Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
A aposentadoria inaugura um recomeço na história de qualquer pessoa. Para muitos dos beneficiários do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba (IPMC), a nova etapa também abre espaço para uma das ocupações mais especiais da vida: a de serem avós.
Depois de dedicarem anos à educação municipal, à saúde, à segurança, ao meio ambiente, à administração, ao planejamento da cidade e a diversas outras áreas que impactam diretamente a vida da população, muitos aposentados passam a viver uma rotina mais próxima da família. Sem a mesma intensidade da vida profissional, encontram mais oportunidades para acompanhar o crescimento dos netos.
Com experiência, paciência e carinho, avós e avôs ocupam um lugar único dentro das famílias. Preservam histórias, mantêm tradições vivas e compartilham valores que atravessam o tempo. Em diferentes fases da vida, tornam-se apoio, conselheiros e companheiros, criando lembranças que permanecem por gerações.
Além dos aposentados da Prefeitura de Curitiba, parte dos beneficiários são pensionistas do IPMC que também são avós.
Renovação
“Meus netos são a joia da minha vida”, resume o servidor aposentado Luiz Fernando Alves Cordeiro, 71, ao lado da esposa, a professora aposentada Rosi de Lourdes Pereira Cordeiro, 68.
Pais de dois filhos e avós de três netos - Leonardo, de 16 anos, Henrique, de 15, e Lara, de 11 -, Luiz e Rosi dividem a rotina entre Curitiba, Rio de Janeiro, onde mora a neta, e São Paulo, cidade onde vivem os dois meninos.
As viagens deixaram de ser exceções e passaram a fazer parte da rotina desde que os filhos Sue Elen, 42, e Luiz Cristiano, 48, mudaram de cidade. Com mais flexibilidade devido à aposentadoria, Luiz e Rosi conseguem acompanhar aniversários, férias escolares e outras ocasiões.
“A aposentadoria nos deu mais tempo de estar presente e viver momentos que antes, por causa do trabalho, nem sempre eram possíveis. A gente passeia, anda de bicicleta, vai ao cinema com eles”, conta a avó Rosi.
Aposentado desde 2012, Luiz trabalhou 30 anos no Zoológico de Curitiba como motorista. “Devido ao trabalho, tive muitos dias que não encontrava meus filhos. Com os netos, especialmente os que nasceram em Curitiba, tivemos tempo para vê-los crescer, buscar na escola, eles dormiam aqui. Nas férias, viajávamos juntos”, resume Luiz.
“A aposentadoria é uma fase mais liberada da vida. A gente pode ajudar mais os filhos em relação aos netos. Poder estar com os netos é ver a vida se renovar. A gente vive de novo, é carinho concreto”, completa Rosi, que lembra emocionada do nascimento do primeiro neto. “Parecia que eu estava pegando meu filho no colo, foi uma grande emoção”. Ela trabalhou 40 anos na Educação de Curitiba e está aposentada desde 2017.
Lembranças pra vida toda
As lembranças criadas entre avós e netos costumam atravessar gerações. Receitas de família, fotografias, brincadeiras, viagens, festas e histórias sobre a infância ajudam a preservar a identidade familiar e fortalecem os laços entre diferentes idades. São experiências que, com o passar dos anos, tornam-se parte da memória afetiva de toda a família.
As memórias que Luiz e Rosi construíram com seus próprios avós também fazem parte da história que hoje compartilham com os netos. Luiz rememora a cuca feita pela avó paterna no forno de pedra e a casa dos avós, uma das doces memórias da infância. Rosi recorda com carinho as viagens de trem até Piraquara para visitar a avó, que sempre esperava a chegada da família.
Lara, neta do casal, homenageou neste ano a bisavó, Dona Lourdes, mãe de Rosi, em uma atividade do Dia da Mulher na escola. Aos 87 anos, ela vive em Piraquara e continua fazendo parte da história da família.
Amor inexplicável
Aposentada há 5 anos, Cássia Lisboa Pereira, de 61 anos, avó de Vitor Hugo, 6, e Vicente, 3, conta que ser avó trouxe uma nova perspectiva para a sua vida. Para ela, acompanhar o crescimento dos netos é uma das maiores alegrias da aposentadoria.
“Cada fase deles é especial. Poder estar presente, brincar, conversar e ensinar um pouquinho do que aprendi ao longo da vida é um privilégio. Eles também me ensinam todos os dias e deixam minha vida muito mais feliz. É um amor que eu não sei explicar.”
Ela acredita que o vínculo entre avó e neto é construído pela presença. “Nem sempre precisa fazer grandes coisas. Uma conversa, um passeio ou uma história contada com carinho já são momentos que ficam pra sempre”, comenta Cássia.
O neto Vitor Hugo diz que a avó sempre foi uma pessoa muito doce e que lembra de todas as viagens que fizeram juntos. “Ela tá sempre viajando, mas às vezes viaja comigo também. Lembro da viagem para Salvador, Bahia, para o meu aniversário, foi muito legal”, diz o menino.