Texto: Claudia Regina de Oliveira Gabardo
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Texto: Cláudia Gabardo
Prefeitura de Curitiba
Desde fevereiro, a professora aposentada da rede estadual de ensino Darci Tereza Bazan Marcondes percebe que está diferente. “Estou mais alegre, mais ágil e mais autônoma do que sempre procurei ser”, avalia. A mudança, conta, coincide com o momento em que, aos 83 anos, começou a frequentar o polo Boa Vista da Universidade Aberta à Pessoa Idosa (Unapi) e, em seguida, as atividades exclusivas para o público 60+ do Espaço Conviver.
Os dois serviços funcionam no mesmo endereço, no bairro Boa Vista. Eles estão sob gestão do Departamento dos Direitos da Pessoa Idosa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH). No ano passado, a cidade chegou a três polos da Unapi.
Garra para se reerguer
A unidade da Regional Boa Vista foi a última a ser entregue, com uma aula aberta à comunidade na Rua da Cidadania do território. “Li a notícia sobre a instalação na manhã do mesmo dia e, de tarde, estava lá para conhecer a proposta. Eu estava mesmo procurando por alguma coisa assim, voltada só para idosos”, conta a agora aluna e frequentadora das atividades.
Na época, Darci não estava bem. “Estava entrando em uma depressão feia", lembra. Tinha perdido o marido há pouco tempo e andava sem motivação. Adiava decisões porque não via diferença entre agir hoje, deixar para amanhã ou até para a semana seguinte. Agora, diz que tem objetivos e sai de casa praticamente todos os dias.
"Fiz novos amigos e estou mais independente e mais consciente das minhas possibilidades”, compara a aluna, que também faz uma advertência: “Sofá é a coisa que mais pode prejudicar uma pessoa. Nunca fique parada. Corra atrás do que você quer e precisa”, aconselha.
Segundo a coordenadora do Espaço Conviver Boa Vista, Patrícia Galvão, ao procurar alternativas para o tempo livre a aposentada entendeu, na prática, a finalidade de participar. “A ideia é os idosos – que na maioria dos casos moram longe dos filhos, enquanto outros perderam seus companheiros - se fortaleçam emocionalmente para enfrentar os problemas de uma forma positiva. O nosso trabalho contribui para isso”, diz.
Além de se dedicar ao Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para a Unapi e fazer aulas de musicoterapia e de dança circular e sênior no Espaço Conviver, a aposentada resolveu se matricular em uma academia particular de musculação perto de casa. “Vou a pé até lá”, conta ela, que mora no Juvevê e dirige o próprio carro para chegar ao Espaço Conviver.
O novo universo prateado
Darci faz parte dos 118 alunos das primeiras turmas anuais da Unapi. Ela também está entre os 2.150 participantes das 42 atividades fixas e de campo oferecidas em julho nos cinco Espaços Conviver. Entre elas estão oficinas de dança, pintura, artesanato e línguas estrangeiras modernas, cuja oferta varia entre as unidades. O público dessas ações tem de 60 a 93 anos.
Para a diretora do Departamento dos Direitos da Pessoa com Deficiência da SMDH, Luciana Faria, a experiência da aluna evidencia que é possível ter uma vida feliz, ativa e sadia depois dos 60 anos. “Esse público está se dando conta de que há um outro pedaço da própria história ainda por ser escrita. Não se trata de descategorizar quem quer ou prefere ficar em casa, mas sim de reconhecer a importância de ir ao encontro do que nos deixa bem e contribui para o nosso bem-estar emocional. Isso significa desfrutar Curitiba, que faz parte da rede mundial de Cidades e Comunidades Amigas da Pessoa Idosa”, avalia.
A presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia no Paraná (SBGG/PR), Uiara Ribeiro, destaca que a sociedade deve estar atenta para não normalizar o isolamento e disponibilizar as informações de interesse da pessoa idosa de forma simplificada.
“Os idosos querem viver melhor a vida mais longa que têm agora, em comparação com o passado recente. Essa fase não determina a perda da capacidade de aprendizagem, que pode acontecer ao longo de toda a vida e que muita gente quer continuar exercitando. É possível aprender uma língua nova mesmo que se tenha 99 anos, talvez de uma forma mais lenta”, afirma a médica.