Texto: Eliana Carmem Fachim
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
A literatura vai ser tema de mais de 10 encontros com as mesas redondas do 4º Festival da Palavra de Curitiba. O evento totalmente gratuito é promovido pela Fundação Cultural de Curitiba e oferece ligadas à leitura, escrita e promoção da literatura do dia 5 ao dia 9 de agosto. Entre as atrações estão 20 escritores nacionais e internacionais que participam das mesas de conversa.
O tema da quarta edição do festival é “Contar histórias, ler o mundo”. Depois do evento de abertura no Teatro Guaíra, as mesas acontecem no Memorial de Curitiba. Outros espaços como Cine Passeio e Casa Hoffmann também terão programação do festival, como oficinas, espetáculo de teatro.
Confira abaixo os principais painéis literários do evento
MESA DE ABERTURA - Entre a terra e o invisível
Dia 5/8 (quarta) - 19h30
• Bruna Lombardi
• Itamar Vieira Junior
Mediação: Edney Silvestre
Histórias de pessoas marcadas pela memória, pela natureza, pelos afetos e pelos mistérios da vida. A conversa aproxima o mundo concreto — a terra, a família, o trabalho, os vínculos — daquilo que não se vê, mas também move escolhas, medos e desejos.
Local: Teatro Guaíra - Ingresso: um livro de literatura em boas condições
Bruna Lombardi nasceu no Rio de Janeiro (RJ). Artista multifacetada, atua desde os anos 1970 como atriz, apresentadora, roterista e produtora de cinema. É também autora de vários livros, entre eles, No ritmo dessa festa (poesia), Apenas bons amigos (infantil) e Filmes proibidos (romance). Neste ano a autora volta a publicar um romance inédito, chamado Mulheres que sentem os espíritos, mais de três décadas depois de sua primeira obra do gênero.
Itamar Vieira Junior nasceu em Salvador (BA), é geógrafo e doutor em estudos étnicos e africanos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Seu romance Torto arado é um dos maiores sucessos — de público e crítica — da literatura brasileira nas últimas décadas, traduzido em mais de vinte países. Vencedor dos prêmios Leya, Oceanos e Jabuti, Itamar também publicou os romances Salvar o fogo e Coração sem medo, que fazem parte da chamada “Trilogia da Terra”, iniciada com Torto arado.
MESA: A força do romance
Dia 6/8 (quinta) - 18h30
• Mariana Salomão Carrara
• Jeferson Tenório
Mediação: Carlos Machado
A força do romance está em iluminar conflitos íntimos e coletivos, dar forma às tensões do presente e ampliar nossa percepção do outro. Um encontro sobre personagens, linguagem e os modos pelos quais a ficção lê, questiona e reinventa o mundo.
Local: Memorial de Curitiba - Ingressos: gratuitos
Mariana Salomão Carrara nasceu em São Paulo (SP) e atua como defensora pública. É autora de diversos livros, entre eles Se deus me chamar não vou, finalista do Prêmio Jabuti 2020, e É sempre a hora da nossa morte amém. Venceu por duas vezes o Prêmio São Paulo de Literatura com os romances Não fossem as sílabas do sábado, em 2023, e A árvore mais sozinha do mundo, em 2025. Em 2026 lançou o romance Cláudia Vera Feliz Natal.
Jeferson Tenório nasceu no Rio de Janeiro (RJ), mas viveu grande parte de sua vida em Porto Alegre (RS). Além de escritor, é doutor em teoria literária pela PUC-RS. Estreou na literatura com O beijo na parede, eleito Livro do Ano pela Associação Gaúcha de Escritores. Seu romance O avesso da pele venceu o Prêmio Jabuti e teve seus direitos vendidos para Portugal, Itália, Inglaterra, França, Suécia, China, Bélgica e Estados Unidos. Em 2024 lançou De onde eles vêm, romance cujo pano de fundo é o sistema de cotas nas universidades brasileiras.
HOMENAGEM: Alice Ruiz
Dia 6/8 (quinta) - 20h
Homenagem a uma obra que encontra, na síntese e na precisão, outras formas de perceber o cotidiano. Entre o haicai, a canção e o poema breve, uma poesia atenta à natureza, aos afetos, ao desejo e ao instante — capaz de tornar imenso o que parece mínimo.
