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Quer começar a ler Dalton Trevisan? Bibliotecas de Curitiba têm 467 exemplares; autor faria 101 anos no domingo

Um dos maiores nomes da literatura brasileira, o curitibano Dalton Trevisan celebraria 101 anos neste domingo (14/6). Ele escreveu mais de 50 livros ao longo da carreira

Bibliotecas de Curitiba têm 467 exemplares de livros do autor Dalton Trevisan. Foto: Cido Marques/FCC (arquivo)

Um dos maiores nomes da literatura curitibana também conta com uma extensa lista de publicações. Dalton Trevisan, que celebraria 101 anos neste domingo (14/6), escreveu mais de 50 livros ao longo da carreira. Para acompanhar essa grande produção, Curitiba também tem números expressivos, com títulos do autor em todas as Casas de Leitura, as bibliotecas municipais. São 467 exemplares de livros do escritor, que ficou conhecido como O Vampiro de Curitiba.

Nas 15 Casas de Leitura e no Bondinho da Leitura, o público encontra muitas publicações de Dalton Trevisan. Inclusive, raridades.

Na Casa da Memória, no Largo da Ordem, há edições publicadas nos anos 1960 e 1970, como Desastres do Amor. Lá também estão algumas traduções de Dalton. O autor já foi editado em Nova Iorque, com uma edição em inglês em capa dura reunindo O Vampiro de Curitiba e outros textos. Há ainda uma versão de Buenos Aires do mesmo livro, lançado em espanhol nos anos 1970.

Quem deseja emprestar os livros, pode ir em qualquer endereço das Casas da Leitura e no Bondinho. É possível encontrar edições antigas e novas de textos que se tornaram clássicos, como A Polaquinha e Em Busca da Curitiba Perdida. A Guerra Conjugal é outro texto marcante, lançado em 1969 e que virou filme, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, de 1975.

O Vampiro de Curitiba

Dalton nasceu em 1925 em Curitiba e viveu até 2024, falecendo aos 99 anos. O autor acompanhou, com olhar crítico, as mudanças da cidade, não apenas no crescimento e infraestrutura, como também nos costumes. Criou personagens intensos inspirados no que via no submundo curitibano. Ganhou renome nacional com seus contos e venceu prêmios como Jabuti, Machado de Assis (da Academia Brasileira de Letras) e Camões. Após seu falecimento, foi condecorado com a Ordem do Mérito Cultural pelo Ministério da Cultura, maior honraria nacional nesta área.

O autor mantinha uma vida mais reclusa e longe da fama. Evitava dar entrevistas e tinha aversão a fotos. Por isso, quase não há registros dele. Dalton Trevisan se confundia com seus personagens peculiares e acabou ganhando o apelido de uma de suas obras: Vampiro de Curitiba. Tinha o costume de reeditar seus livros já publicados, por vezes até tirando trechos, o que dificulta catalogar sua produção.

Para começar a ler Dalton

Quem tem curiosidade pela obra do autor, mas não tem ideia por onde começar, pode seguir algumas dicas. “O Dalton tem uma obra extensa e, ainda que seja muito inovadora, demolidora em termos de linguagem e de tema, geralmente as pessoas ou gostam muito ou têm certa repulsa", explica Amarildo Anzolin, mediador de Leitura do Programa Curitiba Lê. 

Indicações

Para quem nunca leu Dalton
Para quem nunca leu nada de Dalton Trevisan, o mediador indica duas antologias. A primeira, Antologia Pessoal, feita por ele mesmo um pouco antes da sua morte. “Ali, tem um grande apanhado de contos de vários livros, de várias épocas. Tem uma antologia feita por Caetano W. Galindo e Felipe Hirsch, Educação Sentimental do Vampiro”, conta Amarildo.

Um livro imprescindível
Cemitério de Elefantes. “Apesar de ser de 1964, já tem o Dalton com o que a gente passaria a lê-lo até o final da produção, completamente maduro, estabelecido nessa linguagem dele, com temáticas bem curitibanas, personagens típicos da cidade”, disse.

Outo título na lista para quem quer conhecer um pouco mais de Dalton Trevisan é Ah, é?, de 1994. “Dalton sempre foi conciso, mas ele radicaliza ainda mais essa linguagem. Ele acaba desaguando nesse aspecto lírico, tem peças que você pode entender como contos, mas são frases, um certo passeio até pelo haicai, algo bem próximo da linguagem da poesia”.

Um livro com a cara de Curitiba
A obra inteira dele. É quase impossível desgrudar Dalton da obra e de Curitiba. Se for para apontar um, seria O Vampiro de Curitiba, de 1965. “O livro foi resultar na peça O Vampiro e a Polaquinha nos anos 1990, e ali temos um desfile dos cartões-postais de Curitiba – a Ponte Preta, a Praça Tiradentes, vários locais que permanecem até hoje. E sempre com um olhar mais crítico e humor ácido que o caracterizou.”