Texto: Miguel Angelo de Andrade
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Texto: Miguel Ângelo de Andrade
Prefeitura de Curitiba
Há exatos 30 anos surgia numa área onde era realizado um feirão de carros usados, no bairro Fazendinha, a Rua da Cidadania para atender os bairros da Regional Portão, um lugar onde as pessoas poderiam encontrar os serviços públicos da Prefeitura perto de casa, além de poder praticar a mobilidade ativa sem se preocupar com o trânsito.
O posto avançado de serviços da Prefeitura na região nasceu entrelaçado com a da Rua da Cidadania do Boqueirão, que acabou tendo a primazia do primeiro equipamento do gênero na capital, devido a um atraso da execução do projeto do Fazendinha.
O projeto
Quem conta a história é o arquiteto Mauro Magnabosco, que na época era presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), e participou da criação de sete ruas da cidadania das 10 existentes em Curitiba - Fazendinha, Boqueirão, Boa Vista, Santa Felicidade, Pinheirinho, e a nova Rua da Cidadania CIC, inaugurada no ano passado.
O projeto do bairro Fazendinha, Mauro assinou com a equipe formada pelos arquitetos Fernando Popp, Dóris Regina Teixeira e Geraldo Pougy.
Descentralização dos serviços veio para ficar
De acordo com o arquiteto, a área onde funcionava o feirão de carros pertencia à Prefeitura e ficava ao lado do Terminal Fazendinha. Naquela época, no ano de 1995, durante a primeira gestão de Rafael Greca na Prefeitura de Curitiba, o conceito da descentralização dos serviços públicos nos bairros já estava bem amadurecido e até já ocorria, mesmo de forma precária, em casas alugadas nos bairros.
“Eram alugadas casas nos bairros da regional para fazer o serviço de atendimento das demandas da Prefeitura. Mas todo ano tinha uma complicação porque vencia aluguel ou uma ampliação, daí tinha que alugar outra casa e muitas vezes o imóvel não era encontrado”, contou.
OUÇA AQUI
Mauro Magnabosco, arquiteto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).
Fazendinha e Boqueirão puxaram a fila
Para tentar sanar o problema, foi lançada a ideia de pegar um quarteirão de rua, desapropriar as casas dos dois lados e fazer um calçadão para abrigar todos os serviços da Prefeitura. Mauro Magnabosco conta que isso também não deu certo porque não se encontrava uma quadra com estas características.
“Aconteceu então que o prefeito (Rafael Greca) definiu: vamos fazer um prédio para estabelecer a regional e fazer com que cada uma tenha sua sede própria. E daí já fiz o projeto e logo em seguida, eu fiz um segundo projeto, que era a Rua da Cidadania do Boqueirão, na sequência”, historiou.
Integração com o transporte coletivo
A viabilidade financeira para os projetos foi custeada como recursos de linhas de financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
“Nós conseguimos colocar as ruas de cidadania como um projeto de transporte porque a Rua da Cidadania descentraliza o serviço, evita que as pessoas tenham um deslocamento no transporte e presta o serviço junto à população. Por isso, a maioria delas têm esse vínculo com os terminais de transporte e as que não estão ligadas a terminais, estão no eixo principal de transporte da região”, explicou.
OUÇA AQUI
Mauro Magnabosco, arquiteto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).
A implantação do equipamento no Fazendinha trouxe muitos impactos positivos e foi indutor do desenvolvimento da região. Mauro Magnabosco relembra que na época da implantação, além do terminal de ônibus, a região já contava com empreendimentos de habitação popular e o comércio começava a mostrar a sua força.
“É sempre assim com todas as ruas de cidadania: a partir do momento em que foram inauguradas, elas acabaram desenvolvendo uma energia no comércio e serviços privados no seu entorno”, exemplifica o arquiteto.
OUÇA AQUI
Mauro Magnabosco, arquiteto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).
Área de 203 mil habitantes
Hoje, a vistosa estrutura encravada no número 1.700 da Rua Carlos Klemtz, 1700, é adornada por uma ampla rede de comércio e serviços. Como os demais equipamentos do gênero, a Rua da Cidadania do Fazendinha é coordenada pela Secretaria de Governo Municipal (SGM), e atende uma população estimada de 203.702 habitantes (IBGE - Censo Demográfico 2022), que residem nos bairros Água Verde, Campo Comprido, Fazendinha, Guaíra, Parolin, Portão, Santa Quitéria, Seminário e Vila Izabel.
O espaço concentra 27 serviços ofertados pelas secretarias municipais e organismos estaduais, dentre eles a Junta do Serviço Militar, Agência Curitiba, Secretaria Municipal de Finanças (IPTU), Urbs (cartão-transporte), Copel, Sanepar, Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude, Secretaria Municipal da Educação, Instituto de Identificação do Paraná e Secretaria Municipal do Urbanismo.
O fim das filas
Além de levar os serviços para os bairros perto das casas das pessoas, a descentralização também contribuiu para reduzir as filas pelos serviços municipais. Mauro Magnabosco relatou que antes do projeto das ruas cidadanias, o prédio central da Prefeitura era abarrotado de gente. “Tinha fila naqueles nos guichês das finanças, de serviços, principalmente de IPTU”, citou.
OUÇA AQUI
Mauro Magnabosco, arquiteto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).
Ele considera que por todos estes benefícios, as ruas da cidadania podem ser consideradas uma das medidas de maior abrangência do poder público municipal.
“A Rua da Cidadania foi uma jogada maravilhosa, de cidadania mesmo. Por isso que ela se chama Rua da Cidadania. Foi criada exatamente para dar acesso à cidadania, ao serviço público. Essa é a grande pérola do projeto, que acabou sendo um bem comum a todos e dividido por regional”, concluiu.