Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
O frio levou 1.675 pessoas aos abrigos da Prefeitura de Curitiba na noite desta segunda-feira (10/8) e madrugada de terça-feira (11/8). Esse é o maior número de pessoas acolhidas nas unidades do município numa única noite desde a criação da Fundação de Ação Social (FAS), em 1993, responsável pelo atendimento à população em situação de rua.
Na mesma noite, a FAS também registrou o maior número de abordagens sociais em um único período, foram 359 atendimentos. Desse total, 181 foram feitas a partir de solicitações recebidas pela Central 156, 173 por busca ativa, quando as equipes percorrem as ruas para localizar pessoas que precisam de atendimento, e 5 a partir de pedidos feitos diretamente à FAS.
De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a temperatura mínima registrada em Curitiba foi de 7,7°C, com sensação térmica de 4,5°C.
Desde a noite de domingo (9/8), a FAS intensificou os serviços de abordagem social e acolhimento devido à queda das temperaturas. O trabalho segue pelo menos até esta terça-feira (11/8), quando a previsão ainda indica temperaturas abaixo de 8°C, o que aumenta o risco de hipotermia.
O número de pessoas acolhidas supera o recorde registrado, também em 2026. No dia 22 de julho, 1.673 pessoas buscaram os abrigos do município para se proteger do frio.
“Estamos nas ruas 24 horas por dia para ofertar serviços, principalmente o de acolhimento, para proteger ainda mais as pessoas em situação de rua e evitar o risco de hipotermia. Não podemos perder ninguém para o frio”, explica o presidente da FAS, Renan de Oliveira Rodrigues.
Ações intensificadas
As ações intensificadas fazem parte da Operação Inverno, lançada pela Prefeitura de Curitiba em 15 de maio, com apoio da Defesa Civil do município. Desde o início da operação, a FAS já realizou 23 ações intensificadas.
Nessas ações, 19 equipes de abordagem social trabalham das 18h à 1h. Desse total, dez são mobilizadas para a Regional Matriz, onde há maior concentração de pessoas em situação de rua, e outras nove atendem as demais regiões da cidade.
Nos demais horários, o atendimento permanece ininterrupto, 24 horas por dia, por meio da Central de Encaminhamento Social (CES), com apoio dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) durante o dia.
Busca ativa
Durante as abordagens, além de oferecer vagas de acolhimento, as equipes orientam as pessoas sobre os serviços disponíveis e realizam os encaminhamentos necessários para a rede de proteção social do município.
Das 359 abordagens realizadas na noite de segunda-feira (10/8) e madrugada de terça-feira (11/8), 317 foram a homens, 38 a mulheres e 4 a pessoas trans. Em 87 chamados recebidos pela Central 156, as equipes foram até os endereços indicados, mas não localizaram ninguém.
Entre as pessoas abordadas, 144 aceitaram encaminhamentos. Desse total, 130 foram levadas para unidades de acolhimento, cinco para Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), 4 para Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e 6 para Centros de Referência para a População em Situação de Rua (Centros Pop), 3 deles localizados em municípios da Região Metropolitana de Curitiba. Uma pessoa decidiu retornar para a família após conversar com as equipes. As equipes também cadastraram 3 pessoas que ainda não eram atendidas pela FAS.
Outras 215 pessoas abordadas não aceitaram o encaminhamento para os abrigos, onde são oferecidos cama, alimentação e espaço para higiene. Destas, 161 receberam orientações sobre os riscos de permanecer expostas ao frio. As outras 54 se recusaram a conversar com os educadores sociais.
Para as pessoas que decidiram por permanecer nas ruas e estavam com pouco agasalho, as equipes distribuíram 120 cobertores e 41 mantas térmicas.
Atendimento social
Mais do que oferecer alimentação e um local protegido para dormir, a rede de acolhimento do município desenvolve um trabalho voltado à superação das situações de vulnerabilidade. A partir de um acompanhamento individualizado, as pessoas podem ser encaminhadas para diferentes políticas públicas, de acordo com suas necessidades, como emissão de documentos, acesso à saúde, tratamento para dependência química, qualificação profissional e reinserção familiar.
Curitiba conta atualmente com 1.769 vagas de acolhimento distribuídas em 33 unidades próprias e parceiras. Se necessário, a Prefeitura pode acionar o Plano de Contingência Municipal, com a abertura de abrigos provisórios em espaços públicos ou comunitários.
Como ajudar
A população também pode ajudar a proteger pessoas em situação de rua durante os dias de frio. Ao identificar alguém exposto às baixas temperaturas, o cidadão pode solicitar atendimento pela Central 156, por telefone, site ou aplicativo.