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Américas

Saúde alerta viajantes com destino a países da Copa do Mundo para vacinação contra o sarampo

Estados Unidos, México e Canadá concentram mais de 70% dos casos de sarampo nas Américas. Brasil é considerado país livre de circulação da doença

Saúde alerta viajantes com destino a países da Copa do Mundo para vacinação contra sarampo. Foto: Pedro Ribas/SECOM

Texto: Themys Cabral
Prefeitura de Curitiba

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Curitiba alerta para que os viajantes com destino ao exterior do país confiram com antecedência se possuem o esquema vacinal completo contra o sarampo. A orientação, referendada pelo Ministério da Saúde, é direcionada principalmente aos viajantes com destinos aos países sede da Copa do Mundo, que passam por surto da doença.

Estados Unidos, México e Canadá concentram mais de 70% dos casos de sarampo nas Américas, de acordo com dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS). Enquanto o Brasil é considerado país livre de circulação da doença.  

“Estima-se que milhões de pessoas participem da Copa o Mundo, gerando uma intensa mobilidade internacional que pode favorecer a disseminação de doenças transmissíveis. Nesse cenário, o sarampo merece atenção especial por ser uma doença viral aguda, altamente contagiosa e potencialmente grave”, alerta o diretor do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, o médico Alcides Oliveira.

De acordo com o médico, a transmissão do sarampo ocorre principalmente por via aérea ou gotículas respiratórias, facilitando a propagação em locais com grande concentração de pessoas.

“É fundamental destacar que o sarampo é uma doença prevenível por vacinação. A vacina está disponível gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações”, destaca a secretária municipal da Saúde de Curitiba, Tatiane Filipak.

Adolescentes e adultos

O chamado para a vacinação é importante especialmente aos viajantes adolescentes e adultos, uma vez que as crianças já têm um índice de cobertura da vacina no município de 93% para a primeira dose e 90% para a segunda dose – no Brasil a cobertura da 1ª dose fechou 93% e da 2ª dose em 78% em 2025.

Antes de 2006, porém, o calendário nacional de vacinação previa apenas uma dose de imunização contra a doença, sem dose de reforço, ao contrário do que é estipulado hoje.

“Quem nasceu antes desta data, portanto, precisa verificar qual é a sua situação vacinal e, dependendo da idade, procurar uma unidade de saúde e atualizar a carteira de vacinação”, aconselha Oliveira. 

O médico lembra que “96% dos acometidos por sarampo no surto de 2019/2020 em Curitiba eram de população jovem e adulta, entre 15 e 49 anos”.

Esquema vacinal

O esquema vacinal vigente para a doença prevê duas doses de vacina com o componente sarampo, sendo uma dose da vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) aos 12 meses de idade, e uma dose da vacina tetra viral aos 15 meses de idade (que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

Quem não completou este esquema vacinal quando era criança, precisa atualizar a carteira de vacinação. Crianças, adolescentes e adultos de 15 meses a 29 anos precisam ter tomado durante a vida duas doses da vacina com componente contra o sarampo (veja quais são abaixo). Já adultos, de 30 a 59 anos, precisam ter tomado, ao menos, uma dose da vacina com componente contra o sarampo na vida.

Para pessoas que precisam receber o esquema vacinal completo de duas doses da vacina, o ideal é que a 1ª dose seja realizada, no mínimo, 45 dias antes da viagem, a fim de ter tempo hábil de receber a 2ª dose (30 dias depois da 1ª dose) e ter período adequado para soroconversão (produção de anticorpos que demanda aproximadamente 15 dias). Para pessoas que precisam receber o esquema vacinal com apenas 1 dose da vacina, é indicado realizar, no mínimo, 15 dias antes do embarque.

“Em situações em que a vacina não foi administrada no período ideal, ainda assim é recomendável que o viajante receba pelo menos uma dose antes de viajar, até mesmo no dia do embarque”, alerta Oliveira.

A vacina não é indicada para crianças menores de 6 meses, gestantes, pacientes imunodeprimidos ou com reação alérgica grave (anafilaxia), após dose prévia ou após contato com as substâncias que compõem a vacina. Oliveira lembra que quem tem dúvidas a respeito de sua situação vacinal pode consultar o aplicativo Saúde Já Curitiba, que traz a carteira vacinação virtual dos usuários do SUS Curitibano. “Se a dúvida persistir, procure uma unidade de saúde”, diz.

Dose zero

Para crianças de 6 meses a menores de 1 ano, que forem viajar para países sede da Copa do Mundo, a indicação é a realização de uma dose da vacina, a chamada dose zero. É necessário realizar a dose zero da vacina, no mínimo, 15 dias antes do embarque para ter tempo hábil da soroconversão.

A dose zero oferece uma proteção precoce e temporária. Porém, não substitui as doses previstas no calendário de rotina, que devem ser mantidas aos 12 e 15 meses de idade.

Sarampo nas Américas

O aumento de quase 32 vezes no número de casos de sarampo nas Américas na passagem de 2024 para 2025 fez a Opas emitir um alerta para países da região, em fevereiro. Em 2025, o continente identificou 14.891 registros da doença, um salto em relação aos 466 casos do ano anterior. Foram 29 mortes em 2025. 

