Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Um condomínio no Tatuquara é o novo endereço de Dirceu Nunes de Oliveira. A mudança, feita no último dia 24 de julho, encerra uma espera por um imóvel da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab) e simboliza o início de uma nova etapa para quem passou boa parte da vida em situação de vulnerabilidade social.
Aos 50 anos, Dirceu conta que esperou por 21 anos a chegada da casa própria. Pessoa com deficiência e beneficiário do Benefício de Prestação Continuada (BPC), ele esteve em situação de rua em diferentes períodos desde 2006, quando começaram os atendimentos da Fundação de Ação Social (FAS). Ao longo desses anos, alternou momentos de desabrigo, acolhimento institucional e períodos em que viveu em pensões de Curitiba e de outros municípios da região metropolitana.
Nos últimos meses, Dirceu estava acolhido na Casa de Passagem Padre Pio, unidade da rede da FAS destinada ao atendimento de homens em situação de rua, onde recebeu acompanhamento do coordenador da unidade, Marcos Cajeux, e da equipe técnica. Paralelamente, manteve atualizado, durante mais de duas décadas, o cadastro na Cohab, o que garantiu sua contemplação com um apartamento.
Para o presidente da FAS, Renan de Oliveira Rodrigues, a conquista da moradia e da autonomia de Dirceu representa o resultado de um trabalho contínuo de acolhimento e reconstrução de vínculos. 'A assistência social está presente para garantir proteção às pessoas nos momentos de maior vulnerabilidade e apoiá-las na construção de novos projetos de vida. A história do Dirceu mostra que, quando diferentes políticas públicas caminham juntas, é possível transformar trajetórias marcadas pela exclusão em histórias de recomeço, autonomia e dignidade', diz.
Pé direito
Dirceu recebeu as chaves da nova casa no último dia 23. No dia seguinte, entrou pela primeira vez no apartamento de 47 metros quadrados, localizado no segundo andar, e fez questão de cruzar a porta com o pé direito.
'Já agradeci a nova vida quando entrei no apartamento. Para mim, tudo isso que estou vivendo é um recomeço. Tudo isso é a assinatura de Deus na minha vida', conta.
Antes mesmo da mudança, Dirceu começou a cuidar da nova casa. Limpou, acompanhou a entrega dos móveis e já faz planos para limpar os vidros e renovar a pintura. A casa foi mobiliada com o apoio do Disque Solidariedade, serviço da FAS que coleta e distribui doações. A pedido da assistente social do Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP) Solidariedade, Débora Brandão, ele recebeu toda a mobília.
Entre os itens estão guarda-roupa, cômoda, mesa e cadeiras, sofá, geladeira, fogão, micro-ondas, cama de casal, mesa de canto, prateleiras, fruteira, escorredor de louças, lixeiras, utensílios de cozinha, roupas de cama, mesa e banho, além de uma cesta básica.
No novo apartamento, Dirceu não terá prestação para pagar, vai arcar apenas com as despesas de água, energia elétrica e condomínio.
Planos de trabalho
Apesar de conviver desde os 13 anos com a doença de Parkinson, condição rara, segundo ele, pela idade em que surgiu, Dirceu está otimista. Os tremores provocados pela doença não diminuem a disposição para trabalhar. Ele pretende fazer pequenos serviços como encanador e eletricista, inclusive no próprio condomínio, para complementar a renda do BPC. 'Espero que daqui para frente venham cada vez mais coisas boas.'
Dirceu diz que enfrentou momentos extremamente difíceis. Além da situação de rua, conviveu com a dependência do álcool e chegou a pensar em tirar a própria vida. Hoje, emocionado, afirma que deixou o vício para trás e acredita que a conquista da casa própria representa a oportunidade de reconstruir sua história.
Ele também faz questão de agradecer o atendimento recebido ao longo dos anos pela rede socioassistencial do município. 'O atendimento da FAS sempre foi muito bom. Muitos servidores que encontrei ao longo da caminhada são uns amores”, afirma.
A supervisora da FAS na Regional Tatuquara, Rosilene de Fátima Borba, e a coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Laguna, Patrícia Marczak Lenschow, acompanharam a entrega dos móveis e destacam que histórias como a de Dirceu representam a missão da assistência social.
'O papel da fundação é acolher as pessoas quando elas mais precisam, oferecer apoio para que reconstruam seus projetos de vida e criar condições para que conquistem autonomia. Ver o Dirceu entrando na casa dele é a demonstração de que esse trabalho pode transformar vidas', diz Rosilene.