Local: Memorial de Curitiba - Ingressos: gratuitos
Alice Ruiz
A curitibana Alice Ruiz completou 80 anos em janeiro e é uma das principais responsáveis pela difusão do haicai no Brasil. Poeta, compositora e tradutora, construiu uma trajetória sólida tanto na literatura quanto na música, com parcerias com artistas como Chico César, Itamar Assumpção e Zeca Baleiro, além de ter letras gravadas por intérpretes como Cássia Eller e Gal Costa.
Vencedora do Prêmio Jabuti, é autora de mais de 20 obras que transitam entre poesia, haicais, prosa poética e literatura infantojuvenil. Entre seus títulos mais conhecidos estão Vice-versos, Desorientais. Seu trabalho mais recente é Amorumorhumor (2020), escrito em parceria com Rodolfo Guttilla.
MESA 1: Afetos e desencontros
Dia 7/8 (sexta) - 18h30
• Natalia Timerman
• João Anzanello Carrascoza
Mediação: Gisele Eberspächer
Os afetos, suas promessas e fraturas, estão no centro de narrativas que observam a intimidade com delicadeza e precisão. Amor, família, perdas, silêncios e desencontros compõem um território em que se revelam tanto os vínculos quanto as distâncias entre as pessoas.
Local: Memorial de Curitiba - Ingressos: gratuitos
Natalia Timerman nasceu em São Paulo (SP). É médica psiquiatra, mestre em psicologia e doutoranda em literatura pela USP. Seu livro de contos Rachaduras foi finalista do Prêmio Jabuti em 2020. No ano seguinte, publicou seu primeiro romance, Copo vazio, sucesso de crítica e público, seguido de As pequenas chances. Antes que apague, sua terceira narrativa longa, lançada neste ano, trata da relação entre uma mãe, diagnosticada com Alzheimer, e sua filha.
João Anzanello Carrascoza nasceu em Cravinhos (SP) e é autor de uma obra extensa, que engloba romances, contos, livros infantis e juvenis. Foi vencedor dos prêmios Jabuti, Fundação Biblioteca Nacional, APCA, FNLIJ e Candango. Entre seus livros, destacam-se os romances Aos 7 e aos 40 e O inventário do azul, além dos volumes de contos Diário das coincidências, Aquela água toda e Tramas de meninos. A distância ideal, em parceria com o ilustrador por Vitor Bellicanta, é sua mais recente obra.
MESA 2: O mundo indomável
Dia 7/8 (sexta) - 20h
• Pilar Quintana (Colômbia)
Mediação: Mariana Sanchez
A ficção de Pilar Quintana transforma a natureza em força viva, bela e ameaçadora, diante da qual afloram medos, desejos e violências. Isolamento, vulnerabilidade e os limites instáveis entre a civilização e a barbárie atravessam suas narrativas.
Local: Memorial de Curitiba - Ingressos: gratuitos
Pilar Quintana nasceu em Cali (Colômbia). É autora de seis romances e um livro de contos, dos quais se destaca A cachorra, traduzido para mais de vinte línguas, finalista do Prêmio Nacional de Romance e do National Book Award nos Estados Unidos, e vencedor dos prêmios Biblioteca de Narrativa Colombiana, English PEN Translates Award e LiBeraturpreis, na Alemanha. Os abismos, também traduzido para diversos idiomas, conquistou em 2021 o Prêmio Alfaguara. Seu mais recente romance publicado no Brasil é Noite negra.
MESA 1: O que o poema vê
Dia 8/8 (sábado) - 14h30
• Bruna Beber
• Eucanaã Ferraz
Mediação: Guilherme Gontijo Flores
O poema vê aquilo que, na pressa cotidiana, muitas vezes deixamos escapar: gestos, paisagens, vozes, memórias e pequenas fissuras do real. Um encontro sobre a atenção poética, a invenção da linguagem e as formas pelas quais os versos ampliam nossa maneira de olhar o mundo.
Local: Memorial de Curitiba - Ingressos: gratuitos
Bruna Beber nasceu em Duque de Caxias (RJ), mas vive em São Paulo desde os anos 2000, onde trabalha como editora. É autora de, entre outros livros de poemas, A fila sem fim dos demônios descontentes, Rua da padaria, Ladainha e Veludo rouco (vencedor do Prêmio APCA de poesia), além do infantil Zebrosinha e de Uma encarnação encarnada em mim, ensaio sobre Stella do Patrocínio. Em 2025, sua produção poética foi reunida na coletânea Romance em doze linhas e outros poemas.
