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Habitação

Sem usar tijolos, novo sistema construtivo acelera obras

Método de paredes em concreto já foi usado na construção do Residencial Cidade de Pávia, conjunto de 256 unidades entregue em março

A construção de 624 apartamentos no Campo de Santana está utilizando um novo sistema construtivo que não emprega tijolos na sua concepção. Curitiba, 04/04/2013 Foto: Rafael Silva/COHAB

A construção de 1.136 apartamentos no Campo de Santana está utilizando um novo sistema construtivo que não emprega tijolos na sua concepção. O método de paredes em concreto já foi usado na construção do Residencial Cidade de Pávia, conjunto de 256 unidades entregue em março, e agora está sendo utilizado nas obras dos residenciais Cidade de Broni, com 512 unidades, Cidade de Pádova, com 416 e Cidade de Novara, 208. Duas construtoras estão empregando o sistema em Curitiba.

As obras com paredes em concreto apresentam vantagens em relação aos métodos convencionais, em especial a maior velocidade na execução e a redução no desperdício de materiais. “A capacidade produtiva neste sistema é de quatro blocos por mês, ou seja, 64 apartamentos erguidos, sem contar o acabamento. O sistema tradicional não chega à metade deste número”, explica Cezar Augusto Mores, engenheiro de uma das construtoras responsáveis pelas obras.

Além da velocidade de produção ser até 50% maior do que nos sistemas tradicionais, há também o ganho de qualidade. “As unidades têm um ótimo conforto térmico e acústico e a manutenção da moradia se torna mais fácil, pois não é necessário quebrar paredes para mexer nos encanamentos e fiações” diz Mores.

O novo método acaba perdendo um pouco da velocidade na colocação de cerâmica e na pintura. “Nesta parte de acabamento nós voltamos para as práticas convencionais, mas já estamos desenvolvendo técnicas para aprimorar o processo e dar ainda mais agilidade para a finalização da obra”, ressalta o engenheiro.

O canteiro de obras conta com 170 operários trabalhando na construção dos 624 apartamentos. Segundo Mores, no sistema tradicional, para realizar a obra no mesmo prazo seriam necessários pelo menos 700 homens.

Menos resíduos

O sistema de construção com paredes de concreto começa como as demais obras, pela fundação. A redução do desperdício é percebida nesta etapa, que é feita com formas pré-moldadas. Três jogos de forma vão permitir a execução das fundações dos 55 blocos de apartamentos. São as mesmas formas utilizadas para levantar as paredes.

O sistema convencional utiliza madeira para fazer as formas. “Toda esta madeira acaba virando resíduo, assim como os restos de tijolos e blocos de concreto. Nosso sistema só utiliza madeira na cobertura, que é pré-moldada antes da instalação. O novo método apresenta perda de madeira cinco vezes menor do que nas obras comuns”, garante Mores.

A principal vantagem é o maior controle do consumo de materiais, que gera menos resíduos no canteiro de obras. “Temos um canteiro limpo, sem acúmulo de caliça, nem de restos de madeira. O sistema com parede em concreto tem desperdício de cinco a seis vezes menor do que o sistema convencional”, afirma o engenheiro.

Sistema

Após a execução da fundação, uma armação de aço é montada no formato do apartamento, onde é instalada primeiramente toda a tubulação para a fiação elétrica. Quando a unidade ainda é apenas um esqueleto metálico são implantadas as redes elétrica e hidráulica. Ao invés de quebrar o que já foi construído, o que gera desperdício e retrabalho, as redes são instaladas antes de se construírem as paredes.

Em volta da armação metálica são montadas as formas para a execução das paredes. Dentro das formas é injetado um concreto especial, chamado auto adensável. “É uma tecnologia que adiciona ao concreto substâncias superplastificantes, que alteram a sua característica. Desta maneira ele penetra nas formas e se molda de acordo com o formato determinado”, explica Mores.

O custo final da obra ainda é um pouco maior do que no sistema convencional, principalmente por dois motivos. Por se tratar de uma nova tecnologia existem menos fornecedores dos materiais. Além disso, o método necessita de mão de obra especializada, que requer um treinamento específico.

Para o morador existe a vantagem na manutenção e na fixação de parafusos na parede. “É possível furar com brocas normais, as mesmas usadas em paredes de tijolos, porém não há o risco de furar nenhum encanamento. Com relação à manutenção, dentro do banheiro existe uma porta removível que dá acesso à toda a tubulação do apartamento”, finaliza o engenheiro.