Texto: Vanessa Brollo
Prefeitura de Curitiba
A economia da saúde é uma das principais forças do desenvolvimento econômico de Curitiba. Estudo elaborado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a pedido da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, revela que o setor reúne empregos altamente qualificados, remunerações acima da média e uma cadeia produtiva diversificada, fatores que colocam a capital em posição de destaque para atrair novos investimentos e ampliar sua competitividade.
O levantamento analisou aproximadamente 40 atividades econômicas ligadas ao segmento, distribuídas entre as áreas de Biopharma, MedTech, Diagnósticos e Laboratórios, Hospitais e Assistência Especializada, HealthTech e Pesquisa, além da Logística Health. O objetivo foi avaliar a competitividade do setor e identificar oportunidades para fortalecer uma das cadeias econômicas de maior valor agregado da cidade.
Os dados mostram que, em 2025, a remuneração média nominal do setor foi de R$ 4.054,96. Algumas atividades apresentam salários muito superiores, como tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e hospedagem na internet, cuja média chega a R$ 11.397,01, e pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais, com remuneração média de R$ 9.006,45.
A massa salarial movimentada pela economia da saúde alcançou R$ 323,8 milhões no período analisado. As atividades de atendimento hospitalar responderam, sozinhas, por aproximadamente um terço desse volume, demonstrando a importância econômica da área para Curitiba.
Alta qualificação
O estudo também evidencia o elevado nível de qualificação da mão de obra. Cerca de 42,5% dos trabalhadores possuem ensino superior incompleto ou completo, além de especialização, mestrado ou doutorado, característica típica de setores intensivos em conhecimento, tecnologia e inovação.
Outro diferencial apontado é a diversidade da cadeia produtiva. O setor reúne desde a indústria farmacêutica e de equipamentos médico-hospitalares até hospitais, clínicas, laboratórios, startups de tecnologia em saúde, centros de pesquisa e empresas de logística especializada, formando um ecossistema integrado e altamente conectado.
Porte das empresas
A concentração de empresas de médio e grande porte também chama a atenção. Aproximadamente 70% dos empreendimentos do seguimento são classificados nessas categorias de tamanho, o que explica o elevado grau de empregabilidade do setor, indicando capacidade de atrair investimentos e gerar impactos econômicos relevantes para a cidade.
Além do cenário atual, o estudo aponta que a economia da saúde vem registrando crescimento consistente nos últimos anos, especialmente entre os empreendimentos de maior porte, reforçando o potencial de expansão desse segmento em Curitiba.
"A economia da saúde reúne inovação, pesquisa, tecnologia, indústria e serviços especializados em uma mesma cadeia produtiva, gerando empregos qualificados, renda e desenvolvimento. Nosso papel é criar um ambiente cada vez mais favorável para que esse ecossistema continue crescendo, atraindo investimentos e consolidando Curitiba como uma referência no setor", afirma o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Sérgio Bento.
Segundo o diretor presidente do Iparde, Jorge Callado, nesse âmbito, Curitiba se destaca pela geração de um complexo industrial da saúde local com repercussões regionais, nacionais e internacionais.
“A cadeia de suprimentos desse complexo agrega valor, em função de qualificação profissional, produção de insumos e equipamentos de avançada geração. Quanto à questão logística, Curitiba encontra-se em uma posição favorável, muito diferente dos pontos saturados que ocorrem em outras capitais do Brasil e da América Latina. É importante, portanto, a continuidade desta política de expansão do serviço de saúde, para reforçar cada vez mais a nossa referência nesse segmento”. Afirma Callado.
O levantamento também reforça outras vantagens competitivas da capital. Curitiba possui infraestrutura logística instalada e potencial de expansão, especialmente no transporte aéreo de cargas, aspecto estratégico para a indústria da saúde, que depende de agilidade e segurança na movimentação de produtos de alto valor agregado.
Exportações
A força do setor também já aparece no comércio exterior. Levantamento recente do Ipardes mostra que, considerando apenas os produtos manufaturados exportados nos cinco primeiros meses deste ano, a economia da saúde figura entre os principais segmentos exportadores de Curitiba, atrás apenas de cadeias industriais historicamente consolidadas, como a fabricação de tratores e de veículos para transporte de mercadorias.
Na avaliação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, o estudo demonstra que a economia da saúde já apresenta elevado grau de maturidade em Curitiba, mas ainda possui amplo espaço para expansão.
“O fortalecimento desse ecossistema contribui para diversificar a matriz econômica da capital, aumentar sua resiliência diante das transformações do mercado e ampliar a oferta de empregos qualificados e de maior remuneração, com impactos positivos para a qualidade de vida da população”, finaliza o secretário.