Eucanaã Ferraz nasceu no Rio de Janeiro (RJ). Um dos poetas mais consagrados da literatura contemporânea brasileira, é autor de diversos livros, entre eles Sentimental, vencedor do Prêmio Portugal Telecom em 2013, Escuta e Cinemateca. Organizou, entre outros, os livros de Caetano Veloso, Letra só e O mundo não é chato. Sua mais recente obra, Aramão, mistura poesia, ensaio, memória e crônica num texto híbrido e confessional.
HOMENAGEM: Ignácio de Loyola Brandão
Dia 8/8 (sábado) - 16h30
Homenagem a uma obra que, com imaginação crítica e vigor narrativo, transformou a experiência brasileira em ficção de alerta. Entre cidades desumanizadas, autoritarismos, desigualdades e paisagens devastadas, seus livros confrontam o presente e interrogam os futuros que estamos construindo.
Local: Memorial de Curitiba - Ingressos: gratuitos
Ignácio de Loyola Brandão
Nascido em Araraquara (SP), Ignácio de Loyola Brandão completará 90 anos em 31 de julho, véspera da abertura do festival. Autor de obras cultuadas como Não Verás País Nenhum e Zero, integra a Academia Brasileira de Letras desde 2019.
Com uma produção extensa que abrange contos, crônicas e romances, o escritor já teve suas obras traduzidas para diversos idiomas. Ao longo da carreira, conquistou cinco vezes o Prêmio Jabuti (2000, 2008, 2015, 2017 e 2021), consolidando-se como um dos principais nomes da literatura nacional.
MESA 2: O mundo indomável
Dia 8/8 (sábado) - 18h30
• Edney Silvestre
• Martha Batalha
Mediação: Christian Schwartz
O romance como forma de narrar um país feito de desigualdades, contradições, rupturas e persistências. Personagens e histórias de diferentes tempos do Brasil revelam seus conflitos, suas tensões e as vidas comuns que ajudam a compreender o país.
Local: Memorial de Curitiba - Ingressos: gratuitos
Edney Silvestre nasceu em Valença (RJ), é escritor e jornalista. Durante muitos anos, atuou como correspondente do jornal O Globo e da TV Globo em Nova York. Estreou na literatura em 2009, com o romance Se eu fechar os olhos agora, vencedor dos prêmios Jabuti de Melhor Romance e São Paulo de Literatura. A obra ganhou uma adaptação para a TV em 2019. Edney é autor ainda de Vidas provisórias, Pequenas vinganças e de O último Van Gogh, seu mais recente romance, publicado em 2025.
Martha Batalha nasceu em Recife (PE). Trabalhou como repórter e criou a editora Desiderata. Mudou-se em 2008 para Nova York, onde fez mestrado em Publishing na New York University e atuou no mercado editorial. Seu romance de estreia, A vida invisível de Eurídice Gusmão, foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e semifinalista do Oceanos, além de ter os direitos vendidos para mais de onze países e para o cinema. Em 2024 fez sua estreia na literatura infantojuvenil com Liz sem medo.
MESA 3: Contar histórias, ler o outro
Dia 8/8 (sábado) - 20h
• Ana Suy
Mediação: Julie Frank
Contar histórias também é criar espaço para a escuta e reconhecer, na experiência do outro, aquilo que nos desloca e nos transforma. Palavra, desejo, memória e imaginação se cruzam nos modos pelos quais narrar pode nos aproximar de vidas que não são as nossas.
Local: Memorial de Curitiba - Ingressos: gratuitos
Ana Suy é psicanalista e escritora. Doutora em pesquisa e clínica em psicanálise pela UERJ, mestre em psicologia clínica pela UFPR, graduada em psicologia pela PUCPR. Autora de diversos livros, dentre eles o bestseller "A gente mira no amor e acerta na solidão", publicado na América do e em Portugal.
