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Para o cidadão

Fiscais do Urbanismo se atualizam para garantir eficiência e segurança nas abordagens

Distribuídos em três turmas de 20 fiscais cada uma, os participantes começaram a passar por 30 horas de aulas teóricas e práticas ministradas por instrutores da Guarda Municipal

Urbanismo atualiza conhecimentos da equpe de fiscalização. Curitiba, 23/09/2026. Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM

Sessenta servidores que atuam no Departamento de Fiscalização da Secretaria Municipal do Urbanismo (SMU) estão se atualizando sobre defesa pessoal e técnicas de abordagem – conhecimentos úteis no dia a dia de quem tem a atribuição de inspecionar locais como bares, casas noturnas e pontos de comércio ambulante. Organizada pela Secretaria Municipal da Defesa Social e Trânsito (SMDT), a capacitação começou nesta quarta-feira (23/9).

Distribuídos em três turmas de 20 fiscais cada uma, os participantes começaram a passar por 30 horas de aulas teóricas e práticas ministradas por instrutores da Guarda Municipal (GM), sob a coordenação do Supervisor Charles. Para isso, usam uma das salas de aula e a área externa do Centro de Formação e Aperfeiçoamento da corporação, na Cidade Industrial.

A equipe da GM caprichou nos efeitos realistas da aprendizagem, criando ambientes e interpretando personagens semelhantes aos que os fiscais encontram na rotina de trabalho. Isso porque, depois de receberem o conteúdo teórico inicial do primeiro dia da capacitação, eles convocaram os alunos para se organizarem em duplas e demonstrarem o que aprenderam em duas situações aparentemente simples.

Teoria na prática

Primeiro, sem auxílio da GM ou da Polícia Militar (PM), tiveram de abordar um ambulante totalmente irregular. Sem autorização para trabalhar em nenhum ponto da cidade, ele vendia na rua espetinhos de carne - alimento de comercialização proibida até mesmo para um vendedor ambulante autorizado – e se comportava de maneira agressiva. Para dificultar a abordagem, os servidores tinham de lidar com uma pessoa da comunidade que apoiava o ambulante ilegal e compartilhava a situação, ao vivo, nas redes sociais.

A seguir, novamente sozinhos, precisaram atender a uma denúncia de som alto em um estabelecimento com autorização para funcionar apenas como mercearia. Proprietário e frequentadores eram hostis e também tinham o apoio de uma pessoa da comunidade compartilhando o ato legal do poder público nas redes sociais como se fosse uma ação irregular. Além disso, com a presença de um bebê, o local vendia bebida alcoólica.

De acordo com os conhecimentos recebidos e a experiência profissional, cada dupla deu a solução cabível para cada caso. Para a diretora de Fiscalização e fiscal de carreira da SMU, Jussara Carvalho, a experiência é importante para toda a equipe. “Dos cerca de 500 pontos de comércio em geral vistoriados a cada mês, entre 10% e 15% apenas são regulares. E quem está irregular reage de uma maneira, muitas vezes com agressividade, mas não podem impedir que o nosso trabalho aconteça e em segurança”, disse Jussara.

Impacto

A oportunidade oferecida está agradando aos fiscais. “Acho muito bom para a gente sair da rotina e pensar sobre o nosso trabalho. Temos que ter postura porque ninguém gosta de ser fiscalizado e muitos querem nos enfrentar”, disse Sylvia Zanello, que tem 14 anos na carreira. Com apenas dez meses na equipe da SMU, Luan Nicoletti definiu a capacitação como “útil e enriquecedora”.

Parceiro de Nicoletti na abordagem simulada, Cassius Frederico Olivotto é fiscal há 3 anos e passou por situações marcantes, onde o treinamento conta. Em uma delas, viu um ambulante ilegal, que não estava no local quando a equipe chegou, acertar pedradas no veículo onde foram recolhidos produtos que ele vendia sem autorização e colocados sobre um “paraquedas”. Esse é o nome dado ao tecido com cordas nas pontas e que serve para recolher o material quando a fiscalização se aproxima.

O agressor fugiu em seguida. “Se estivesse ali quando chegamos, teríamos conversado com ele e explicado a situação, como estamos treinando aqui. Ainda bem que ele não investiu contra nós. Deu medo”, recorda.