Texto: Marina Anater | Edição: Aline Kozak
Prefeitura de Curitiba
Com as chaves da casa própria na mão, o cabeleireiro Gilberto Ribeiro da Silva conseguiu abandonar as botas de borracha que usava nos dias de chuva. Seu salão antigo, junto à casa na Vila 29 de Outubro, ficava em área de risco, alagadiça, e agora foi realocado para o Bairro Novo do Caximba.
O projeto é uma iniciativa da Prefeitura de Curitiba, com financiamento da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), que atende famílias em situação de extrema vulnerabilidade social e ambiental da Vila 29 de Outubro. A casa de Gilberto se enquadra no projeto de moradias mistas, que unem espaço para comércio e a residência do comerciante.
Depois de nove anos trabalhando como barbeiro na vila, Gilberto tem uma clientela fiel e amiga, que não apenas se manteve com o novo endereço, mas que também aprovou a estrutura.
“Às vezes, a gente não espera que vai acontecer, mas, quando vê a obra em andamento, sabe que uma hora vai dar certo. Eu sempre pensei no melhor e hoje todos os clientes que entram aqui gostam e comentam: ‘negão, ficou da hora!’. Para eles também melhorou bastante, porque o cliente valoriza o conforto”, contou.
Gilberto lembra das dificuldades que ficaram para trás com a mudança. “Antes, eu trabalhava com a porta aberta e quando ventava meus dedos congelavam. Eu precisava esquentar as mãos no fogão para voltar a cortar cabelo", contou. “Teve muitas vezes que atendi clientes com água da chuva entrando no salão. Eu lembro de gente sentada na cadeira enquanto a água passava. Quantas pessoas eu não cortei o cabelo dentro da água, de botina, trabalhando desse jeito?”
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Gilberto Ribeiro da Silva, cabelereiro.
Um dos clientes antigos, Rudimar da Cruz São Miguel corta o cabelo com o Gilberto desde que ele começou a oferecer o serviço e também se mudou para uma das moradias novas do Bairro Novo da Caximba .
“É bom ver a evolução de um cara com quem a gente gosta de cortar o cabelo e que é um amigo. O lugar novo é bom para ele e para nós também”, disse Rudimar.
Preservando o que funciona
A vizinha de Gilberto, Vanda de Souza Delfino, e seu marido, João Manoel Rodrigues, trabalham com conserto e manutenção de refrigeradores. Além da nova casa e oficina, ela destaca como melhoria o acesso para os clientes chegarem ao local
“Antes a gente passava muito apuro por falta de água e energia e o pessoal deixava de ir à oficina por causa do barro”, lembra Vanda.
A família chegou em 20 de fevereiro de 2026 à casa nova.
“É muito bom esse projeto, eles colocam os parentes por perto, minha filha mora aqui do lado, e quando o lote novo (Fase 5 do projeto) ficar pronto virão para cá mais vizinhos com quem tenho afinidade. Assim, conseguimos manter nossos clientes”, contou.
Em maio de 2026, a Prefeitura de Curitiba deu início à construção das obras da Fase 5 do Bairro Novo do Caximba, que preveem 235 novas unidades no programa, sendo 192 habitacionais e 43 de uso misto residencial e comercial, além de infraestrutura viária e de água, esgoto e iluminação pública. Também estão em execução obras das fases 1, 2, 3 e 4.
Desde 2024, já foram entregues 560 unidades habitacionais, além de obras de pavimentação, rede de coleta de esgoto, iluminação pública e a reforma da Escola Municipal Joana Raksa. Também está aberta a licitação para construção da nova Unidade Básica de Saúde (UBS) do Caximba, em fase de recebimento de propostas até dia 9 de junho.
Sobre o projeto
O projeto Bairro Novo do Caximba foi desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), com obras coordenadas pela Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop), apoio da Unidade Técnica de Gerenciamento (Utag) e atuação da Cohab no trabalho social com as famílias e na regularização fundiária.
O Bairro Novo do Caximba vai beneficiar 2.120 famílias - 1.211 com novas moradias e outras 909, que não estão em locais alagadiços, com regularização fundiária e obras de urbanização.
A intervenção é financiada pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), com investimento de € 47,6 milhões, sendo € 38,1 milhões provenientes da AFD e € 9,5 milhões de contrapartida do município, dentro do Programa de Revitalização e Obras de Curitiba (PRO Curitiba).