Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
A 124º reunião do Fórum Nacional de Secretários, Secretárias e Dirigentes de Mobilidade Urbana, na Arena da Baixada, chegou ao fim na tarde desta quinta-feira (26/3) com discussões sobre financiamento para aquisição de frota elétrica pelos municípios, a importância da bilhetagem eletrônica própria, a criação do Sistema de Informações de Mobilidade Urbana (Simu) e as escolas de trânsito.
O evento, de dois dias, foi promovido pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e pela Urbanização de Curitiba (Urbs) e reuniu de 223 pessoas, entre secretários, especialistas em transporte e representantes de empresas de 75 cidades brasileiras.
O avanço da bilhetagem eletrônica própria dos municípios e a criação de um banco de dados do setor - o Sistema de Informações de Mobilidade Urbana (Simu) - são alguns dos desafios enfrentados pelos municípios no âmbito do novo Marco Legal do Transporte, que visa reformular as regras do setor de mobilidade no Brasil, com foco em financiamento, qualidade e transparência, segurança jurídica, regulação.
“Com o Marco Legal, os municípios precisarão ter uma bilhetagem própria e é necessário que as cidades se preparem para essa nova fase. O Sistema de Informações de Mobilidade Urbana, por sua vez, vai exigir uma padronização de dados e informações”, disse Ogeny Pedro Maia Neto, presidente do Fórum e da Urbanização de Curitiba (Urbs).
Durante o painel sobre o tema, a assessora para Assuntos de Transporte do Rio de Janeiro, Maina Celidônio, e o assessor de tecnologia e bilhetagem da SP Trans, Sergio Rodrigues Ivanov, apresentaram o sistema de bilhetagem eletrônica de suas cidades. Os dados de Curitiba foram compartilhados pelo presidente da Urbs, que destacou a autonomia no planejamento de transporte, transparência e inteligência de dados.
Simu
João Lucas Albuquerque, gerente de mobilidade da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), fez um retrospecto dos trabalhos para a implantação do Simu e os próximos passos, em parceria com municípios, Ministério das Cidades e Banco Mundial. O projeto-piloto está sendo testado em 14 cidades e a próxima fase que será a padronização dos dados.
Antes desse tema, representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) apresentaram programas de financiamento e modelagens de parcerias público-privadas para infraestrutura de transporte urbano e ações de descarbonização da frota.
Escolas de trânsito
O papel das escolas públicas de trânsito dentro do que estabelece a Resolução 1020/2025, do Conselho Nacional de Trânsito, foi o tema do sexto e último painel do Fórum Nacional de Mobilidade Urbana.
A recente norma que trata, entre outros temas, da formação de condutores, tem desafiado os órgãos de trânsito em todo o país.
A diretora de Operações do Detran/PR, Viviane da Paz, foi uma das participantes do painel que teve como mediadora a diretora da Escola Pública de Trânsito de Curitiba, Melissa Puertas. Paz falou das mudanças de paradigma que a resolução impôs, da importância das escolas públicas de trânsito e da participação dos municípios.
O presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Trânsito, Danilo Oliveira Costa, aposta na formação de parcerias, reforçando que as escolas públicas não precisam trabalhar sozinhas. “Temos que formar pedestres e ciclistas, não apenas motoristas”, observou Costa.
O presidente do Fórum Nacional de Secretários, Secretárias e Dirigentes de Mobilidade Urbana e da Urbanização de Curitiba (Urbs), Ogeny Pedro Maia Neto, defendeu que as escolas participem do planejamento estratégico sobre o tema.
De acordo com Danilo Costa, a norma propõe uma oportunidade estratégica. “As escolas públicas de trânsito podem ir além da formação. Precisamos de um exército de pessoas para construir um trânsito mais seguro e civilizado.”
No encerramento do painel, a diretora Melissa Puertas convidou a todos para que continuem trabalhando na perspectiva da nova resolução. “Vamos salvar vidas juntos e fazer a diferença”, concluiu.