Texto: Eliana Carmem Fachim
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
O diretor do Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, o historiador Paulo César Garcez Marins, visitou nesta quarta-feira (6/5) o Solar do Barão, no Centro de Curitiba, que passa por um processo de restauro e ampliação. Marins veio para a cidade para abrir a 1ª Semana de Museus, organizada pela Fundação Cultural, que segue até quinta (7/5) no Memorial de Curitiba.
O museu paulista, em São Paulo, ficou fechado por quase uma década para obras de restauro e ampliação que aconteceram entre 2013 e 2022. Desde a reabertura recebeu mais de 2 milhões de visitantes. E assim como o Solar do Barão em Curitiba, também é um exemplar arquitetônico do final do século 19.
“A visita de uma autoridade no assunto histórico e museal é uma oportunidade de trocar de experiências uma vez que ambos espaços, tanto o Museu Imperial quanto o nosso Solar do Barão, compartilham semelhanças, especialmente simbólicas, além das recentes requalificações, destacou o presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marino Galvão Junior.
Nas obras no Solar do Barão a Prefeitura de Curitiba está investindo R$ 20 milhões. O trabalho conduzido pela Secretaria Municipal de Obras Públicas começou no inicio deste mês de abril. A previsão é de dois anos para a entrega. No complexo estão os Museus da Fotografia e da Gravura, Gibiteca e ateliês de gravura e litogravura. Todas as atividades foram realocadas para outros espaços temporariamente até o fim das obras.
“Os dois edifícios apresentam técnicas construtivas semelhantes, como o uso de alvenaria em tijolos e elementos em madeira. Enquanto o edifício do Ipiranga expressa um ecletismo historicista mais acentuado, o Solar do Barão do Serro Azul preserva marcas do classicismo imperial”, observou o historiador.
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Paulo César Garcez Marins, diretor do Museu do Ipiranga
Durante a visita, o diretor destacou o potencial histórico do Solar do Barão, especialmente no que diz respeito às pinturas decorativas nas paredes que estão nos blocos do palacete principal e do bloco da Baronesa.
“Vocês aqui têm a fortuna de ter muitas pinturas parietais que nós não temos no Museu do Ipiranga. São pelo menos dois níveis de pintura sobrepostos, o que abre um debate importante sobre o que preservar e o que se quer mostrar”, observou.
Marins também enfatizou que o valor do Solar do Barão vai além da edificação. “Embora a finalidade aqui do complexo seja para a gravura e fotografia, é claro que a relação do prédio com o Barão do Serro Azul é tão grande que todo mundo chama até hoje de Casa do Barão. Esse apelido com o público tem que ser ouvido e digo isso a partir da nossa experiência. O Museu Paulista da Universidade de São Paulo, desde o século 19 o público chama de Museu do Ipiranga”, disse.
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Paulo César Garcez Marins, diretor do Museu do Ipiranga
Também acompanharam a visita o diretor de Patrimônio Histórico da FCC, Marcelo Sutil, e a coordenadora do Solar do Barão, Andrea Menezes.
Patrimônio histórico-cultural
Patrimônio histórico-cultural, o Solar do Barão reúne, num mesmo terreno, três blocos de edificações construídas em diferentes períodos, entre 1880 e 1940, que juntos somam uma área construída de 3.377 metros quadrados e abrigam importantes espaços artísticos da Fundação Cultural.
Com as obras, serão renovados os sistemas elétrico e hidráulico, a cobertura e a instalação de rampas e equipamentos voltados à acessibilidade de todos os ambientes por onde circulam cerca de 400 mil pessoas anualmente, entre alunos e público das exposições.
Bloco moderno para o acervo
Um novo e moderno bloco com três pavimentos será construído para a reserva técnica, que abrigará as coleções dos Museus e da Gibiteca, atendendo as mais atuais normas de preservação e conservação de acervos.
Está prevista para o período da obra a integração por meio de um jardim, entre o Solar do Barão e o Estúdio Riachuelo - localizado em frente ao Cine Passeio -, na Rua Riachuelo, formando um corredor cultural.
O Solar do Barão
A primeira e mais antiga das três edificações que se encontram na Rua Carlos Cavalcanti foi residência da família do empresário e político Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul, entre 1880 até 1894.
O projeto e a obra são atribuídos aos construtores Ângelo Vendramin e Giovanni Battista Casagrande, italianos migrados para o Brasil em meados de 1870.
O Barão do Serro Azul foi um dos maiores produtores e exportadores de erva-mate do mundo. Por conta dos negócios, entrou na área de impressão e tipografia para confeccionar os rótulos de seus produtos e fundou então a Impressora Paranaense, no local onde hoje se encontra o Cine Passeio.