural foi erguido no início da década de 1970 para preservar a memória histórica da cidade que nasceu como vila de mineradores.

Hoje, ali, a comunidade encontra atividades culturais, quadras e outros equipamentos esportivos, além da pista de corrida e caminhada coberta pelo encontro das copas das árvores. “É um espaço com potencial para se tornar um atrativo turístico da cidade”, opina a coordenadora do centro, Marinil Lucena.

Moradores e fãs

O parque e o bairro que cresceu em torno dele agradam a pessoas como o professor de Educação Física aposentado José Eros Pereira, de 72 anos. Há 20 anos ele saiu do Cristo Rei e todos os dias caminha até lá com os cães Ravi e Wood para se exercitarem juntos ou participarem de atividades comunitárias. É o caso dos encontros do Clube Amigos da Vilinha ou das festas de aniversário coletivas dos pets, além de celebrações natalinas. “É muito bom de morar e dá para perceber que o lugar está recebendo investimentos”, conta.

Desde que se tornou Parque Histórico, a Vilinha assistiu ao primeiro bairro informal de Curitiba crescer e mudar de perfil. Atualmente, espalham-se sobre os seus 720 hectares cerca de 43 mil habitantes. Perto de 80% deles moram em casas e têm à disposição 22 estabelecimentos de ensino e 19 de saúde, entre outros equipamentos de uso coletivo.

Para o líder comunitário e gestor público Genivaldo José dos Santos, que se instalou no Bairro Alto há 42 anos, a implantação da Linha Verde acelerou o desenvolvimento do Bairro Alto. “Antes, por causa do – por assim dizer – bloqueio determinado pela estrada, aqui era como um bairro-dormitório. Com as travessias, trincheiras e semáforos, além das obras de controle das cheias com a dragagem dos rios Atuba e Bacacheri, veio muita gente, empresas e empregos. Quase não temos mais terrenos vagos e está subindo o primeiro prédio mais alto, com sete andares”, conta, referindo-se ao empreendimento imobiliário da Rua Paulo Friebe.

Mudanças

De povoação acanhada a núcleo populacional estável, o Bairro Alto ainda abriga moradores que desceram dos ônibus às escuras, na volta do trabalho, para chegar em casa e acender o lampião a querosene. É o que conta o mecânico Irineu Santim Bassani, nascido no Bairro Alto há 74 anos e morador do lugar desde sempre.

A Oficina do Irineu, como todos conhecem o estabelecimento, foi aberta há 40 anos, depois que seu dono trocou os empregos com carteira assinada pelo empreendimento próprio. “A gente viu muita coisa mudar e pra melhor. Chegou a luz e, muito tempo depois, os bancos. E esses, ainda usados pelos mais velhos, estão indo embora por causa do progresso da tecnologia”, compara o mecânico, que em 1970 ainda não pôde ver de casa o Brasil conquistar o tricampeonato mundial de futebol.

Quem também não tem o que reclamar do bairro é a comerciante Zelinda Brito e a filha caçula, Stella Maris. As duas tocam a Ótica Zelinda, há 22 anos na movimentada Rua José Veríssimo. A idade da loja é a mesma de Stella, que com a mãe trocou Pinhais pela residência próxima ao terminal de ônibus do bairro. “Aqui é muito bom. Tranquilo, limpo e favorável para o nosso negócio”, ou Stella.

Vilinha do Zequinha

Empolgado com a história, o desenhista Nilson Müller criou uma série de quadrinhos inéditos que contam a história da fundação da cidade e estão expostos, em caráter permanente, no centro cultural: Zequinha na Vilinha - Uma Aventura pela Fundação de Curitiba.

Os trabalhos têm como narrador o palhaço Zequinha – o mesmo das figurinhas que antigamente acompanhavam as balas de mesmo nome e agora podem ser colecionadas no álbum do personagem. Por meio do traço de Müller, que morreu no último dia 5 de janeiro, aos 84 anos, Zequinha desafia o tempo e interage com figuras históricas como o Cacique Tindiquera.

Melhorias para a Vilinha

Para oferecer mais segurança a quem só pode fazer suas caminhadas à noite pela pista da Vilinha, a Prefeitura está teminando de instalar 30 luminárias. Dezesseis estão sendo colocadas nos superpostes já existentes e em outros 14 novos postes menores. Os dois republicanos que iluminam a ponte de acesso ao local também serão modernizados.

Outra novidade é a instalação da ecobarreira para contenção e retirada do lixo que, contrariando os esforços do time de educação ambiental da Prefeitura, ainda se pode ver boiando no leito do Rio Atuba. A ação é uma parceria entre o Rotary Club e o Sicredi, sem custos para a Prefeitura.