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Todos por elas

Guardas se especializam no atendimento à mulher vítima de crime

Referência no trabalho, Patrulha Maria da Penha de Curitiba capacita efetivo de outros municípios.

Patrulha Maria da Penha, capacita guardas municipais de São José do Rio Preto, Araucária e Camboriú. Curitiba 02/10/2019. Foto:Ricardo Marajó/FAS

 

Um grupo de 44 guardas municipais de Curitiba, Araucária, São José dos Pinhais, São José do Rio Preto e Balneário Camboriú passa por uma capacitação direcionada a atendimentos de situações que envolvem violência contra a mulher.

Até sexta-feira (4/10), eles participam de palestras e troca de experiências com representantes dos órgãos que compõem a rede de proteção à mulher na cidade. Coordenado pela Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal, o curso é voltado à preparação de profissionais para que o socorro à vítima ocorra da forma mais profissional e qualificada possível. 

“Queremos disseminar a cultura e a postura da Guarda de Curitiba no atendimento a esse tipo de trabalho tão importante”, destaca o diretor da Guarda Municipal, Carlos Celso dos Santos Junior. 

Considerada referência nacional na área, a Patrulha Maria da Penha de Curitiba foi pioneira na atividade. Criada em 2014, já capacitou profissionais de mais de 20 cidades brasileiras.

“Abordamos o enfrentamento às diferentes formas de violência contra a mulher, que pode ser física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral”, aponta a inspetora da GM Cleusa Pereira, consultora da Patrulha Maria da Penha. 

O problema, nacional, faz parte da rotina dos guardas municipais. A inspetora Cleusa lembra que, segundo o Mapa da Violência, a cada 24 segundos uma mulher é espancada no Brasil.

“É necessário desconstruir a banalização da violência na sociedade, com esforços e articulação dos diversos órgãos públicos em conjunto com a população”, diz ela.

O grupo que integra a Patrulha Maria da Penha acompanha os casos de mulheres com medidas protetivas concedidas pelo Poder Judiciário. Todo o efetivo da GM pode atender uma situação de emergência, quando a vítima pede ajuda pelo telefone 153, do Centro de Operações da Defesa Social (Cods).

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Aspectos legais, operacionais e administrativos são abordados no curso, que tem a participação de servidores do Tribunal de Justiça, Delegacia da Mulher, Assessoria de Políticas Públicas para Mulheres, Casa da Mulher Brasileira, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil e Defensoria Pública. 

“Demonstrar um acolhimento humanizado, não julgar e estabelecer um elo de confiança são imprescindíveis para o bom trabalho”, destaca a inspetora Cleusa.

O diretor da GM de São José do Rio Preto, Silvio Pedro, passa pelo curso. “Nossa intenção é implantar a Patrulha Maria da Penha até o fim do ano e os guardas que hoje estão aqui serão multiplicadores desse conhecimento, para que todos saibam como agir”, afirma. 

Para a guarda municipal Edna Schamne Barbosa, de Araucária, a questão cultural é o que mais preocupa e os profissionais de segurança tem um papel importante nesse aspecto. “O curso não é apenas sobre leis, mas como olhar para a vítima do crime, ajudá-la na compreensão dos riscos que ela corre e entender como funciona a estrutura de atendimento”, opina.