Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Texto: Andre Prokofiev
Prefeitura de Curitiba
Em Agudos do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, o alimento que chega à mesa nasce muito antes das feiras, dos Armazéns da Família e dos Sacolões da Família. Está nas pequenas propriedades, no trabalho de famílias de agricultores e nas agroindústrias que transformam a produção do campo.
Essa aproximação entre quem produz e quem consome ganhou novos caminhos com iniciativas da Prefeitura para ampliar a participação da agricultura familiar nos equipamentos de Segurança Alimentar e Nutricional. Um dos exemplos recentes é o Sacolão da Família Móvel, com quatro pontos em Curitiba, além de participações no Domingo no Centro e na Feira do Largo da Ordem.
Produção salta de 350 quilos para 1 tonelada
Em Agudos do Sul, os efeitos dessa abertura de mercado já aparecem na produção, na renda e na geração de empregos.
Na agroindústria Gostinho do Sítio, da presidente da Cooperativa de Processamento Alimentar e Agricultura Familiar de Agudos do Sul e Região (Coafag), Lorena Teixeira, e de sua sócia, Eliete Oliveira de Araújo, a produção de linguiças e salames artesanais saltou de cerca de 350 quilos para 1 tonelada após a ampliação dos canais de comercialização, entre eles os equipamentos de segurança alimentar de Curitiba.
“O aumento das vendas fez a gente crescer junto. A produção aumentou e tivemos que contratar mais três pessoas para dar conta da demanda. Para nós, isso representa muito mais do que vender mais. É gerar trabalho e renda e ter a segurança de que existe mercado para continuar produzindo”, conta Lorena.
É por meio da Coafag que parte da produção de agricultores e pequenas agroindústrias de Agudos do Sul e região chega a mercados maiores, como Angeloni e a rede de restaurantes Madero.
A Gostinho do Sítio possui Selo Arte, que permite a comercialização dos produtos artesanais em todo o território nacional. A nova regulamentação dos Sacolões da Família também abre espaço para salames e linguiças, além de outros produtos artesanais da agricultura familiar.
Produção perto de casa
Na propriedade Amigas do Campo, Cássia Regina da Rosa Brandino dos Santos, 51 anos, e Izabel Cardoso da Luz, 38 anos, trabalham com frutas e hortaliças que também ganham uma segunda vida em conservas, compotas e outros alimentos processados.
Cássia deixou o serviço público durante a pandemia e encontrou na produção rural uma nova possibilidade de trabalho e renda. Com apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), começou a levar seus produtos para as feiras.
Foi nesse caminho que se aproximou de Izabel, que mantém uma propriedade familiar com o marido e os seis filhos. A produção é orgânica e inclui brócolis, couve, beterraba e cenoura. Parte dos alimentos é transformada na agroindústria.
“Tudo que tem dentro da propriedade, a gente utiliza o próprio recurso. Então a gente quer ficar bem sustentável”, conta Izabel.
Para Cássia, vender por meio das feiras, dos Sacolões e dos Armazéns da Família também aproxima o consumidor do alimento produzido na região.
“É produzido aqui, chega mais fresco e as pessoas têm a opção de ter um produto com qualidade e um preço bom também”, afirma.
Muito antes da prateleira
Em uma propriedade de 15 alqueires, o agricultor familiar Cristiano Juliatto, 49 anos, trabalha com a esposa, Liz Ludimila, e o filho, Cristiano Juliatto, na Flor de Liz – Orgânicos. Os três participam das atividades da propriedade, onde também vivem e convivem.
Na produção, que conta com uma equipe de 12 funcionários, o filho Cristiano atua, entre outras tarefas, na embalagem dos produtos ao lado do pai. Entre o plantio e a chegada do alimento ao consumidor estão etapas como colheita, seleção, processamento, embalagem, transporte e comercialização.
“Quem vê o produto embalado no mercado não imagina o trabalho que existe antes. Desde o plantio, colheita, separação. A embalagem é a parte final”, conta ele.
Região Metropolitana como fornecedora
Para o secretário de Segurança Alimentar e Nutricional, Leverci Silveira Filho, aproximar produção e mercado é uma forma de transformar o trabalho dos agricultores em renda e oportunidades.
“A Região Metropolitana tem agricultores que produzem alimentos de qualidade, mas produzir é apenas uma parte do processo. É preciso ter mercado para que esse trabalho se transforme em renda para as famílias. Curitiba tem um enorme mercado consumidor e pode ajudar a criar essa ponte, abrindo canais para que o produtor consiga escoar a produção”, diz.
Sacolões da Família, feiras, Armazéns da Família e os Sacolões da Família Móveis formam parte dessa rede. Além das frutas e hortaliças a R$ 3,99 o quilo, o novo formato passa a comportar mais produtos da agricultura familiar.
“Entre o campo e a mesa, existe uma cadeia de trabalho que começa na produção e passa pela organização, pelo transporte e pela comercialização. Quando aproximamos quem produz de quem consome, Curitiba fortalece a agricultura familiar e cria novas oportunidades para quem produz na Região Metropolitana”, salienta Leverci.