MESA 1: 70 anos de Grande sertão: veredas
Dia 9/8 (domingo) - 14h30
• Ítalo Moriconi
Mediação: Marcelo Miranda
Setenta anos depois de sua publicação, Grande sertão: veredas segue desafiando leitores com sua linguagem inventiva, suas perguntas sobre amor, violência, destino e travessia. A conversa e o filme revisitam a grandeza de Guimarães Rosa e a permanência de um romance que continua a reinventar o Brasil.
Local: Cinemateca de Curitiba - Ingressos: gratuitos
MESA 2: Memória, literatura e psicanálise
Dia 9/8 (domingo) - 15h
• Vera Iaconelli
Mediação: Giovana Madalosso
A memória não apenas preserva o passado: ela o reorganiza, o transforma e o faz retornar em novas formas. Literatura e psicanálise se aproximam nesse território de lembranças, silêncios, fantasias e narrativas que ajudam a compreender aquilo que somos.
Local: Memorial de Curitiba - Ingressos: gratuitos
Vera Iaconelli nasceu em São Paulo, é psicanalista, doutora em psicologia pela USP, Diretora do Instituto Gerar de Psicanálise e membra do Instituto Sedes Sapientiae. Colunista da Folha de S.Paulo, publicou os livros O mal-estar na maternidade, Criar filhos no século XXI e Felicidade ordinária, vencedor do Prêmio Jabuti em 2025. No mesmo ano, lançou Análise, ensaio memorialístico em que entrelaça sua história familiar e seu processo de análise ao longo da vida.
MESA 3: Inventar mundos
Dia 9/8 (domingo) - 17h
• Paulliny Tort
• João Almino
Mediação: Luiz Rebinski
Inventar mundos é criar outras formas de compreender o real. A literatura abre espaço para territórios imaginários, futuros possíveis, mitos, cidades e personagens que deslocam certezas e revelam, por contraste, as inquietações do tempo presente.
Local: Memorial de Curitiba - Ingressos: gratuitos
Paulliny Tort nasceu em Brasília (DF). É jornalista e mestre em Comunicação e Sociedade pela UnB. Erva brava, seu primeiro livro de contos, foi vencedor do Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e finalista do Prêmio Jabuti 2022. Estreou na literatura em 2016, com o romance Allegro ma non troppo, semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura. Acaba de lançar o romance Os imortais, obra que acompanha a trajetória de um clã de neandertais.
João Almino nasceu em Mossoró (RN), mas mantém uma forte relação com Curitiba (PR). Diplomata e membro da Academia Brasileira de Letras, é autor de diversos livros, de ficção e não ficção. Entre seus romances, destacam-se As cinco estações do amor, vencedor do Prêmio Casa de las Américas 2003, Cidade Livre e Homem de papel, publicado em 2022 e finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti. Seus romances foram traduzidos para o inglês, francês, espanhol, italiano e o holandês.
MESA 4: Vozes do português
Dia 9/8 (domingo) - 19h
• Ondjaki (Angola)
• Tatiana Salem Levy
Mediação: Rodrigo Casarin
O português se multiplica em vozes, ritmos, memórias e paisagens. Entre Angola, Brasil e outros territórios da língua, a literatura constrói mundos marcados por deslocamentos, amores e invenção, revelando a força de uma língua que nunca é uma só.
Local: Memorial de Curitiba - Ingressos: gratuitos
Ondjaki nasceu em Luanda (Angola) e estudou Sociologia em Lisboa (Portugal). Poeta e prosador, sua trajetória artística passa também pelo teatro e pela pintura. Seus livros já foram publicados, entre outros países, na Argentina, Canadá, Espanha, Uruguai, Portugal e Suíça. Em 2013, foi o vencedor do Prêmio José Saramago com o romance Os transparentes. Em parceria com o ilustrador António Jorge Gonçalves, publicou em 2025 O tempo do cão, fábula poética sobre a amizade de um cachorro com o guerrilheiro Che Guevara.
Tatiana Salem Levy nasceu em Portugal e ainda criança se mudou para o Brasil com a família. Escritora, ensaísta e pesquisadora, recebeu o Prêmio São Paulo de Literatura em 2008 pelo romance A chave de casa, traduzido para diversos idiomas. Publicou ainda as narrativas Dois rios e Vista chinesa, este último um de seus livros mais aclamados e que se baseia em um caso real de estupro. Em 2024 lançou Melhor não contar, romance em que mistura autobiografia e ficção para narrar traumas familiares.