Texto: Joao Maximo Salomao Filho
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Jovens atendidos pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Madre Tereza, no bairro Sítio Cercado, visitaram nesta quarta-feira (3/6) o Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná para conhecer a estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e Simepar e aprender como é feito o monitoramento dos eventos climáticos da cidade.
A visita faz parte do projeto-piloto Educação climática e vulnerabilidades: protegendo adolescentes, conhecendo riscos e desastres socioambientais na bacia do Ribeirão dos Padilha, promovido pela equipe do Águas do Padilha, do Departamento de Educação Ambiental, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) em parceria com a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec).
Os jovens foram recepcionados pelo geógrafo e professor da Universidade Federal do Paraná, Pedro Augusto Breda Fontão, que mostrou a eles como funciona o monitoramento climático e os diversos equipamentos como o pluviômetro, que mede as chuvas e o barômetro, que analisa a pressão atmosférica. Os jovens inclusive entenderam como vários conceitos de geografia e física que aprendem no ensino médio são aplicados na vida real e são importantes para a cidade.
Também aprenderam como funciona o clima e o que são fenômenos como o El Niño e as mudanças climáticas que acontecem no planeta. O professor entende que é fundamental aproximar a academia da comunidade. “A estação meteorológica é um grande recurso para a educação ambiental e climática. Mostrando como são medidos os elementos climáticos, pode suscitar nos jovens o interesse pelo tema do meio ambiente”, declara o geógrafo.
Multiplicadores do conhecimento
O chefe de Operações da Defesa Civil de Curitiba, Rodrigo Alípio, afirma que é importante trazer estes jovens para que conheçam a gestão de riscos e prevenção de desastres realizada pela Compdec. “Durante todo o projeto, nós mostramos aos adolescentes como nós coletamos e monitoramos os eventos climáticos, além de termos mostrado como a Defesa Civil atua na fiscalização de produtos perigosos e outras ações. Estes jovens podem atuar como multiplicadores do conhecimento, fortalecendo a resiliência das comunidades nas situações de emergência”, declara Alípio.
A assistente social do Departamento de Educação Ambiental da SMMA, Teresa Nascimento, explica que o objetivo do projeto é estabelecer um processo de formação participativo, que possibilite o engajamento dos jovens alcançando uma efetiva percepção de risco e participação no processo de construção de resiliência frente às mudanças climáticas. “O ensino do clima e dos eventos extremos no âmbito das políticas públicas de assistência social é pertinente e relevante, contribuindo para a formação de cidadãos conscientes”, diz Teresa.
Wander Henrich Echevarria, educador social do CRAS Madre Tereza, explica que os participantes são 16 adolescentes com idades entre 13 e 18 anos, que assim aprendem a pensar na prevenção de acidentes e desastres, dentro de suas realidades. “Fizemos esta parceria com a Defesa Civil e a Secretaria de Meio Ambiente para aproximar o conhecimento científico destes jovens. Mostrar a eles que a prevenção de desastres e a preservação ambiental devem acontecer na região deles, próxima do rio Ribeirão dos Padilha. Eles vão aproximar os conhecimentos que recebem aqui da vida na comunidade”, diz Wander.
A professora Elaine de Cacia de Lima Frick, coordenadora do Projeto Expedições Geográficas do curso de Geografia da Universidade Federal do Paraná, entende que a aproximação dos jovens do CRAS Madre Tereza com a realidade da universidade é fundamental, inclusive para os professores. “Isso nos faz constantemente repensar nossas práticas didáticas, na busca de juntos construirmos coletivamente a ideia de mundo e de vida que queremos para agora e para o futuro Além disso, possibilitar que esses jovens estejam no ambiente universitário, numa conversa com acadêmicos e acadêmicas, entendendo que o ensino superior numa universidade pública é possível para eles, isso alimenta sonhos, muda realidades e transforma futuros,” diz a coordenadora.
Projeto concorre à prêmio
O projeto foi selecionado para a 9ª Campanha Nacional Aprender Para Prevenir Cidades sem Risco, organizado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A campanha visa organizar todas as iniciativas locais de ação de prevenção de riscos de desastres nas diversas localidades do Brasil. A premiação das melhores iniciativas acontecerá em 27 de julho.