Texto: Eliana Carmem Fachim
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
O encontro de duas artes movimenta a programação da Casa Hoffmann em julho. O espaço cultural dedicado aos estudos do movimento tem quatro espetáculos neste mês, todos com entradas gratuitas. Três deles têm ligação direta com a literatura, homenageando grandes autores e usando a inspiração de poesias e textos para criar danças inovadoras.
O quarto espetáculo que será apresentado na Casa Hoffmann resgata um mito grego. A classificação é livre, e os ingressos serão distribuídos uma hora antes de cada sessão. Confira AQUI.
Fissura
Neste fim de semana, sexta e domingo (10 e 12/7), às 19h30, acontecem as apresentações de Fissura, interpretado e criado por Nayara Santos e Vitor Rosa. A performance inspirada no pensamento do escritor Byung-Chul Han, em especial do livro Sociedade do Cansaço. A obra discute a finitude, dos vínculos, dos amores, das certezas, dos empregos e da própria existência.
Outro tema que vem do livro é a positividade exagerada que esgota o indivíduo. “Quisemos achar justamente onde estava a Fissura no tempo que nos é imposto pelas tarefas cotidianas e maneiras de preencher estes espaços de forma a não sermos atropelados pela alta produtividade e desempenho”, explica Vitor Rosa.
A sessão do domingo conta com acessibilidade em Libras, audiodescrição e abafadores de ruídos. Fissura foi selecionado no Edital de Dança do Fundo Municipal da Cultura e realizado com recursos do Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba, da Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura de Curitiba.
Mar de Poemas
Na terça e quarta-feira (14 e 15/7), às 19h30, a Casa Hoffmann recebe o espetáculo Mar de Poemas. Combinando dança, música e projeções criadas com inteligência artificial, a apresentação celebra a poesia de Cecília Meireles. Em cena, Joy Eduarda e Samuel Jumonji guiam o público pelo universo simbólico do mar.
Esse é outro projeto também selecionado pelo Edital de Dança do Fundo Municipal de Cultura.
As coreografias de Mar de Poema mesclam balé clássico e dança contemporânea para criar uma atmosfera sensorial a partir da obra da escritora. A direção fica por conta de Lia Comandulli, bailarina que integrou o Balé do Teatro Guaíra por 30 anos e assinou a coreografia de mais de 40 espetáculos.
No espetáculo serão apresentados alguns poemas da autora, por áudios gravados e também na interação ao vivo. “A poesia de Cecília Meireles cria em nós uma viagem mental por suas palavras profundas e sensíveis, transportando-nos junto com elas por mundos imaginários”, explica Jul Leardini, produtor e roteirista de Mar de Poemas.
A apresentação atual foi inspirada em uma montagem que ele fez em 1994, agora incrementado com mais elemento, além da poesia, tem dança, música e arte em IA. “Esta união cria várias camadas no espetáculo, ativando múltiplos sentidos da plateia, permitindo uma imersão sensorial”, define o roteirista.
Narciso
Outro espetáculo do Edital de Dança do Fundo Municipal de Cultura é Narciso: o auto-admirador do espelho virtual. Nesta performance, Claudio Fontan se inspirou no mito grego de Narciso para refletir sobre a construção da identidade nas redes sociais. O artista usa o corpo e o movimento como plataforma de discussão sobre autoimagem, exposição digital e a relação entre o corpo real e suas representações nas telas.
“O mito de Narciso tem uma forte ligação com a auto-idealização”, explica Claudio sobre o mito do jovem que se apaixona pelo próprio reflexo no rio e acaba morrendo afogado. “Narciso simboliza a vaidade e a insensibilidade. O drama da individualidade mostra a profundidade de um indivíduo que toma consciência de si mesmo. Assim este trabalho vai refletir a loucura do belo ao sublime, a procura incessante pelo espelho, pela imagem que vivemos na sociedade contemporânea”, fala Claudio.
Narciso: o auto-admirador do espelho virtual mescla teatro, dança e performance, para explorar as diferentes identidades das pessoas entre o real e o digital. As apresentações acontecem no outro fim de semana, sexta-feira e sábado (17 e 18/7), às 19h30, na Casa Hoffmann.
Leminski na Selva Autofágica
Um dos maiores nomes da literatura paranaense inspira o quarto espetáculo do mês no espaço. Leminski na Selva Autofágica traz Cesar Almeida em cena, em um diálogo imaginário com o poeta curitibano. “Parto da lucidez de Paulo Leminski e sua busca por aprovação pela sociedade autofágica curitibana”, destaca o artista sobre a forte relação (por vezes, contraditória) do poeta com a cidade.
“Na literatura, encontro um mundo de motivação para falar primeiro da alma e depois como isso se reflete em meu corpo”, explica Cesar sobre a união de linguagens. A partir das palavras de Leminski, o performer trabalha suas inquietações em forma de movimento.
A relação entre os dois artistas não se dá só pela cidade, mas pelas formas múltiplas de ver e criar no espaço urbano. “Leminski é Curitiba. Eu sou Curitiba. Somos contemporâneos. Somos artistas que escolheram viver e celebrar suas raízes. Sempre penso em produzir uma arte com cor local, como ele produziu”, disse.
As apresentações acontecem nos dois últimos dias do mês (30 e 31/7) e também em 1º de agosto, às 19h30.
Âncora
Serviço
Espetáculo de julho na Casa Hoffmann
R. Dr. Claudino dos Santos, 58 – São Francisco
Apresentações:
Fissura:
dias 10 e 12 de julho de 2026 (sexta-feira e domingo), às 19h30
Classificação: livre
*Sessão do dia 12 com acessibilidade em Libras, audiodescrição e abafadores de ruídos
Mar de Poemas:
dias 14 e 15 de julho de 2026 (terça e quarta-feira), às 19h30
Classificação: livre
Narciso: o auto-admirador do espelho virtual
dias 17 e 18 de julho de 2026 (sexta-feira e sábado), às 19h30
Classificação: livre
Leminski na Selva Autofágica:
dias 30 e 31 de julho e 01 de agosto de 2026 (quinta, sexta e sábado), às 19h30
Classificação: livre
*Ingressos: para todos os espetáculos, distribuídos gratuitamente uma hora antes de cada apresentação