Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
A servidora Ailema de Fátima Ihon trabalha na Prefeitura de Curitiba desde 1992 e tem estado atenta ao tempo que falta para poder se aposentar. “Tenho pelo menos dois anos e meio pela frente”, diz. Para se aposentar com tranquilidade, há um tempo, ela tem guardado parte do que ganha mensalmente.
“Fiz um planejamento para não me apertar. Quero estar tranquila quando decidir me aposentar”, declara. Ailema escolheu guardar o dinheiro das licenças-prêmio que recebeu em dinheiro e investir em sua moradia. “Ter a minha casa me dá mais tranquilidade quando penso na aposentadoria. A Prefeitura de Curitiba me ajudou a fazer esse pé-de-meia”, comemora.
A licença-prêmio é concedida quando o servidor completa cinco anos trabalhados (desde que tenha ingressado no quadro até 2018). O benefício consiste em uma licença especial remunerada de 90 dias. Desde 2022, a Prefeitura de Curitiba dá a opção ao servidor de concorrer ao recebimento das licenças que não tirou, conforme regras estabelecidas anualmente.
Além da sua casa, Ailema quer terminar de pagar os empréstimos que fez.
Um degrau de cada vez
Na avaliação do especialista em educação e planejamento financeiro Ivan Guerro, Ailema está no caminho certo. Ele foi um dos palestrantes na primeira edição do programa Preparando o Futuro, realizado pelo IPMC (Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba), em abril. Guerro é gerente de Relacionamento Institucional da 4 Um Investimentos.
“A chave para uma aposentadoria tranquila é preparação, planejamento, constância. O comportamento que temos é o que define a nossa vida financeira, não necessariamente quanto ganhamos por mês”, analisa Ivan. “Aposentadoria é uma construção de longo prazo, comece o quanto antes”, incentivou ao falar ao grupo de servidores.
Ivan convidou os participantes a refletir sobre o significado da aposentadoria individualmente, incentivou o caminho da sustentabilidade financeira, ou seja, gastar de acordo com quanto cada um ganha, e clareza de onde cada um quer chegar. “Se preciso, reavalie seus planos”, falou.
Ele observa ainda que a sustentabilidade deve estar no centro da conquista. “A saúde financeira depende de atitudes em relação ao dinheiro. Tudo tem um processo. As pessoas veem o começo e veem o fim, e não querem olhar para o caminho que é preciso percorrer”, diz. “Saúde financeira requer decisões conscientes todos os dias. É preciso ter uma vida sustentável no presente”, reforça.
Ivan deu algumas dicas que podem ser aplicadas no dia a dia, como não tomar decisões financeiras pela emoção e imediatismo; não comprar ou investir somente por desejo; evitar compras de alto valor, sem planejamento; gastar com sabedoria, sem deixar de viver o presente.
Segundo o especialista, no Brasil, é muito forte a cultura do parcelamento. “Nós realizamos sonhos pelo endividamento, e não pelo planejamento, diferente de outros países, outras culturas”, compara.
Embora os servidores mais antigos possam se aposentar recebendo mais do que o teto do regime geral de previdência social (R$8.475,55), desde 2018, os que ingressam na carreira como servidores públicos de Curitiba têm assegurado o teto do RGPS.
O especialista lembra que o teto do regime geral em 1970 era de 20 salários mínimos. Em valores atuais isso seria o equivalente a R$ 32.420. Hoje são 5,2 salários.
Continuar trabalhando ou não
Ivan Guerro destaca que algumas pessoas optam por outras atividades após a aposentadoria que possam ser uma fonte de renda. Ele analisa que a pessoa que chega saudável financeiramente e emocionalmente pode decidir se quer continuar trabalhando ou não.
“É um orgulho chegar à aposentadoria podendo ser livre, com dignidade, e tomar a sua decisão. Nem todos que se aposentam precisam continuar trabalhando. A gente pode se ocupar de algo que faça sentido e que traga alegria”, completa.
Ivan Guerro aponta que outro ponto a ser levado em conta é a expectativa de sobrevida a partir da aposentadoria. “Hoje, no Brasil, ela é de 18 anos em média, para quem chega aos 65 anos, ou seja, a pessoa deverá viver mais 18 anos”, afirma.
Gastos continuarão existindo
Chefe do Núcleo de Gestão de Pessoal – Central, unidade da Secretaria de Gestão de Pessoal, Ailema Ihon tem contato direto com servidores de diversas secretarias.
“Muita gente quer se aposentar, mas não pensa que os gastos vão continuar existindo. E à medida que envelhecemos, temos mais gastos com a nossa saúde. Isso tem que entrar na conta”, argumenta. “Já vi colegas que se aposentaram e se arrependeram. Só que depois que nos aposentamos, não tem como voltar”, lembra.
Ela destaca que, quando está na ativa, o servidor deve olhar para o seu contracheque. “É preciso ter consciência do que recebemos e do quanto vamos receber quando nos aposentarmos”, ensina.
“A decisão pelo momento da aposentadoria é algo que precisa ser analisado, para que possamos fazer o que gostamos e que nos faça bem. A aposentadoria é um sonho, um momento único, mas temos que ter os pés no chão”.
Ela considera que é na ativa que o servidor deve organizar a sua vida financeira, aos poucos. “A gente quer se aposentar e não apenas cuidar da saúde. Também temos que descansar”, opina.
Preparando o Futuro
Os servidores da Prefeitura interessados em participar da próxima edição do Preparando o Futuro podem se manifestar por e-mail, caso queiram ser avisados da abertura das inscrições.
O IPMC planeja realizar pelo menos mais uma edição em 2026. A atividade faz parte do Programa de Educação Previdenciária do IPMC.
Quem quiser manifestar o interesse pode escrever para o e-mail atendimentoipmc@curitiba.pr.gov.br, informar seu nome completo, matrícula e secretaria onde trabalha.