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Patrimônio cultural

Fundação Cultural transfere prensa histórica e ateliês de gravura para Casa Azul, no Largo da Ordem

Prensa do século XIX é desmontada para mudança. Curitiba 10/03/26. FOTO: Luiz Pacheco/FCC

A Fundação Cultural de Curitiba está fazendo os últimos preparativos para a inauguração da Casa Azul, um dos prédios históricos do Largo da Ordem onde passará a funcionar os ateliês dos cursos de gravura da cidade. A abertura acontece na próxima terça-feira (17/3), com a presença do prefeito Eduardo Pimentel, que assinará a ordem de serviço para o início das obras de restauro e modernização do Solar do Barão.

A mudança dos ateliês de gravura integra a reorganização das atividades artísticas que funcionavam no Solar do Barão, importante complexo cultural no Centro da cidade que será restaurado. O Solar reúne equipamentos culturais de referência em Curitiba, como a Gibiteca, o Museu da Gravura, o Museu da Fotografia e diversos ateliês artísticos da Fundação Cultural de Curitiba.

Com as obras previstas para o local, as atividades foram temporariamente redistribuídas para imóveis históricos do entorno do Largo da Ordem, como a Casa Azul que passa agora a concentrar os ateliês de Litografia, Impressão em Metal e Xilografia, garantindo a continuidade dos tradicionais cursos de gravura da Fundação Cultural, responsáveis por formar gerações de artistas da cidade.

Prensa do Barão

Na mudança, um dos principais destaques é a histórica prensa de gravura do final do século 19, que já foi transportada para a “nova casa”. O equipamento, com cerca de uma tonelada de ferro fundido, foi totalmente desmontado e cuidadosamente transferido para o casarão histórico, ao lado da Galeria Júlio Moreira, esquina com Travessa Nestor de Castro.

A prensa da marca Krause foi encomendada originalmente pelo próprio Barão do Serro Azul diretamente da cidade alemã de Leipzig para a Impressora Paranaense. O equipamento foi doado à Fundação Cultural de Curitiba, na década de 1970, e se tornou peça das atividades de gravura da cidade.

Pela prensa já passaram inúmeros trabalhos que fazem parte da memória gráfica da cidade, desde rótulos de erva-mate produzidos e exportados pelo Barão do Serro Azul até as embalagens das tradicionais Bala Zequinha, e mais recentemente obras produzidas nos cursos de gravura do Solar do Barão. 

Para Lourenço Duarte, impressor de gravura da Fundação Cultural de Curitiba há mais de 30 anos, preservar e manter em funcionamento um equipamento histórico como esse é fundamental para a formação artística. 

“Curitiba tem uma ligação muito grande com as artes gráficas e manter esse equipamento ativo cria oportunidades para artistas e estudantes terem contato direto com uma das bases da produção visual”, afirma Lourenço. 

No Brasil, existem pelo menos cinco prensas históricas de gravura ainda em atividade, sendo uma delas a Krause, da Fundação Cultural de Curitiba. O conjunto de equipamentos, ferramentas e materiais preserva técnicas tradicionais de impressão e permite aos alunos entrar em contato com processos que atravessam séculos da história da arte.

A gravura é uma técnica artística que consiste na criação de imagens por meio da transferência de tinta a partir de uma matriz. As impressões podem ser feitas em diferentes materiais, como madeira, metal e pedra. A Fundação Cultural de Curitiba é reconhecida pela preservação dessas técnicas tradicionais.

Além da prensa centenária, os ateliês também abrigam um acervo raro de pedras de litografia. São mais de 400 peças utilizadas na técnica, muitas delas de origem alemã. Segundo Maria Lucia de Julio, uma das orientadoras dos cursos do ateliê de gravura da FCC, o conjunto de pedras é patrimônio das artes gráficas. “O acervo de pedras para litografia da FCC tem mais de 400 itens, sendo a maioria de origem alemã", disse.