Texto: Matheus Hildebrando Neme
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Texto: Matheus Neme (com supervisão de Guilherme Voitch)
Prefeitura de Curitiba
Enquanto Brasil e Noruega se enfrentam pelas oitavas de final a Copa do Mundo de 2026 neste domingo (5/7), às 17h, Curitiba relembra a história de um norueguês que ajudou a moldar a identidade cultural do Paraná. O pintor Alfredo Andersen escolheu a cidade para viver e deixou um legado que permanece vivo mais de um século depois.
Nascido em Kristiansand, no sul da Noruega, Andersen encontrou em Curitiba o cenário para desenvolver a carreira como artista. Foi na capital paranaense que formou gerações de pintores, além de registrar paisagens e personagens do Paraná.
“Alfred Emil Andersen fez um trabalho imenso no desenvolvimento não só de Curitiba, mas do Paraná inteiro. Ele é um ícone”, resume o diretor do Museu Casa Alfredo Andersen, Luiz Gustavo Vidal.
Legado construído em Curitiba
A relação do artista com o Estado começou por acaso. Filho de um capitão da marinha mercante, Andersen viajava pelo mundo quando chegou ao litoral paranaense. A versão mais conhecida da história conta que a embarcação em que viajava precisou permanecer por meses em Paranaguá.
Foi nesse período que conheceu Ana de Oliveira, moradora da Ilha dos Valadares, com quem se casaria e que o faria permanecer definitivamente no Brasil.
Depois de viver cerca de uma década no litoral, mudou-se para Curitiba no início do século 20. Na capital, abriu um ateliê, passou a lecionar desenho e pintura e encontrou espaço para desenvolver um trabalho que ajudaria a estruturar a produção artística do Estado.
Segundo Vidal, a importância de Andersen vai muito além das obras que produziu. Em uma época que a fotografia ainda era pouco difundida, seus quadros registraram paisagens do Paraná, do ciclo da erva-mate e da transformação urbana de Curitiba.
“Ele acabou registrando uma parte do Estado que a fotografia não conseguia naquela época. Esse acervo hoje é uma verdadeira relíquia da nossa história”, afirma.
Foi também em Curitiba que se tornou professor de diferentes gerações de artistas. Seu trabalho como educador lhe rendeu o título de pai da pintura paranaense, já que muitos dos principais nomes das artes plásticas do Estado passaram direta ou indiretamente por sua influência.
Primeiro Cidadão Honorário de Curitiba
O reconhecimento veio ainda em vida. Em 1931, o pintor e professor norueguês tornou-se a primeira pessoa a receber o título de Cidadão Honorário de Curitiba, concedido pela Câmara Municipal.
“Andersen ensinou vários artistas, que depois também ensinaram outros. Se fizermos uma árvore genealógica da arte paranaense, ele está no topo”, explica o diretor.
A ligação construída com Curitiba foi tão forte que, mesmo depois de retornar à Noruega para visitar familiares, Andersen recusou um convite para dirigir a Escola de Belas Artes de Oslo e escolheu voltar ao Brasil.
“Mesmo recebendo um convite para retornar à Noruega, preferiu ficar por aqui. Escolheu Curitiba para viver e construir sua histórica”, destaca Vidal.
Legado vivo
Desde 1915, Andersen viveu e trabalho no imóvel na Rua Mateus Leme que hoje abriga o Museu Casa Alfredo Andersen. O espaço preserva parte do acervo do artista e continua cumprindo uma das missões que marcaram sua trajetória.
Além das exposições, o complexo reúne a Academia Alfredo Andersen, onde cerca de 350 alunos frequentam cursos de pintura, desenho, cerâmica, fotografia e outras linguagens artísticas.
“O maior legado de Andersen foi ensinar. Esse é um museu-escola, algo raro. O que ele começou há mais de um século continua acontecendo todos os dias aqui”, afirma Vidal.
Para o diretor, esse caráter formador faz do local uma referência nacional e mantém viva a contribuição do artista que deixou a Noruega para ajudar a construir a identidade cultural de Curitiba e do Paraná.
Serviço
Museu Casa Alfredo Andersen
Funcionamento: de terça-feira a domingo, das 9h30 às 17h.
Endereço: Rua Mateus Leme, 336 - São Francisco.
Entrada gratuita.