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Dados e evidências

Estudo do Ippuc aponta potencial de ampliação do programa Armazém da Família

Análise de dados em multidomínio fortalece ações intersetoriais na gestão pública

Estudo do Ippuc levantou as oportunidades de ampliação do atendimento da rede de Armazéns da Família. Equipes da FAS, SMSAN e SMS acompanharam a apresentação no Hipervisor Urbano. Foto: Divulgação

Um estudo desenvolvido pelo Hipervisor Urbano, diretoria do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), analisou o funcionamento e o perfil de usuários das lojas do Armazém da Família entre agosto de 2024 e agosto de 2025, contribuindo para identificar oportunidades de ampliação e qualificação do atendimento. A pesquisa envolveu uma força-tarefa intersetorial entre Ippuc, Fundação de Ação Social (FAS), Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN) e Secretaria Municipal da Saúde (SMS), consolidando bases de dados e cruzando informações para compreender o perfil dos usuários, a distribuição territorial das lojas, a frequência de compras e o potencial de alcance do programa.

Criado há mais de quatro décadas, o programa Armazém da Família tornou-se uma das principais referências do país no acesso subsidiado a alimentos de qualidade para famílias de baixa renda. Atualmente, a cidade possui um dos menores índices de insegurança alimentar urbana e de deserto alimentar (9,7%) entre as capitais brasileiras, segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento Social. O estudo reforça o compromisso da administração municipal em manter Curitiba como referência na área. 

“O desafio da segurança alimentar é permanente. Precisamos compreender onde estão os equipamentos, quem é o público prioritário e como avançar para garantir que as políticas públicas cheguem a quem mais precisa”, destacou Leverci Silveira Filho, secretário municipal do Abastecimento e Segurança Alimentar.

Os resultados da primeira etapa do estudo foram apresentados nesta quinta-feira, (28/5) para ele e para o presidente da FAS, Renan de Oliveira Rodrigues, além das equipes técnicas das áreas envolvidas e também da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A presidente do Ippuc, Ana Zornig Jayme, ressaltou a importância da integração entre diferentes setores da Prefeitura para aprimorar a tomada de decisão.

“A gestão pública eficiente depende da capacidade de olhar os desafios de forma integrada, utilizando dados e evidências para orientar políticas públicas mais assertivas, humanas e eficazes”, afirmou.

Estudo

O levantamento exigiu quase um ano de trabalho técnico para qualificação e limpeza das bases de dados, utilizando informações do Cadastro Único (CadÚnico), do sistema de atendimento 156, da plataforma Ciss Poder e dos registros das lojas do Armazém da Família. A partir da análise multidomínio, foi possível desenvolver um painel de monitoramento que permitirá análises permanentes da equipe técnica.

Durante o período analisado, Curitiba tinha 35 lojas do Armazém da Família. Hoje são 33 unidades. No estudo, foram identificadas 634 mil famílias cadastradas no sistema, sendo cerca de 110 mil famílias ativas. Destas, aproximadamente 15 mil utilizam vales concedidos pela FAS, SMSAN e Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) para aquisição de alimentos.

Os dados revelam características importantes do público atendido. Cerca de 75% das compras são realizadas por mulheres e 37% dos compradores são idosos. Entre as famílias ativas, 18% não possuem renda e 20% vivem com renda inferior ao valor médio da cesta básica. Além disso, 69% dos usuários realizaram pelo menos 12 compras ao longo do ano analisado, indicando utilização contínua do programa.

A análise territorial apontou maior frequência de utilização nos bairros Tatuquara, CIC, Cajuru e Sítio Cercado. A loja mais acessada está localizada no Pinheirinho, seguida pelas unidades instaladas em terminais do Boqueirão, CIC e Matriz, evidenciando a importância da integração entre mobilidade urbana e acesso aos equipamentos públicos.

O cruzamento das informações com o CadÚnico também permitiu identificar oportunidades de ampliação do atendimento. Cerca de 28 mil famílias aparecem simultaneamente nas duas bases de dados, enquanto aproximadamente 162 mil famílias constam apenas no CadÚnico e não acessam atualmente o programa. Entre essas famílias, 46% recebem algum benefício social e 34% possuem renda inferior ao valor médio da cesta básica.

Outro dado relevante aponta que aproximadamente 58 mil famílias já tiveram cadastro no Armazém da Família, mas ficaram inativas durante o período de análise. As informações permitirão o desenvolvimento de estratégias para reaproximação desse público e ampliação do acesso aos equipamentos. 

“Ter uma leitura mais precisa dos dados permite aperfeiçoar continuamente as políticas públicas e direcionar os esforços de forma mais eficiente para as famílias que mais necessitam”, disse Leverci Silveira Filho.

Economia para as famílias

Atualmente, os Armazéns da Família oferecem cerca de 300 itens comprados via licitação, com preços, em média, até 30% menores que os praticados pelo mercado convencional, mediante subsídio da Prefeitura de Curitiba. O programa garante uma economia significativa para as famílias atendidas, representando aproximadamente metade do valor médio da cesta básica comercializada na cidade.

Além da consolidação do diagnóstico, o estudo resultou na criação de um painel que permitirá monitoramento contínuo, identificação de tendências e desenvolvimento de novas análises para apoiar as decisões da administração municipal.

“A iniciativa utiliza inteligência de dados para ampliar a inclusão social, combater a insegurança alimentar e promover mais qualidade de vida para a população curitibana”, avaliou Renan de Oliveira Rodrigues, presidente da FAS.