A grande concentração de casos está na América do Norte. Em 2025, México (6.428), Canadá (5.436) e Estados Unidos (2.242) somaram quase 95% dos casos (14.106).

Em 2026, com dados referentes às 16 primeiras semanas epidemiológicas, ou seja, de 1 de janeiro até 25 de abril, o surto no México somou 10.049 casos, além de 1.811 nos Estados Unidos e 944 no Canadá. As três nações representam 12.804 registros, o equivalente a 71% das notificações no continente americano.

O alerta de fevereiro da Opas havia detalhado, ainda, que a grande maioria dos casos acontece com pessoas sem histórico de vacinação contra a doença. Nos Estados Unidos, 93% das pessoas que contraíram a doença não estavam vacinadas ou apresentavam histórico vacinal desconhecido no período analisado. No México, eram 91,2%; já no Canadá, 89% dos casos.

Brasil

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2018 e 2022, foram registrados mais de 39 mil casos de sarampo no país, com maior concentração em 2019. A partir de 2021, houve queda acentuada, chegando a 41 casos em 2022. 

Em 2023, não houve casos confirmados. Em 2024, foram confirmados cinco casos, sendo a maioria importada ou relacionada a viagens internacionais. Em novembro de 2024, o Brasil recebeu novamente da Opas a recertificação da eliminação da circulação endêmica do sarampo e mantém o status de país livre da doença até os dias atuais.

Em 2025, foram confirmados 38 casos no Brasil, distribuídos em diferentes estados. Parte dos casos esteve associada a viagens internacionais. Um dado alarmante é que 94,7% dos casos confirmados em 2025 (36 de 38) ocorreram em pessoas sem histórico vacinal.

Em 2026, até a semana epidemiológica 14 (11/4), foram confirmados dois casos sendo um no estado de São Paulo, associado a viagem internacional e ausência de vacinação, e um no Rio de Janeiro, com fonte de infecção desconhecida e ausência de registro de vacinação. 

“Casos isolados ou importados não tiram a certificação do país, mas indicam que o vírus está buscando brecha, bolsões não vacinados, baixa cobertura, para retornar. O cenário epidemiológico atual reforça a vulnerabilidade do Brasil frente à reintrodução do vírus. A combinação de surtos ativos em países vizinhos, fluxo contínuo de viajantes, brasileiros não vacinados e a confirmação de casos importados faz com que o risco de casos e surtos de sarampo seja alto”, explica a médica infectologista da Secretaria Municipal da Saúde, Marion Burger.

O Paraná não registra casos autóctones desde julho de 2020 e Curitiba não registra casos autóctones desde março de 2020.

Sintomas

A transmissão do sarampo ocorre de forma direta e rápida, por meio de secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. As partículas virais ficam suspensas no ar. Por isso, o elevado poder de contágio da doença.

Os primeiros sintomas do sarampo são febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguidos de exantema – que são as manchas avermelhadas pelo corpo. A orientação, nestes casos, é procurar o serviço de saúde.

Onde se vacinar 

Para verificar os pontos de vacinação, endereços e horário de funcionamento, consulte o site Imuniza Já Curitiba.

A SMS orienta que os usuários verifiquem a sua situação vacinal no app Saúde Já ou mesmo em carteirinhas antigas de papel. Quem não tem ou não sabe se tem o esquema vacinal completo contra o sarampo deve procurar uma unidade de saúde ou a Central Saúde Já Curitiba. O usuário também pode solicitar que a Central realize o chamado resgate digital, o que significa incluir no App Saúde Já doses antigas registradas em carteiras de papel.

A Central Saúde Já atende pelo telefone 3350-9000, de segunda a sexta, das 7h às 22h; e nos sábados e domingos, das 8h às 20h.

Âncora

Como checar se vacina contra o sarampo está registrada na carteira de vacinação

As vacinas que protegem contra o sarampo são:

  • Vacina dupla viral (também chamada de SR)
  • Vacina tríplice viral (também chamada de VTV ou SCR ou MMR)
  • Vacina tetra viral (também chamada de SCRV)

*Qualquer uma dessas definições pode estar na carteira de vacinas. Todas significam que a pessoa foi imunizada contra o sarampo.

Esquema vacinal vigente 

  • 15 meses a 29 anos – duas doses de vacina na vida, após um ano de idade
  • 30 a 59 anos – uma dose de vacina na vida, após um ano de idade 
  • Profissionais de saúde – duas doses de vacina na vida, após um ano de idade 
  • Dose zero – dose extra para bebês de 6 meses a menores de 1 ano, que forem viajar para países sede da Copa

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠- Bebês de 6 a 8 meses e 29 dias – para esta faixa etária, excepcionalmente, o imunizante está disponível apenas na unidade de saúde Mãe Curitibana, localizada na avenida Jaime Reis, 331, no Alto do São Francisco, das 7h às 19h.

Série histórica de casos de sarampo em Curitiba 

  • 2015 – 0 
  • 2016 – 0 
  • 2017 – 0 
  • 2018 – 0 
  • 2019 – 1.265
  • 2020 – 304 
  • 2021 – 0
  • 2022 – 0 
  • 2023 – 0 
  • 2024 – 0 
  • 2025 – 0
  • 2026 – 0