Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Dentro de poucas semanas, os servidores da Prefeitura de Curitiba serão convocados para a primeira pesquisa que vai identificar a existência de perigos e riscos psicossociais nos locais de trabalho e que podem levar ao adoecimento. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (2/7) pela diretora do Departamento de Saúde Ocupacional da Secretaria de Gestão de Pessoal, Fernanda Zwir, durante reunião no Creaf (Centro de Referência em Esporte e Atividade Física), no bairro Guaíra.
A pesquisa conduzida pela SMGP deverá ser respondida por servidores estatutários, contratados pelo Processo Seletivo Simplificado (PSS) de todas as secretarias e demais órgãos do Município. O levantamento deverá auxiliar na identificação dos locais cuja organização do trabalho ou gestão pode ter impacto na saúde mental, física e social dos trabalhadores.
“A pesquisa voluntária será anônima e sigilosa”, assegurou a diretora aos agentes de segurança local (Agesel) que participaram do encontro. Ela informou ao grupo que um sistema está sendo desenvolvido para que o servidor acesse o Portal do Servidor e possa responder ao questionário que tem como referência o Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ II), instrumento sugerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego para este fim.
De acordo com Fernanda, haverá uma força-tarefa para garantir a realização da pesquisa. “E vocês, agentes de segurança local, terão papel fundamental desde a realização da pesquisa até o acompanhamento das medidas de controle que serão adotados depois da compilação dos dados do levantamento e das definições do Programa de Gerenciamento de Riscos de cada secretaria”, explicou a diretora.
Caberá aos agentes de segurança local (Agesel) o monitoramento da adesão de cada secretaria.
Agesel há sete anos, a servidora da Secretaria do Governo Municipal Vanessa Gimenez Costa reconhece que mobilizar os servidores e as chefias para que o máximo de pessoas participe será um grande desafio.
“Nada que uma boa conversa não possa ajudar a sensibilizar para que as pessoas participem”, declarou ela, que é servidora há 19 anos.
Vanessa considerou os temas abordados durante a reunião bem importantes. “Eu já venho estudando as questões dos riscos psicossociais há um tempo. A palestra foi esclarecedora”, declarou.
Avaliação da organização do trabalho, não das pessoas
Vanessa se referiu à apresentação da assistente social Adriana Thiele, que falou da importância de prevenir os riscos psicossociais na saúde mental. Ela enfatizou que a pesquisa não vai avaliar as pessoas.
“Queremos verificar os processos e a dinâmica do trabalho, pois, as causas do adoecimento das pessoas podem estar na estrutura, na forma como o trabalho é realizado, nas condições de trabalho”, disse Adriana.
Segundo Thiele, processos de trabalho mal estruturados podem levar ao estresse crônico e ao esgotamento. “Se a pessoa fica exposta por muito tempo, pode adoecer”.
Ela apresentou aos agentes de segurança local alguns dos fatores que podem levar ao adoecimento, tais como a sobrecarga de trabalho; a baixa demanda de tarefas; o estabelecimento de metas difíceis de cumprir; as jornadas excessivas; más relações no ambiente de trabalho; desequilíbrio entre trabalho e vida pessoal; baixa justiça organizacional; eventos violentos ou traumáticos; pressão constante.
Também são fatores que podem levar ao adoecimento: comunicação deficiente; baixa recompensa e reconhecimento; falta de autonomia; falta de apoio da chefia; alta demanda emocional. Ela apresentou ao grupo exemplos práticos
“Estamos falando de riscos silenciosos, que não são palpáveis, possíveis de mensuração. Não há equipamento para medir estresse ou assédio num local de trabalho”, exemplificou.
Por que estamos falando disso?
Adriana integra o Grupo de Trabalho de Riscos Psicossociais da Prefeitura de Curitiba que tem debatido o cumprimento da NR-1, norma regulamentadora válida para todo o País e que foi atualizada.
O grupo multidisciplinar será responsável por identificar fatores que possam afetar a saúde e o bem-estar dos servidores e dará suporte aos agentes de segurança local, que atuam como elo entre servidores, chefias e o Departamento de Saúde Ocupacional.
Durante o encontro, a diretora Fernanda Zwir destacou a importância desses agentes para ampliar a atuação do Departamento. Adriana Thiele reforçou que o trabalho é um importante determinante social e que o ambiente profissional deve promover o bem-estar.
Veja AQUI quem são os agentes de segurança local da sua secretaria.