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CRAS em foco

Formação intensiva promove a qualificação dos atendimentos sociais

Encontro reúne 200 servidores da FAS no Parque Barigui para revisar práticas, alinhar conceitos e fortalecer o trabalho com famílias nos territórios

Qualifica CRAS. Curitiba, 10/04/2026. Foto Sandra Lima

Curitiba recebe nesta sexta-feira (10/4) uma imersão técnica que mira a base de sua rede de proteção. Desde o início da manhã, o evento “Qualifica CRAS” reúne cerca de 200 servidores da Fundação de Ação Social (FAS) no Salão de Atos do Parque Barigui. A proposta é revisar métodos, corrigir distorções operacionais e reposicionar o papel dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) na capital.

O "Qualifica CRAS" faz parte de um cronograma da Diretoria de Proteção Social Básica da FAS para 2026. Somente no primeiro trimestre, seminários e capacitações já mobilizaram cerca de 340 profissionais da rede curitibana.

Durante a abertura, o presidente da FAS, Renan de Oliveira Rodrigues, destacou o impacto do novo cenário orçamentário para a estruturação dos serviços. A meta da gestão é transformar o atendimento episódico em um modelo que fortaleça a autonomia das famílias. 

“Estamos diante de um avanço importante com a aprovação, em primeira votação, da garantia de 1% para o SUAS (Sistema Único de Assistência Social). Isso dá previsibilidade e segurança para a política de assistência social. É um recurso que precisa estar assegurado para quem mais precisa. Aqui em Curitiba, esse movimento se conecta com um objetivo claro da nossa gestão em retomar e fortalecer a proteção social básica, com CRAS mais estruturados e capazes de atuar de forma contínua nos territórios. Esse é o legado que estamos construindo”, afirmou Rodrigues.

As atividades, que seguem até as 17h, articulam teoria e prática para enfrentar um desafio crônico: a fragmentação dos atendimentos. O objetivo é migrar de um modelo muitas vezes restrito à concessão emergencial de benefícios para uma atuação preventiva e contínua.

Um ajuste de rota necessário

Parte dos CRAS ainda opera de forma reativa, respondendo a demandas imediatas sem consolidar estratégias de acompanhamento familiar de longo prazo.

Para inverter essa lógica, o foco do treinamento está no Trabalho Social com Famílias e Territórios (TSFT), o eixo central da Proteção Social Básica do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). A abordagem segue as diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente, focando em desafios reais do cotidiano e fugindo de conteúdos puramente teóricos.

Da reflexão à aplicação prática

O período da manhã foi dedicado à palestra “Arrumando a Casa: o CRAS que queremos”, ministrada pela especialista Ana Maria Franchi Pincolini, psicóloga e mestra, com experiência em equipamentos como CRAS e CREAS. Atualmente gestora do SUAS em Caxias do Sul e consultora técnica, é autora do livro Psicologia que sobe morro e desce ladeira, obra de referência para a atuação em contextos de vulnerabilidade social.

Segundo Ana Maria, o amadurecimento do sistema exige um olhar atento às novas configurações de acolhimento.

“A proteção especial não é novidade; o acolhimento de crianças e adolescentes existe há muito tempo, apenas com outros nomes. Estamos construindo um cuidado com as relações, um trabalho social com as famílias”, ressaltou Ana Maria.

No período da tarde, o debate avança para o tema “No miudinho do PAIF: revisitando conceitos e práticas”. O foco é a revisão técnica do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), a principal oferta dos CRAS. O encerramento contará com uma rodada de perguntas e respostas mediada pela diretora Cintia Aumann, permitindo que as equipes alinhem interpretações e tirem dúvidas operacionais.