Texto: Roberto da Silva Couto
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Texto: Roberto Couto
Prefeitura de Curitiba
Linhas de crochê e tricô e ingredientes culinários estão ajudando a tratar e a mudar a vida de pessoas atendidas nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) da Prefeitura de Curitiba. Nas Oficinas de Economia Solidária, pacientes de unidades do serviço de saúde mental do município participam de atividades terapêuticas de criação de produtos artesanais, com perspectivas de renda e de retorno ao mundo do trabalho.
As oficinas integram o processo de reabilitação psicossocial de Caps, vinculados à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), mostrando que o cuidado com a saúde mental de pessoas em sofrimento psíquico vai além das consultas, medicamentos e acompanhamento clínico.
“As Oficinas de Economia Solidária materializam o compromisso da Prefeitura de Curitiba com um cuidado humanizado, que reconhece as potencialidades de cada pessoa e valoriza sua participação na sociedade. Cada peça confeccionada, cada conquista e cada oportunidade de geração de renda representam passos importantes na reconstrução da autonomia e da cidadania", destaca a secretária municipal de saúde, Tatiane Filipak.
Cinco experiências
Atualmente, cinco Caps da Prefeitura de Curitiba – vinculados aos Distritos Sanitários do Bairro Novo, Boqueirão, Cajuru, Portão e Santa Felicidade - desenvolvem atividades das Oficinas de Economia Solidária, com participação média de dez usuários por grupo. Entre os produtos confeccionados estão peças de crochê e tricô, tapetes, artigos decorativos, objetos em silicone, plantas ornamentais, como suculentas, e alimentos artesanais, como bolachas.
Segundo a coordenadora de Saúde Mental da SMS, Luciana Sydor, as oficinas permitem desenvolver habilidades que ultrapassam a produção artesanal, como organização do tempo, planejamento, convivência em grupo, responsabilidade e gestão financeira.
“As atividades são conduzidas por profissionais de saúde e integradas ao Projeto Terapêutico Singular (PTS), plano de cuidado elaborado de acordo com as necessidades e potencialidades de cada usuário”, explica Luciana.
Agulhas criativas
No Caps Portão, os encontros semanais do grupo feminino Enlaçadamente ocorrem às sextas-feiras e transformam linhas, agulhas e criatividade em oportunidades de acolhimento, convivência e valorização pessoal. Durante a oficina, as participantes produzem peças em tricô e crochê, como golas, sousplats de mesa, tapetes e panos de prato com acabamentos artesanais.
Para a bancária aposentada S.M.L.L., 61 anos, a participação no Enlaçadamente representa também o reencontro com uma parte importante da própria história. Foi com a mãe, ainda na juventude, que aprendeu a fazer tricô e crochê. “No início, o grupo era um desafio para mim. Agora é um momento de prazer, quando nos encontramos semanalmente, falamos sobre sentimentos e emoções e trocamos experiências”, conta S.M.L.L, que recebe acompanhamento no Caps Portão após enfrentar um quadro de depressão grave.
A assistente social Ataise Pereira da Silva, que orienta as participantes do Enlaçadamente no Caps Portão, acompanha de perto as transformações vivenciadas pelas participantes. “Elas compartilham experiências, conversam sobre sentimentos, desenvolvem habilidades e encontram no grupo um espaço de pertencimento”, frisa ela.
Saindo do forno
Todas as segundas-feiras o cheiro de biscoitos de polvilho no forno toma conta de uma cozinha da Vila Tecnológica, no bairro Sítio Cercado. É neste espaço que pacientes, que integram o grupo Cozinhando para o Bem, participam da Oficina de Economia Solidária do Caps Bairro Novo.
A dona de casa R. L.S, 44 anos, integra o Cozinhando para o Bem e é uma entusiasta da oficina. “Além de aprender a fazer as bolachas, tenho a oportunidade de conversar, fazer amizades e trabalhar junto com as outras meninas. Quando os biscoitos saem do forno, fico muito feliz e orgulhosa de mim mesma”, reconhece R.L.S, que trata de um quadro de esquizofrenia.
A técnica de enfermagem Nirce da Silva de Souza, que orienta a oficina do Caps Bairro Novo, conta que entre o preparo da massa, a modelagem das bolachas e a organização da produção, as participantes compartilham experiências, desenvolvem habilidades e exercitam a cooperação. "É muito gratificante perceber a evolução de cada uma, principalmente quando descobrem que são capazes de produzir e recuperar a confiança em si mesmas', observa ela.
Exposição em feiras
Os resultados das Oficinas de Economia Solidária já ultrapassam os Caps da Prefeitura. A comercialização acontece em espaços públicos, incluindo a tradicional Feira do Largo da Ordem, aos domingos, e em feiras organizadas pela Rede de Saúde Mental e Economia Solidária de Curitiba e Região Metropolitana (Libersol), que ocorrem em bairros da capital e no campus da UFPR no Jardim Botânico. A participação dos grupos dos Caps, nestas feiras, ocorre de forma alternada - a cada um ou dois meses. Do valor arrecadado com as vendas dos produtos, 50% são distribuídos entre os integrantes de cada oficina e os outros 50% destinados à manutenção das atividades.
Rede de Atenção Psicossocial
A Prefeitura de Curitiba conta com 13 Caps, vinculados à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que oferecem um serviço multiprofissional de cuidado aos usuários que apresentam transtorno mental severo ou persistente e/ou fazem uso de álcool e outras drogas. É um serviço de base comunitária, gerenciado pela Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas), que disponibiliza gratuitamente assistência humanizada, para que haja reabilitação e a pessoa volte a se reinserir na sociedade.
São 10 unidades para atendimento à população adulta, um em cada Distrito Sanitário, e outros 3 Caps para atendimento da população infanto-juvenil (Boa Vista, Portão e Pinheirinho).
Além disso, integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) da Prefeitura de Curitiba as 109 unidades de saúde, noves UPAs, seis equipes do Consultório na Rua, duas residências terapêuticas, o Ambulatório Encantar (TEA), a Unidade de Estabilização Psiquiátrica Irmã Dulce, leitos psiquiátricos do Hospital Municipal do Idoso, ambulatórios de psicologia e psiquiatria credenciados e leitos psiquiátricos de hospitais contratualizados.