Texto: Eduardo Martins Amatuzzi
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
As temperaturas voltaram a baixar nesta quarta-feira (22/7) em Curitiba. Para famílias que recentemente conquistaram uma nova moradia por meio de programas habitacionais da Prefeitura, a realidade é completamente diferente da que enfrentavam em casas precárias, marcadas pela umidade, infiltrações e falta de conforto térmico.
Para quem passou anos em moradias improvisadas, a chegada do frio era mais um motivo de preocupação. O vento entrando pelas frestas, o chão úmido e a dificuldade até para tomar um banho quente tornavam os dias de inverno ainda mais difíceis.
A cuidadora de idosos Sônia de Souza, 45 anos, viveu praticamente toda a vida em uma área de risco na Vila Leão, no bairro Novo Mundo. Foi ali que criou os filhos Júlia, hoje com 18 anos, e Samuel, de 8, em uma casa tomada por problemas estruturais.
A residência apresentava infestação de cupins, infiltrações, forro de madeira deteriorado e manchas de mofo nas paredes. Localizada próxima a uma valeta, a moradia sofria com a extrema umidade. O piso bruto chegava a verter água em determinados períodos.
“Nos dias frios era muito difícil. A casa era gelada. A gente improvisou alguns pedaços de isopor para tampar os buracos do forro, mas não adiantava. Saía do banho e entrava aquele vento por cima. Meu marido chegava a dormir de jaqueta e a gente usava muita coberta”, relembra.
As condições da moradia também afetavam a saúde da família. “Eu e as crianças sofríamos muito com rinite e sinusite”, conta.
Nova realidade
Hoje, morando no Residencial Theo Aterino, a realidade é completamente diferente. O conjunto de 240 apartamentos, no Tatuquara, foi entregue em março para inscritos na fila da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) e para famílias de áreas de risco.
“A água do chuveiro é quentinha e sai bastante água. A gente está muito feliz. É dignidade, né? Um lugar quente, limpo. Não tem vento, não tem umidade. Você passa um produto de limpeza e consegue sentir o cheiro. Lá a gente nem sentia. É outra vida”, comemora.
“Mais frio dentro do que fora”
Situação semelhante foi vivida pela técnica de enfermagem Joelma Santos da Silva, 31 anos. Durante sete anos, ela morou em uma casa precária na Vila Divino, próxima ao Rio Atuba.
A residência, construída em madeira e alvenaria, apresentava inúmeras deficiências: frestas nas paredes, telhas quebradas, piso constantemente úmido e infraestrutura precária. “Era mais frio dentro de casa do que fora”, relembra, em tom bem-humorado.
Além do desconforto provocado pelo frio, a rede elétrica improvisada dificultava tarefas básicas do cotidiano. “Quando fazia muito frio, a solução era ficar embaixo das cobertas. A energia caía toda hora. Não dava para usar aquecedor e, se algum vizinho ligasse o chuveiro ao mesmo tempo, acabava a energia também”, conta.
Casas com energia solar
Atualmente, Joelma vive no Residencial Divino II, onde todas as moradias contam com sistema de energia fotovoltaica. Os painéis captam a radiação solar e transformam em energia elétrica de uso doméstico.
Agora, ela pode utilizar chuveiro elétrico, aquecedor e demais equipamentos sem preocupação, além de não ter gastos com a conta de energia.
“Hoje tenho conforto e segurança. Posso tomar um banho quente, usar aquecedor e graças aos painéis solares, a conta de luz vem zerada, não pago nada”, conta animada.
Mais que uma nova casa
As histórias de Sônia e Joelma mostram que a política habitacional vai além da entrega de uma casa. A moradia adequada representa proteção, saúde, conforto e dignidade para famílias curitibanas. Dando continuidade aos atendimentos, em agosto, mais dois novos conjuntos da Cohab serão entregues.
Em pouco mais de um ano e meio, a atual gestão chegará a 1.290 unidades habitacionais entregues, enquanto mais 1.782 moradias estão atualmente em obras e outras 2.456 têm contratação prevista até o final de 2026. O total de 5.549 moradias geradas até o fim do ano representa uma média de aproximadamente 231 moradias por mês.
“Quando falamos em habitação, estamos falando também de qualidade de vida e saúde. Uma casa bem construída protege as famílias do frio, da chuva e da umidade. É a transformação concreta na vida das pessoas. Ainda temos muito a fazer para atender a população que aguarda por uma boa moradia”, destaca o presidente da Cohab Curitiba, André Baú.