A expansão da pavimentação em Curitiba não aconteceu por acaso. Ao longo do século 20, o crescimento foi guiado por planejamento urbano, que integrou o sistema viário, o transporte coletivo e a ocupação do território, levando infraestrutura aos bairros de forma organizada.
A história formal do planejamento urbano começa em Curitiba por iniciativa do prefeito Rozaldo de Mello, porém, o primeiro grande marco desse processo foi o Plano Agache, elaborado na década de 1940 pelo urbanista francês Alfred Donat Agache,integrante da Societé Française des Urbanistes e responsável por notáveis trabalhos de planificação de cidades como Dunquerque, Casablanca e Poitiers.
O projeto trouxe uma visão moderna para a época, propondo o ordenamento da cidade por meio do zoneamento e da criação de novas vias para melhorar a circulação.
“O Agache era um plano muito ambicioso, inspirado em modelos europeus e bastante elitizado”, avalia Mauro Magnabosco, arquiteto e ex-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). “Ele previa abrir grandes avenidas e reorganizar completamente a cidade.”
O plano previa a organização de Curitiba em áreas especializadas, como setores industrial, administrativo e educacional, além da implantação de avenidas perimetrais e radiais para enfrentar os problemas de congestionamento que já começavam a surgir na região central.
Criação do Ippuc
Com o rápido crescimento populacional nas décadas seguintes, Curitiba voltou a olhar para o seu futuro. Em 1965, foi criado o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), responsável por estruturar um novo modelo de organização da cidade.
No ano seguinte, foi aprovado o Plano Diretor de 1966, que consolidou uma diretriz inovadora de crescimento linear, orientada por eixos estruturais. A proposta integrou três elementos fundamentais - uso do solo, transporte coletivo e sistema viário - formando a base do modelo urbano que se tornaria referência internacional.
A partir desse planejamento, o asfalto começou a avançar de forma mais consistente para os bairros, acompanhando a expansão da cidade e garantindo melhores condições de mobilidade para as pessoas.
Plano Comunitário de Pavimentação
Ainda na década de 1960, a cidade implantou o Plano Comunitário de Pavimentação, que permitiu que o asfalto chegasse a regiões que ainda não estavam contempladas nos programas tradicionais de obras. O modelo previa a participação dos moradores no custeio das intervenções, com execução e suporte técnico da Prefeitura.
“Esse plano deu uma nova estrutura para Curitiba. Ele distribuiu o crescimento ao longo de eixos urbanos e criou uma rede de serviços que ajudou a organizar a cidade como um todo. Depois do Plano Diretor de 65, a gente conseguiu distribuir e estruturar a cidade como um todo”, relata Magnabosco.
A iniciativa foi decisiva para ampliar a infraestrutura em áreas mais afastadas, reduzindo desigualdades e promovendo melhorias diretas na qualidade de vida. Nos anos seguintes, o modelo também inspirou outras ações, como o Plano Comunitário de Iluminação.
Curitiba com 1 milhão de habitantes
Já na década de 1980, com a cidade atingindo a marca de um milhão de habitantes, novos programas reforçaram a urbanização dos bairros. Entre eles, o Projeto Cura (Comunidade Urbana de Recuperação Acelerada), que integrou pavimentação, drenagem, equipamentos públicos e organização do espaço urbano.
As intervenções ajudaram a estruturar regiões inteiras da cidade, levando infraestrutura completa para áreas em desenvolvimento e consolidando o crescimento urbano de forma mais equilibrada.
Em Curitiba, o Projeto Cura I começou a ser executado em meados de 1985, sob coordenação do Ippuc, com foco na construção de creches e unidades de saúde. Já o Projeto Cura II, iniciado em 1986, ampliou as intervenções urbanas e contemplou grandes obras de pavimentação em bairros como Atuba e CIC.