Ir para o conteúdo
banner

Perfil

Paulo Vitola esperou 60 anos para publicar o primeiro livro

Escritor por vocação e autor por escolha tardia, Paulo Vitola reúne em sua obra memórias, afetos e a alma de Curitiba

Escritor por vocação e autor por escolha tardia, Paulo Vitola reúne em sua obra memórias, afetos e a alma de Curitiba. Curitiba, 08/06/2026. Foto: Cido Marques/FCC

Texto: Cecília Comin (com supervisão de Lila Fachim)
Prefeitura de Curitiba

O escritor Paulo Vitola, convidado do clube de leitura Curitiba Lê Gente Daqui, neste sábado (20/6), às 16h, na Casa da Leitura Wilson Bueno, nasceu na capital paranaense em 1947, quando a cidade tinha menos de 200 mil habitantes, em uma casa na ainda calma e tranquila Alameda Dr. Carlos de Carvalho.

Paulo Vitola é o convidado do próximo encontro do Curitiba Lê Gente Daqui

Embora escreva poemas desde os 14 anos, tornou-se oficialmente autor em 2007, com Chucrute e Abacaxi com Vinavuste. Outros quatro títulos vieram na sequência, entre eles a coletânea de poemas Nada que eu não te daria, que o autor vai debater com o público no Curitiba Lê Gente Daqui.

A motivação para continuar lançando livros veio também da sua chegada à Academia Paranaense de Letras, instituição que presidiu entre 2021 e 2025, e onde ocupa a cadeira nº 25. Ou então, a publicação tardia está na crença de que todos os textos precisam “dormir um pouquinho antes da hora de encontrar o mundo lá fora”.

Vitola se considera um escritor não porque publicou livros, mas porque escreveu a vida toda, quase todos os dias, fossem discos, trilhas sonoras, peças publicitárias ou poemas. E muito antes das publicações veio trabalhos com a música, o teatro, a televisão, a publicidade e até mesmo cargos burocráticos.

Ele viveu a juventude em meio a efervescência das décadas de 60, 70 e 80. Nesses períodos fez parcerias e amizades com grandes talentos curitibanos, como o sambista Lápis (Palminor Rodrigues Ferreira) para quem compôs, com apenas 16 anos, a canção Dia de Arlequim, primeira parceria da dupla.

De smoking no Maracanãzinho


No preview available
No preview available
No preview available
No preview available
No preview available
No preview available
Imagem


A música chegou à final do Festival Nacional de Músicas de Carnaval. A partir de 1965, os dois passaram a se apresentar em festivais por todo o Brasil. Nessa época, chegaram a se apresentar no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, com capacidade para 12 mil pessoas. “Precisei comprar um smoking especialmente para aquele show”, lembra Paulo. 

Lápis ficou no Rio de Janeiro e Vitola passou a se dedicar às próprias produções e à música para a dramaturgia. Em 1972, logo após a inauguração do Teatro do Paiol, trabalhou com o jornalista Adherbal Fortes de Sá e o diretor Sale Wolokita na peça Curitiba Sem Portas, em um momento de transformações urbanas e culturais na cidade e de consolidação da Fundação Cultural de Curitiba. A peça deu origem a um disco compacto com quatro faixas, considerado a primeira produção da FCC.

Paulo Vitola também passou pela Escola de Samba Não Agite, bloco carnavalesco histórico da cidade, onde compôs uma série de enredos. Também dividiu os palcos com o violonista Marinho Gallera no disco Onze Cantos, no Diário de Bordo e no espetáculo Curitiba, Nossa Tribo.

Na televisão, trabalhou durante seis anos na TV Iguaçu. Como publicitário, atuou nas agências P.A.Z., Múltipla, Exclam e Opus Múltipla, além de ter trabalhado em órgãos públicos como Governo do Paraná, Ministério da Agricultura e Secretaria da Comunicação da Prefeitura de Curitiba. Também foi colunista da RPC no projeto Casos e Causos.

O amigo Paulo Lemiski

Outra ilustre amizade foi Paulo Leminski. Em 1965 quando alguns amigos de Vitola eram alunos de Leminski no antigo Curso Abreu, decidiram apresentar os dois Paulos. Naquele dia, Leminski seguia para um treino de judô no Edifício Garcez, e os dois conversaram durante o trajeto e, novamente, ao final do treino.   

O encontro marcou o início de uma amizade e de parceria profissional. Posteriormente, trabalharam juntos em agências de publicidade, e Leminski chegou a confiar a Paulo a publicação de Catatau, sua obra mais emblemática.

Infância livre

Em uma época em que Curitiba tinha poucos automóveis, pôde crescer de forma poética, brincando livremente na rua, andando de bicicleta, além de ir e voltar da escola a pé todos os dias.  

“Eu tive uma infância de verdade. Gostava de brincar com coisas que exigiam a imaginação, me imaginar num outro mundo. Algo que me acompanha, no fundo, até hoje. É o que me leva a escrever”.

Na rua, gostava também de jogar bola e, como tantos, alimentou o sonho de se tornar jogador de futebol. A atração pelo esporte marcou a lembrança das primeiras Copas do Mundo que acompanhou junto da família.

Em 1950, com apenas 3 anos, viu a tristeza do avô após a derrota do Brasil para o Uruguai na final do mundial. Oito anos depois, a alegria do primeiro título da seleção brasileira, transmitido ainda pelo rádio. A tela que conhecia era a dos cinemas de rua, que Vitola frequentava na companhia dos amigos.