A Casa da Leitura da Rua da Cidadania do Pinheirinho recebeu uma grande roda de capoeira, na manhã desta quinta-feira (14/11), para celebrar o Mês da Igualdade Racial. Treze crianças e adolescentes que participam da ONG Acepp (Núcleo assistencial a crianças carentes com câncer, leucemia e paralisia cerebral) e fazem aulas com a Associação de Capoeira Arte e Raça, na vila São Carlos do Pinheirinho, dançaram e jogaram capoeira no local.
Antes da capoeira, a programação promovida pela Assessoria de Direitos Humanos – Promoção da Igualdade Racial e Fundação Cultural de Curitiba também contou com a exposição fotográfica Capoeira Patrimônio da Humanidade, do fotógrafo Daniel Rebello, e a exibição de um curta-metragem.
A assessora da Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura, Marli Teixeira Leite, explicou às crianças que agora, no mês de novembro, mais de 150 eventos estão sendo promovidos na cidade para discutir a igualdade racial e combater o preconceito. (Confira aqui a programação completa do município para novembro).
“A Prefeitura fez essa exposição de fotos para divulgar a capoeira, que é uma arte e um exercício físico. A capoeira é uma atividade de resistência. Os negros sempre tiveram a capoeira como forma de se defender, desde a escravidão”, explicou Marli.
Ana Clara da Rosa, 11 anos, faz capoeira há um ano e meio na ONG Accep, com a Associação de Capoeira Arte e Raça, do mestre Emilio José Alves Andrade. “Gostei da exposição, ver que as pessoas antigas já faziam capoeira. Gosto de fazer a luta e a dança que existem na capoeira”, disse Ana Clara.
A mãe dela, Eunice da Rosa, 47 anos, também acompanhou a filha e os netos na Casa da Leitura. Eunice tem dez filhos e 15 netos. A maior parte faz aulas de capoeira com a associação.
“Gosto da capoeira porque dá disciplina para as crianças e uma ocupação para elas. Esses eventos da Prefeitura do Mês da Consciência Negra são importantes para as crianças conhecerem a cultura afro. De onde viemos, quais são nossas raízes”, disse Eunice.
Preconceito
As crianças assistiram ao curta-metragem Cores e Botas, que conta a história de uma menina negra que sonha em ser Paquita (como eram conhecidas as animadoras de plateia do antigo programa de tevê de Xuxa Meneghel). O filme mostra o preconceito e racismo que a menina sofre e por isso não passa no concurso de dança.
“Lutem e nunca desistam dos seus sonhos. Essa reflexão do filme é muito importante. Ser descendente de negros é um orgulho muito grande”, disse Marli.
Festa do Rosário
Nesta quinta-feira (14/11) começa a tradicional Festa do Rosário, que segue até domingo (17/11), no Largo da Ordem. Esta será a décima edição consecutiva da festa, que é promovida pelo Centro Cultural Humaitá - Centro de Estudo e Pesquisa da Arte e Cultura Afrobrasileira e diversos parceiros (saiba mais sobre a festa).
A Prefeitura, por meio da Assessoria de Direitos Humanos – Promoção da Igualdade Racial apoia a Festa do Rosário. Esse ano a novidade será a Feira Literária Afro-paranaense (Flap), que nos quatro dias da festa vai apresentar a produção de livros paranaenses sobre a temática afro.