Ir para o conteúdo
banner

Diálogos urbanos

Ippuc qualifica demanda do déficit habitacional de Curitiba

Estudo identifica perfil e distribuição da demanda na cidade para subsidiar políticas públicas de habitação de interesse social

Equipe técnica do Ippuc apresentou resultados do estudo de qualificação do déficit habitacional para servidores o Instituto, FAS e Cohab. Curitiba, 03/07/2026. Foto: Ricardo Marajó/SECOM


Localizar e identificar o perfil das famílias afetadas pela falta de moradia em Curitiba. Esses foram os objetivos do estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), para a qualificação do diagnóstico do déficit habitacional da cidade, apresentado para técnicos e servidores do Ippuc, da Fundação de Ação Social (FAS) e da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), nesta sexta-feira, (3/7). Os resultados foram abordados no evento Diálogos Urbanos, que promove periodicamente discussões sobre temáticas do planejamento urbano, e contou com a presença dos presidentes Renan de Oliveira Rodrigues (FAS) e André Baú (Cohab).

“A questão da moradia mobiliza gestores e comunidades mundo afora. Conhecer a complexidade da demanda ajuda a definir as melhores estratégias em cada porção do território. No projeto de lei da revisão do Plano Diretor, estamos propondo diferentes instrumentos urbanísticos para estimular a habitação de interesse social”, explica Ana Zornig Jayme, presidente do Ippuc.

Na adaptação da metodologia aplicada pela Fundação Júlio Pinheiro, a equipe da Diretoria de Informações do Ippuc utilizou dados do CadÚnico, em uma parceria com a FAS. A principal razão do déficit em Curitiba é o alto custo do aluguel, que corresponde a 88% do total de famílias impactadas. A habitação precária – seja por improvisação ou inadequação das construções – responde por 10%.

“O CadÚnico é um banco da dados rico e que pode ser desdobrado em diferentes recortes para a criação de políticas públicas para atender às camadas mais vulneráveis da nossa sociedade”, observa Renan Rodrigues, presidente da FAS.  

O estudo aprofunda a compreensão sobre como o déficit habitacional se manifesta em diferentes regiões da cidade, identificando não apenas sua dimensão, mas também suas características, a distribuição territorial e o perfil das famílias afetadas. A análise permite direcionar políticas públicas de acordo com a realidade de cada território.

Entre os principais resultados, o levantamento mostra que o déficit habitacional apresenta comportamentos distintos conforme sua tipologia. Enquanto os domicílios improvisados concentram-se principalmente na região central, as situações de habitação precária aparecem com maior frequência em áreas de ocupação irregular. Já o ônus excessivo com aluguel e os casos de coabitação estão distribuídos em diferentes bairros da cidade, inclusive em áreas que receberam intervenções habitacionais.

“É importante termos esse olhar sistêmico sobre a questão da moradia e buscar soluções que atendam às famílias mais vulneráveis. Das mais 56 mil famílias na fila da Cohab, 40 mil correspondem à faixa 1 de renda, até R$3.200,00”, avalia André Baú, presidente da Cohab Curitiba.

O trabalho também identificou diferenças no perfil da população conforme cada tipo de déficit. Em linhas gerais, predominam famílias chefiadas por mulheres, com menor renda e maior presença de crianças, embora essas características variem de acordo com a modalidade analisada.

Para alcançar esse nível de detalhamento, o Ippuc desenvolveu uma metodologia baseada na qualificação e no cruzamento de bases administrativas, com processo de geocodificação que permite localizar os domicílios com precisão. 

“O método representa um diferencial em relação a estudos tradicionais, possibilitando identificar a localização exata das famílias e subsidiar futuras ações de busca ativa e implementação de políticas públicas”, explica Mônica Máximo da Silva, diretora de Informações do Ippuc.

Além de contribuir para o planejamento das políticas habitacionais, o levantamento abre novas possibilidades de pesquisa. A próxima etapa prevê o estudo da inadequação habitacional e a realização de análises integradas com indicadores de educação, saúde, infraestrutura urbana e vulnerabilidade social, ampliando o entendimento sobre a relação entre moradia e qualidade de vida.