Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
A integração entre a Urbanização de Curitiba (Urbs) e a Polícia Civil do Paraná (PCPR) foi determinante para o sucesso da Operação Catraca Final, que desarticulou uma associação criminosa especializada em furtos no transporte coletivo da capital. Durante entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (30/6), na sede da Polícia Civil, no bairro Rebouças, representantes da Urbs e da PCPR detalharam o trabalho de inteligência que permitiu identificar os integrantes da quadrilha e reunir provas para a operação.
Segundo o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, o compartilhamento de informações entre o Centro de Controle Operacional (CCO) da empresa e a Polícia Civil foi essencial para o avanço das investigações. As equipes da Urbs forneceram imagens das câmeras instaladas em estações-tubo e ônibus, além dos registros da biometria facial do cartão-transporte, recursos que auxiliaram na identificação dos suspeitos.
"Foi um processo colaborativo com a Polícia Civil. Nossas equipes do Centro de Controle Operacional disponibilizaram imagens das estações, dos ônibus e informações do cartão-transporte com biometria facial. Com base nesse material, a Polícia Civil conseguiu identificar os envolvidos e realizar essa operação", afirmou Ogeny.
O presidente da Urbs destacou ainda que a segurança é uma das principais preocupações dos usuários do transporte coletivo e que a parceria com as forças de segurança seguirá sendo fortalecida.
"Queremos que o transporte coletivo seja cada vez mais seguro. Vamos continuar colaborando com a Polícia Civil e incentivando que as vítimas registrem boletim de ocorrência, pois isso contribui diretamente para as investigações", frisou.
Ogeny lembrou ainda que Curitiba já conta com a Patrulha do Transporte Coletivo, criada para atender ocorrências de forma integrada. Os motoristas podem acionar o Centro de Controle Operacional diretamente dos ônibus, permitindo o acionamento em tempo real da Guarda Municipal e das demais forças de segurança quando necessário.
Investigação
O delegado Fernando Zamoner explicou que a investigação começou no início deste ano, após a Delegacia de Furtos e Roubos identificar um aumento expressivo dos registros de furtos dentro dos ônibus e estações-tubo.
"Percebemos uma alta incidência desse tipo de crime e identificamos um grupo específico que atuava de forma reiterada, principalmente contra pessoas idosas e mais vulneráveis. A integração com a Urbs foi permanente durante toda a investigação e foi fundamental para chegarmos aos responsáveis", relatou.
O delegado Thiago Mendes explicou que o grupo era formado por mais de 22 pessoas, todas já identificadas durante as investigações, e que atuava de forma organizada, com divisão de funções entre os integrantes.
"Eles normalmente agiam em grupos de quatro a dez pessoas. Primeiro escolhiam uma vítima, quase sempre idosos. Em seguida faziam um cerco físico enquanto um dos integrantes retirava celulares, carteiras e cartões bancários. Logo depois, esses objetos eram repassados para outros integrantes, dificultando um eventual flagrante", explicou.
Durante o cumprimento dos mandados de busca, a Polícia Civil apreendeu diversos cartões bancários em nome de terceiros e maquininhas de cartão que, segundo a investigação, eram utilizadas para realizar transações fraudulentas logo após os furtos.
Mais de 55 vítimas foram ouvidas durante o inquérito, mas, segundo a Polícia Civil, existe uma grande subnotificação desse tipo de crime.
"O boletim de ocorrência é fundamental. Muitas pessoas deixam de registrar o furto, mas esse documento é indispensável para direcionar as investigações e identificar os autores", ressaltou Thiago Mendes.
A Operação Catraca Final é considerada a maior já realizada no Paraná no combate a furtos praticados dentro do transporte coletivo. As investigações continuam para localizar os demais integrantes da associação criminosa que ainda não foram presos.