Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Transformar o acolhimento familiar na principal alternativa para crianças e adolescentes afastados de suas famílias por determinação judicial foi um dos desafios debatidos no II Seminário sobre o Serviço de Família Acolhedora, realizado nesta terça-feira (20/10), na sede da Fundação de Ação Social (FAS), em Curitiba.
A modalidade permite que crianças e adolescentes vivam temporariamente com famílias preparadas e acompanhadas por uma equipe técnica, em vez de serem encaminhados para unidades de acolhimento institucional. Para ampliar o serviço, além do trabalho dos profissionais da rede de proteção, é preciso sensibilizar a sociedade e mudar a cultura sobre as formas de acolhimento.
Desde a implantação do serviço em Curitiba, em 2019, 80 famílias foram credenciadas e 110 crianças e adolescentes passaram pelo acolhimento familiar. Atualmente, 16 famílias acolhem 17 crianças e adolescentes. O número ainda é pequeno perto deste público que hoje vive em unidades próprias e contratadas pelo município, que é de aproximadamente 600 pessoas.
O seminário reuniu profissionais da rede de proteção, representantes de organizações da sociedade civil, famílias acolhedoras e integrantes de conselhos municipais. A programação contou com palestras da psicóloga Luciana Perez, referência nacional no tema, e da promotora de Justiça Fernanda Nagl Garcez, da 3ª Promotoria de Justiça da Infância e Juventude, além do coordenador do serviço na Acridas, psicólogo Jefferson Nunes, que falou do processo de captação e habilitação de famílias acolhedoras.
Duas famílias também compartilharam suas experiências. Amanda Jaqueline Silva Ferrari, que há dois anos participa do serviço e atualmente acolhe a segunda criança, uma menina de 4 anos, disse que “é um desafio, mas um desafio leve, não precisa ter coragem para participar, apenas ter amor para dar a uma pessoa.”
Mudança de cultura
O presidente da FAS, Renan de Oliveira Rodrigues, destacou que o acolhimento familiar e a qualificação do atendimento nas unidades institucionais estão entre as prioridades da gestão. Ele citou, entre os avanços, o aumento da bolsa mensal paga às famílias acolhedoras, de R$ 998 para R$ 1.518, e a ampliação das vagas de acolhimento institucional.
“Não gostaríamos de abrir novas vagas em unidades institucionais, mas sabemos que elas são necessárias. Ao mesmo tempo, precisamos fortalecer alternativas como o Família Acolhedora e mudar a cultura da sociedade, para que mais crianças possam crescer no ambiente de uma família. Queremos que Curitiba se torne referência nacional nesse serviço”, afirmou.
Para o presidente da Acridas – organização contratada pela FAS para executar o serviço em Curitiba -, Marcelo de Souza, o acolhimento familiar deve ser a modalidade preferencial para crianças e adolescentes afastados do convívio com seus familiares. “Estamos falando de um direito universal dessas crianças, o direito de viver em família. Quando perguntamos a uma criança que vive em um abrigo qual é o seu sonho, ela sempre responde que quer ter uma família”, disse.
Marcelo lembrou que, a partir de 2019, o serviço ganhou espaço em Curitiba e destacou a transformação na vida das crianças acolhidas. “Não são apenas números. São histórias, são rostos e são futuros que foram transformados.”
Participação da sociedade
A palestrante Luciana Perez, mestre e doutora em Psicologia, consultora nacional e integrante da equipe responsável pela revisão do Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária, lançado em 2025, ressaltou que ampliar o serviço exige mudanças que vão além da estrutura da política pública.
“Não se trata simplesmente de transferir uma criança de um acolhimento institucional para uma família. É preciso avançar na gestão, nas questões técnicas e, principalmente, na mudança de cultura. Mas dependemos 100% da sociedade civil. Se não tivermos famílias acolhedoras, não teremos o serviço”, disse.
Luciana também destacou o potencial de Curitiba para avançar na área. “Curitiba é referência em tantos assuntos e em tantas políticas sociais. Precisamos nos tornar referência também no Família Acolhedora, e temos um enorme potencial para isso.”
O diretor de Proteção Social Especial da FAS, Jefferson Portugal Marchiorato, explicou que o seminário buscou ampliar o conhecimento dos profissionais e fortalecer as práticas de atendimento. “Trabalhamos com capacitações, supervisão técnica, visitas e acompanhamento para complementar esse trabalho”, disse.
Presenças
Também participaram do encontro a superintendente executiva da FAS, Melissa Cristina Alves Ferreira, o conselheiro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comtiba), Renan Costa Ferreira, e a presidente do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), Cintia Aumann.