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SUS Curitiba

Equipes do Consultório na Rua, da Prefeitura de Curitiba, fazem 1.600 atendimentos por mês

Desde 2025, o programa da Secretaria Municipal de Saúde vem sendo fortalecido com a ampliação dos horários de atuação e do número de equipes, que dobrou em um ano, de 3 para as atuais 6

O Odontomóvel do Consultório na Rua atende pessoas em vulnerabilidade na Casa de Passagem Padre Pio e Centro POP, no Rebouças, e próximo à US Parolin. Curitiba, 03/09/2026. Foto: Divulgação

Texto: Roberto Couto
Prefeitura de Curitiba

Nem sempre o atendimento de uma das equipes termina com uma consulta, um exame ou um encaminhamento. Às vezes, o primeiro encontro é apenas um acolhedor “bom dia”. No segundo, uma conversa. No terceiro, a pessoa permite que o profissional se aproxime um pouco mais e aceita medir a pressão ou fazer um curativo. Semanas depois, pode concordar em tomar uma vacina.

É assim, pouco a pouco e com muita sensibilidade, que trabalham as equipes do Consultório na Rua da Prefeitura de Curitiba, que percorrem dia e noite ruas, praças, viadutos e outros locais ofertando acolhimento em saúde a pessoas em situação de rua. Em média, mensalmente, as equipes realizam 1.600 atendimentos para 535 pessoas em situação de rua. 

“É um trabalho que traduz um dos princípios mais importantes do SUS: o cuidado precisa chegar a todos. As equipes do Consultório na Rua vão até onde essas pessoas estão, respeitam o tempo de cada uma e constroem caminhos para que elas possam voltar a acessar os serviços de saúde da Prefeitura de Curitiba”, afirma a secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak.


A coordenadora do Consultório na Rua, Patrícia Vestergaard Dias, explica que a aproximação é parte essencial da própria estratégia do serviço da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

“O Consultório na Rua leva o cuidado até a pessoa e, ao mesmo tempo, constrói pontes para que ela volte a acessar toda a rede. Nem sempre conseguimos realizar um procedimento na primeira abordagem. Às vezes, o primeiro cuidado é a escuta, é chamar pelo nome, é mostrar que estaremos disponíveis novamente. Temos a compreensão de que aquele primeiro ‘não’ pode significar apenas um ‘não agora’”, explica Patrícia.

Mais equipes e horários

Criado em Curitiba em agosto de 2013, o Consultório na Rua conta atualmente com seis equipes e 41 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, dentistas, técnicos de saúde bucal, psicólogos e assistentes sociais.

Desde 2025, o programa vem sendo fortalecido com a ampliação dos horários de atuação e do número de equipes, que dobrou em um ano, de 3 para as atuais 6. A grande novidade é que, desde agosto deste ano, uma das equipes da Matriz passou a atuar das 13h às 22h, ampliando permanentemente o atendimento para o período noturno.

“Com a nova equipe, o serviço noturno deixa de ser uma ação vinculada apenas à Operação de Inverno e passa a fazer parte da rotina de cuidado do Consultório na Rua”, explica Patrícia.

A maior parte do trabalho das equipes do Consultório na Rua acontece de forma itinerante. Há duas equipes no Distrito Sanitário Matriz; e as demais abrangem os distritos Portão, CIC, Pinheirinho, Tatuquara, Cajuru, Boqueirão, Bairro Novo, Boa Vista e Santa Felicidade. Além do novo turno até às 22h, há equipes que atuam das 8h às 17h; uma delas passou este ano a percorrer o Tatuquara e atuar de forma volante por toda a cidade, das 9h às 18h.

As equipes do programa são vinculadas à Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas).

Conhecimento e sensibilidade

Por trás de cada abordagem do Consultório na Rua estão profissionais que exercem o cuidado em um cenário muito diferente daquele de um consultório convencional. Na rua, conhecimento técnico e sensibilidade caminham juntos.

Uma das equipes da Matriz, por exemplo, percorre permanentemente locais próximos à Rodoviária de Curitiba. É nessa área que a médica Elaine Culig, do Consultório na Rua, acompanha pessoas com histórias, necessidades e relações muito diferentes com os serviços de saúde.

“Na rua, precisamos compreender que cada pessoa tem seu tempo. Às vezes, você gostaria de resolver uma necessidade de saúde naquele primeiro encontro, mas percebe que antes é preciso conversar, escutar e conquistar a confiança”, afirma Elaine.

Em outro ponto da cidade, a equipe que atua no Distrito Sanitário do Boqueirão também transforma a persistência em ferramenta de cuidado. Durante as abordagens na Praça Menonitas, o psicólogo Gustavo Medeiros conhece pelo nome muitas das pessoas acompanhadas e ajuda a construir caminhos que ultrapassam as necessidades imediatas de saúde.

“O vínculo nasce quando a pessoa percebe que existe respeito e que estaremos aqui novamente. A partir daí, começam a surgir possibilidades de cuidado”, conta Medeiros.

“Aqui eles cuidam da gente”

Para quem está do outro lado desse encontro, ser reconhecido, ouvido e tratado com respeito também faz diferença. R.S., 60 anos, atendido pela equipe do Consultório na Rua no Boqueirão, conta que se sente acolhido pelos profissionais que encontra na Praça Menonitas.

“Eles chegam, conversam com a gente, perguntam como a gente está e tratam a gente bem. Não é só vir aqui uma vez. Isso faz a gente confiar. A gente sente que tem alguém olhando pela nossa saúde e que, quando precisar, pode procurar a equipe”, conta ele.

Persistir sem invadir

Quando a confiança permite avançar, as equipes têm condições de realizar uma série de cuidados, como avaliações médicas e de enfermagem, coleta de exames, testes rápidos, vacinação, curativos, retirada de pontos, administração de medicamentos, oferta de implante contraceptivo, acompanhamento pré-natal de gestantes em situação de rua, atendimento da assistência social e encaminhamentos para tratamento em saúde mental.

A saúde bucal também integra esse cuidado e é um das mais aceitas pelas pessoas em situação de rua. Quando necessário, os atendimentos odontológicos são agendados em clínicas odontológicas das Unidades de Saúde de Curitiba e UPAs ou realizados em dois pontos fixos do Odontomóvel: a Casa de Passagem Padre Pio, no Rebouças, de segunda a quinta (manhã e tarde), ou próximo a US Parolin, às sextas, durante o dia.

Trabalho em rede

Mas o Consultório na Rua não funciona isoladamente. Uma de suas principais funções é justamente aproximar a população em situação de rua dos demais serviços do SUS Curitiba. Quando uma necessidade ultrapassa aquilo que pode ser resolvido diretamente pela equipe, os profissionais articulam o atendimento com outros pontos da rede, como as unidades de saúde, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e as UPAs ou a atuação conjunta com serviços como a Fundação de Ação Social (FAS), Conselho Tutelar, Rede de Proteção e Guarda Municipal.