Texto: Cristiane Guancino Pereira
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
A Prefeitura de Curitiba iniciou nesta segunda-feira (22/6) um mutirão de limpeza e desobstrução de galerias celulares e estruturas de drenagem em diferentes regiões da cidade. A ação, coordenada pelo Departamento de Pontes e Drenagem da Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop), integra o plano emergencial de prevenção que está sendo implementado para preparar Curitiba diante da previsão de chuvas mais intensas associadas à possível ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre deste ano.
O trabalho acontece para garantir que o sistema de drenagem opere em seu máximo potencial hidráulico, recuperando a capacidade de escoamento comprometida por sedimentos, lixo, vegetação, assoreamento, interferências e até mesmo ligações clandestinas.
"O prefeito Eduardo Pimentel determinou que ampliássemos as ações preventivas para reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos na cidade. Estamos atuando de forma antecipada, com intervenções em pontos estratégicos da drenagem urbana e proteção da infraestrutura crítica, para aumentar a resiliência de Curitiba diante do cenário climático previsto para os próximos meses", afirma o secretário municipal de Obras Públicas, Luiz Fernando Jamur.
Ajuda da tecnologia
O primeiro local atendido foi o cruzamento das ruas Brigadeiro Franco e Francisco Parolin, no Parolin. A intervenção começou com o uso do robô de videoinspeção, que identificou grande quantidade de sedimentos e resíduos acumulados no interior da galeria. Na sequência, equipes utilizaram um caminhão hidrojato - veículo equipado com um sistema de água sob alta pressão capaz de limpar e desobstruir tubulações e galerias subterrâneas - para realizar a manutenção da estrutura.
O local possui histórico de alagamentos. Em 2023, a Prefeitura executou uma obra de readequação da rede pluvial, substituindo estruturas antigas e ampliando a capacidade de drenagem com a implantação de aproximadamente 300 metros de novas galerias subterrâneas. As estruturas receberam nesta segunda-feira os serviços preventivos de limpeza.
“As inspeções e limpezas programadas permitem identificar e corrigir problemas antes que eles comprometam o funcionamento da drenagem, especialmente diante da previsão de chuvas mais intensas associadas ao El Niño”, diz o engenheiro do Departamento de Pontes e Drenagem da Smop, Diogo Barros.
Riscos associados às chuvas
Segundo o diretor do Departamento de Pontes e Drenagem da Smop, Paulo Vitor Lucca, o trabalho faz parte de uma estratégia técnica que considera o histórico de ocorrências e os riscos associados às chuvas intensas.
"Estamos priorizando galerias, travessias sob vias arteriais, redes próximas a trincheiras e locais com histórico de refluxo e alagamentos. O objetivo é recuperar a capacidade hidráulica dessas estruturas e garantir maior eficiência no escoamento das águas pluviais justamente nos pontos mais sensíveis da cidade", explicou Lucca.
O diretor explica que, durante chuvas muito intensas, podem ocorrer pontos de alagamento, já que o sistema de drenagem é projetado para suportar volumes específicos de precipitação. Por isso, os trabalhos de limpeza, inspeção e manutenção são fundamentais para garantir que galerias, canais e demais estruturas funcionem com a máxima eficiência possível, ajudando a reduzir os impactos provocados pelas fortes chuvas.
A ação ganha ainda mais importância diante da previsão de eventos climáticos adversos. Ao mesmo tempo, a Prefeitura de Curitiba tem investido em obras estruturantes de drenagem em diferentes regiões da cidade para ampliar a capacidade do sistema, aumentar a resiliência urbana e minimizar os riscos causados por chuvas intensas.
Pontos prioritários
Nesta primeira etapa, as equipes atuam em locais previamente mapeados pelos técnicos da Smop. Entre eles estão o entorno dos córregos Henry Ford e Santa Bernadethe, nos bairros Lindóia e Fanny; a Rua Visconde de Nácar no cruzamento com a Cruz Machado e Rua Fernando Moreira, no Centro; Desembargador Westphalen com Visconde de Guarapuava, no Centro; Brasílio Itiberê com Desembargador Westphalen, no Rebouças; Rua Osmário de Lima e vias do entorno, no Capão da Imbuia; no Entorno do Terminal do Boqueirão e na Avenida Vereador Toaldo Túlio, na altura da Rua Serafim Lucca, em Santa Felicidade.
Outros pontos serão incluídos ao cronograma nas próximas semanas. Além das equipes especializadas da Smop, os Distritos de Manutenção Urbana também vão intensificar os serviços preventivos de limpeza e manutenção da drenagem.
Atualmente com 26 equipes, o Departamento de Manutenção Urbana trabalha diariamente de forma preventiva fazendo a manutenção e limpeza de galerias de águas pluviais nas dez regionais da cidade. Nas próximas semanas, mais sete equipes farão o reforço nesse trabalho na Prefeitura de Curitiba.
Plano emergencial
O mutirão integra um conjunto de ações que compõem o plano emergencial de prevenção da Secretaria Municipal de Obras Públicas de Curitiba. Entre as medidas estão a limpeza de rios urbanos e canais, a implantação de intervenções em bacias hidrográficas prioritárias, o programa de inspeção expressa com videoinspeção emergencial, o mapeamento de pontos de refluxo e a criação de áreas de extravasamento superficial controlado em terrenos municipais localizados às margens de rios.
Também fazem parte da estratégia ações voltadas à proteção de infraestruturas críticas, como trincheiras, terminais de transporte coletivo, hospitais e outros equipamentos públicos essenciais.
"O trabalho está organizado por prioridades. Primeiro realizamos a limpeza dos rios e a remoção de estrangulamentos. Em seguida, avançamos para a desobstrução das galerias críticas, a operação preventiva em bocas de lobo, a proteção de trincheiras e pontos deprimidos e, por fim, o monitoramento operacional em tempo real. É uma atuação integrada para reduzir riscos e aumentar a capacidade de resposta da cidade", destacou Jamur.
A definição das áreas prioritárias considera critérios técnicos como registros do serviço 156, histórico de alagamentos recorrentes, impacto viário, presença de equipamentos públicos estratégicos e o grau de impermeabilização das bacias urbanas.
População pode contribuir
A Prefeitura reforça que a prevenção de alagamentos também depende da colaboração da população. O descarte irregular de lixo em ruas, áreas verdes e cursos d’água pode obstruir galerias, bocas de lobo e outras estruturas de drenagem, dificultando o escoamento da água da chuva e aumentando o risco de alagamentos.